{"id":67036,"date":"2023-08-29T12:41:04","date_gmt":"2023-08-29T15:41:04","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=67036"},"modified":"2023-08-29T12:41:05","modified_gmt":"2023-08-29T15:41:05","slug":"coletivos-lesbicos-fortalecem-redes-de-mulheres-nas-periferias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/08\/29\/coletivos-lesbicos-fortalecem-redes-de-mulheres-nas-periferias\/","title":{"rendered":"Coletivos l\u00e9sbicos fortalecem redes de mulheres nas periferias"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Objetivo \u00e9 garantia de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o grupo<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por Mariana Tokarnia \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil \u00a0 &#8211; Rio de Janeiro<audio src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/208888.mp3\"><\/audio><\/h4>\n\n\n\n<p>Espa\u00e7os de trocas, de forma\u00e7\u00e3o, de resist\u00eancia, de acolhimento e, tamb\u00e9m, de alegria e divers\u00e3o. Nas periferias brasileiras, mulheres l\u00e9sbicas criam coletivos e organiza\u00e7\u00f5es e se fortalecem, juntas, na busca pela garantia de direitos. Para marcar o Dia Nacional da Visibilidade L\u00e9sbica, a&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;conversou com algumas dessas mulheres, que mostram a necessidade de se dar voz e garantir pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a sa\u00fade, moradia, seguran\u00e7a p\u00fablica, entre outras, especificamente para esse grupo. &nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1551735&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1551735&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/C7Wxyfl78NuAwtXkSoVGPFa-pLg=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/imagem_do_whatsapp_de_2023-08-29_as_10.52.322.jpg?itok=JB46Cx8F\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 29\/08\/2023 - Coletivos l\u00e9sbicos fortalecem redes de mulheres nas periferias\nFoto: Afonso Lua\/Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Afonso Lua\/Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Integrantes da Coletiva L\u00e9sbicas da Mar\u00e9.&nbsp;Foto: Afonso Lua\/Divulga\u00e7\u00e3o &#8211;&nbsp;<strong>Afonso Lua\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Na cidade do Rio de Janeiro, na Mar\u00e9, complexo de 16 favelas na Zona Norte, est\u00e1 a&nbsp;<a href=\"https:\/\/instagram.com\/resistencialesbica_?igshid=MzRlODBiNWFlZA==\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Casa Resist\u00eancias<\/a>, espa\u00e7o de acolhimento voltado para mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais e trans moradoras de favela, criada em 2022. O espa\u00e7o&nbsp;recebe tamb\u00e9m mulheres negras e mulheres imigrantes independente da orienta\u00e7\u00e3o sexual, criado a partir da Coletiva L\u00e9sbicas da Mar\u00e9, formada em 2016, em agosto, no m\u00eas da visibilidade. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA ideia era de sociabilidade, isoporzinho, roda de conversa, para falar de viv\u00eancia, de como estava sendo para a gente ser sapat\u00e3o na favela\u201d, conta a assistente social, coordenadora da Casa Resist\u00eancia e fundadora da Coletiva L\u00e9sbicas da Mar\u00e9, Dayana Gusm\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Logo, as demandas foram crescendo e foi crescendo tamb\u00e9m a atua\u00e7\u00e3o da coletiva, que ganhou um tom mais cr\u00edtico, voltado para a garantia de direitos. Mulheres que eram expulsas de casa por n\u00e3o serem aceitas pelas fam\u00edlias por conta da sexualidade, buscavam a coletiva para receber apoio. Durante a pandemia, isso se intensificou, porque as pessoas passavam mais tempo em casa e acabavam sendo descobertas. Em 2022, a Casa Resist\u00eancias virou&nbsp;um espa\u00e7o f\u00edsico para receber essas mulheres. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA mulher negra hoje \u00e9 jogada para um espa\u00e7o de solid\u00e3o absurdo e quando tem cruzamento de l\u00e9sbicas e negras da favela, esse espa\u00e7o de solid\u00e3o \u00e9 quase duplo. Quando meninas mais novas que olham para coletiva e veem que n\u00e3o est\u00e3o sozinhas, quando vejo casa cheia de l\u00e9sbicas novinhas convivendo com mais velhas, essa \u00e9 a import\u00e2ncia da coletiva, \u00e9 servir como farol para l\u00e9sbicas na favela perceberem que n\u00e3o est\u00e3o sozinhas\u201d, diz Dayana. &nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Foi essa rede que trouxe a vice-coordenadora da casa de acolhimento, Camila Felippe, para a Coletiva L\u00e9sbicas da Mar\u00e9. Ela relata que entrou no grupo em 2019.&nbsp;\u201cFoi quando come\u00e7o a virar a chave de entender que minha milit\u00e2ncia, enquanto mulher favelada e mulher negra, n\u00e3o pode estar dissociada de&nbsp;mulher sapat\u00e3o\u201d, diz. Segundo ela, o grupo tem demandas espec\u00edficas, diferentes das demandas da popula\u00e7\u00e3o heterossexual e tamb\u00e9m das l\u00e9sbicas n\u00e3o perif\u00e9ricas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA partir do momento em que somos vistas e notadas, v\u00e3o come\u00e7ar a questionar sobre o que precisamos ou n\u00e3o precisamos, enquanto n\u00e3o conseguirmos isso, n\u00e3o conseguirmos nossa visibilidade, nossas quest\u00f5es n\u00e3o ser\u00e3o ouvidas, n\u00e3o ser\u00e3o de interesse.\u201d&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O espa\u00e7o&nbsp;recebeu, neste ano, a medalha Chico Mendes, premia\u00e7\u00e3o voltada para homenagear pessoas ou grupos que lutam pelos diretos humanos. A psic\u00f3loga e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Beatriz Adura, que coordena o acolhimento explica que a casa adota um modelo chamado antimanicomial. Quem chega ali, recebe a chave de casa e pode ir e vir quando quiser. \u201c\u00c9 um projeto de morada, \u00e9 uma casa, para que meninas expulsas de casa possam ter um lugar confort\u00e1vel, um lugar acolhedor\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/O6omjaNpE4c7mHEANIHKf6BEmZk=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/imagem_do_whatsapp_de_2023-08-29_as_10.52.32.jpg?itok=h5khe6D6\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 29\/08\/2023 - Coletivos l\u00e9sbicos fortalecem redes de mulheres nas periferias\nFoto: Afonso Lua\/Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Afonso Lua\/Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;Dayana&nbsp;Gusm\u00e3o, Camilia Felippe e Paloma Marins, da&nbsp;Casa Resid\u00eancias. Foto: Afonso Lua\/Divulga\u00e7\u00e3o &#8211;&nbsp;<strong>Afonso Lua\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tambores e ativismo&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Na periferia de Fortaleza, foi&nbsp;criada, em 2010, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/instagram.com\/tambores_de_safo?igshid=MzRlODBiNWFlZA==\">Tambores de Safo<\/a>,&nbsp;pela iniciativa de mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais com o objetivo de dar visibilidade \u00e0s demandas espec\u00edficas dessas mulheres na 11\u00aa Parada pela Diversidade Sexual do Cear\u00e1. \u201cFoi quando a gente se reuniu e come\u00e7ou com oficinas de confec\u00e7\u00e3o dos instrumentos e, nesse processo de oficina de confec\u00e7\u00e3o de instrumentos, a gente fazia uma forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre n\u00f3s, l\u00e9sbicas e bissexuais, que est\u00e1vamos presentes\u201d, afirma L\u00eddia Rodrigues, que faz parte da Tambores desde a funda\u00e7\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com oficinas, m\u00fasicas e espet\u00e1culos, a Tambores foi ganhando espa\u00e7o e dando voz a mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais perif\u00e9ricas. \u201cSomos perif\u00e9ricas, ent\u00e3o, nossa constru\u00e7\u00e3o \u00e9 a partir das periferias\u201d, diz Rodrigues. \u201c\u00c9 uma dimens\u00e3o forte, porque a realidade de uma l\u00e9sbica perif\u00e9rica \u00e9 muito diferente da l\u00e9sbica de classe m\u00e9dia, s\u00e3o muitas quest\u00f5es e muitas camadas de opress\u00e3o que se cruzam, desde o acesso a sa\u00fade, do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, acesso \u00e0 transporte, \u00e0 viol\u00eancia policial. Ent\u00e3o, a gente tematiza e evidencia muito sermos l\u00e9sbicas perif\u00e9ricas\u201d. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigues conta que se reconheceu l\u00e9sbica aos 21 anos. Nessa \u00e9poca, j\u00e1 integrava movimentos feministas. As lutas, somaram-se. \u201cComecei a militar por direitos de crian\u00e7as e adolescentes, depois conheci o feminismo, me reconheci negra e, posteriormente, sapat\u00e3o. Tive, ent\u00e3o, o diagn\u00f3stico de transtorno do espectro autista. Comecei a me entender como sapat\u00e3o negra autista. A partir da vida fui me identificando e percebendo o que isso trazia de agravo e de benesses e fui engajando essa vida numa luta pol\u00edtica, numa constru\u00e7\u00e3o de tentativa de transforma\u00e7\u00e3o da realidade.\u201d&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Tambores criou&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yGps-rhby0U\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dois espet\u00e1culos<\/a>&nbsp;&#8211;&nbsp;<em>Tambores que ecoam contra todas as opress\u00f5es<\/em>&nbsp;(2011) e&nbsp;<em>A Voz do tambor perif\u00e9rico&nbsp;<\/em>(2019) [LINK:&nbsp;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yGps-rhby0U], al\u00e9m do bloco de carnaval Cola Velcro. Tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00e1rias as m\u00fasicas e clipes gravados. Hoje, a Tambores de Safo, integra o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do Cear\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as m\u00fasicas e clipes, Rodrigues destaca&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=iwwWEhpAXqM\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Sapat\u00e3o de Favela<\/em><\/a>, cuja letra define: \u201cSou sapata de favela, negra, m\u00e3e e sou artista. Minha arte me comp\u00f5e. Sou uma ruma de coisa, que nem cabe nessa lista\u201d. Como diz a letra, Rodrigues diz que a arte \u00e9 o diferencial da Tambores. \u201cA arte \u00e9 ferramenta e tamb\u00e9m m\u00e9todo de a\u00e7\u00e3o, afeta\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o da realidade. O tambor resgata ancestralidade, dialoga com nossos<em>&nbsp;oris<\/em>, com nossa espiritualidade. Tem poesia, m\u00fasica, jogo c\u00eanico e a dan\u00e7a. Tudo isso \u00e9 pol\u00edtico, n\u00e3o \u00e9 simplesmente est\u00e9tico. E, por ser pol\u00edtica e est\u00e9tica, \u00e9 transformadora e construtora de uma \u00e9tica.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a integrante do grupo, isso faz com que as pessoas se engajem e recebam bem a Tambores. \u201cA gente construiu o bloco Cola o Velcro, quando bota o bloco na rua, com m\u00fasicas que problematizam a lesbofobia, tem pessoas que inclusive s\u00e3o heterossexuais e que engajam porque a alegria, ela agrega\u201d, diz Rodrigues. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">L\u00e9sbicas Amaz\u00f4nidas &nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Bel\u00e9m, em 2018 \u00e9 criado o&nbsp;<a href=\"https:\/\/instagram.com\/sapatopretoamazonida?igshid=MzRlODBiNWFlZA==\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Coletivo Sapato Preto<\/a>,&nbsp;grupo de l\u00e9sbicas negras amaz\u00f4nidas. O nome do coletivo, como explica a cofundadora, a advogada Darlah Farias, busca ressignificar as palavras &#8220;sapat\u00e3o e preta&#8221; que historicamente eram usadas para ofender mulheres negras l\u00e9sbicas. J\u00e1 as amaz\u00f4nidas, s\u00e3o aquelas que de alguma forma pertencem ao territ\u00f3rio, sem necessariamente terem nascido na Amaz\u00f4nia. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Farias, o coletivo \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho e \u00e9, segundo ela, o primeiro e \u00fanico coletivo de l\u00e9sbicas negras de Bel\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO Coletivo Sapato Preto \u00e9 um sonho de realiza\u00e7\u00e3o&nbsp;porque, quando comecei a visualizar essa movimenta\u00e7\u00e3o de mulheres l\u00e9sbicas e negras construindo para si esse espa\u00e7o, eu comece a tomar isso como uma constru\u00e7\u00e3o pessoal. Comecei a entender que estava construindo um espa\u00e7o para mim tamb\u00e9m, um espa\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 pol\u00edtico, mas pessoal, de experi\u00eancia de vida e de crescimento.\u201d&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O coletivo realiza forma\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas em Bel\u00e9m, mas em outros munic\u00edpios do Par\u00e1, atua em comunidades quilombolas e territ\u00f3rios de matriz africana, sempre com a perspectiva racial e de g\u00eanero. Em 2020, com a pandemia, a Sapato Preto&nbsp;come\u00e7a tamb\u00e9m a realizar um trabalho de base para garantir aux\u00edlio alimentar e realizar outras a\u00e7\u00f5es para fortalecer essas mulheres. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Farias atua hoje junto ao governo do Par\u00e1, como coordenadora estadual dos Direitos das Pessoas LGBTQI. \u201cHoje sou a primeira mulher negra e sapat\u00e3o, no cargo de coordena\u00e7\u00e3o LGBTQI do estado e, pela primeira vez conseguimos colocar dentro do estado uma a\u00e7\u00e3o da visibilidade l\u00e9sbica, voltado para l\u00e9sbicas, com palestras para l\u00e9sbicas. Isso \u00e9 reflexo de Sapato Preto na minha vida\u201d, diz. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Farias, um coletivo l\u00e9sbico voltado para mulheres negras e perif\u00e9ricas \u00e9 importante para dar visibilidade para demandas espec\u00edficas desse grupo, como acesso a moradia, acesso \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, quest\u00f5es tamb\u00e9m ambientais e de sustentabilidade. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo essas mulheres l\u00e9sbicas est\u00e3o experienciando isso dentro dos territ\u00f3rios e das periferias? Como est\u00e3o acessando os programas de moradias, se somos as primeiras a sermos expulsas de dentro de casa, como acessam o cadastro de moradia, de habita\u00e7\u00e3o? Falar da urg\u00eancia de mulheres que amam outras mulheres, que quebram essa l\u00f3gica normativa e, ainda dentro desse grupo, mulheres negras l\u00e9sbicas, que ainda passam pela quest\u00e3o do racismo ou mulheres trans l\u00e9sbicas, experi\u00eancias que s\u00e3o ainda mais diferenciadas, com lesbofobia, transfobia\u201d. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Lugares seguros de conviv\u00eancia&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>No Distrito Federal, em 2005, nasce a primeira organiza\u00e7\u00e3o l\u00e9sbica feminista do DF, a Associa\u00e7\u00e3o L\u00e9sbica Feminista de Bras\u00edlia &#8211;&nbsp;<a href=\"https:\/\/instagram.com\/coturnodevenus?igshid=MzRlODBiNWFlZA==\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Coturno de V\u00eanus<\/a>. \u201cExistia \u00e0 \u00e9poca, e ainda \u00e9 comum entre as l\u00e9sbicas, a necessidade de compartilhar experi\u00eancias, forma\u00e7\u00e3o, discutir e propor pol\u00edticas p\u00fablicas para l\u00e9sbicas e constru\u00e7\u00e3o de lugares seguros de conviv\u00eancia\u201d, diz Melissa Navarro, uma das fundadoras da Coturno, que \u00e9 arte educadora, microempres\u00e1ria e atua na milit\u00e2ncia e ativismo LGBTI+ desde o final dos anos 1990. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Coturno baseia as a\u00e7\u00f5es e atividades em cinco eixos principais de atua\u00e7\u00e3o: articula\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e incid\u00eancia pol\u00edtica; cuidado e seguran\u00e7a coletivos; cultura e mem\u00f3ria l\u00e9sbica; visibilidade l\u00e9sbica e direito \u00e0 cidade; sustentabilidade econ\u00f4mica e educa\u00e7\u00e3o. Em agosto, quando comemoramos o m\u00eas da Visibilidade L\u00e9sbica no Brasil, a Coturno desenvolve v\u00e1rias atividades em&nbsp;<a href=\"https:\/\/instagram.com\/acaolesbicadf?igshid=MzRlODBiNWFlZA==\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">parceria com outras organiza\u00e7\u00f5es do DF e do Brasil<\/a>.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO m\u00eas de agosto \u00e9 importante para termos mais visibilidade e poder auxiliar jovens l\u00e9sbicas e sapat\u00f5es, que ainda n\u00e3o t\u00eam o apoio da fam\u00edlia&nbsp;e sofrem diversos tipos de viol\u00eancias,&nbsp;para que tenham mais informa\u00e7\u00f5es sobre seus direitos e como se proteger\u201d, diz Melissa. &nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para ela, os avan\u00e7os s\u00e3o ainda poucos e inst\u00e1veis, pois n\u00e3o h\u00e1 uma legisla\u00e7\u00e3o definitiva pra garantia dos direitos das mulheres l\u00e9sbicas.&nbsp;\u201cNo DF, n\u00e3o temos nenhuma legisla\u00e7\u00e3o que combata a lesbofobia, existem leia estaduais e municipais, mas n\u00e3o nacionais. Nacionalmente, utilizamos as jurisprud\u00eancias para n\u00f3s proteger\u201d, ressalta. Nesta ter\u00e7a-feira, uma conquista \u00e9 de que haver\u00e1 a primeira sess\u00e3o solene na C\u00e2mara Federal em virtude ao Dia Nacional da Visibilidade L\u00e9sbica. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Visibilidade L\u00e9sbica &nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Agosto \u00e9 o M\u00eas da Visibilidade L\u00e9sbica, com duas datas, o dia 19, que \u00e9 o Dia do Orgulho L\u00e9sbico, e dia 29, que \u00e9 o Dia Nacional da Visibilidade L\u00e9sbica. O dia 29 foi escolhido por ser a data do 1\u00b0 Semin\u00e1rio Nacional de L\u00e9sbicas, em 1996, promovido para chamar a aten\u00e7\u00e3o para as pautas do grupo e para as viol\u00eancias sofridas. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE),&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2022-05\/ibge-divulga-levantamento-sobre-homossexuais-e-bissexuais-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pelo menos 0,9% das mulheres brasileiras declara-se l\u00e9sbica e 0,8%&nbsp;bissexual<\/a>.&nbsp;Entre 2021 e 2022, a Coturno de V\u00eanus e a Liga Brasileira de L\u00e9sbicas (LBL)&nbsp;realizaram o&nbsp;<a href=\"https:\/\/lesbocenso.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lesbocenso Nacional<\/a>, para conhecer o perfil das mulheres l\u00e9sbicas brasileiras.&nbsp;Os dados mostram que 37,1% residem em bairro de classe m\u00e9dia; 13,83%, em periferias; 2,8%, na zona rural; 1,7% em favelas e, 0,8% em comunidades quilombolas e 0,04% em aldeias ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte dessas mulheres, 78,61%, sofreu lesbofobia, ou seja, discrimina\u00e7\u00e3o por serem l\u00e9sbicas. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Maria Claudia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Objetivo \u00e9 garantia de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o grupo Por Mariana Tokarnia \u2013 Rep\u00f3rter<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":67037,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-67036","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67036"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67036\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67038,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67036\/revisions\/67038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67037"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}