{"id":68201,"date":"2023-09-15T16:33:22","date_gmt":"2023-09-15T19:33:22","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=68201"},"modified":"2023-09-15T16:33:22","modified_gmt":"2023-09-15T19:33:22","slug":"exemplo-de-preservacao-quilombo-kalunga-mantem-nativos-83-do-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/09\/15\/exemplo-de-preservacao-quilombo-kalunga-mantem-nativos-83-do-cerrado\/","title":{"rendered":"Exemplo de preserva\u00e7\u00e3o, Quilombo Kalunga mant\u00e9m nativos 83% do Cerrado"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Modo de vida do povo da regi\u00e3o explica elevada prote\u00e7\u00e3o ao bioma<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"> Por Lucas Pordeus Le\u00f3n* &#8211; Enviado Especial &#8211; Cavalcante (GO)<audio src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/209827.mp3\"><\/audio><\/h4>\n\n\n\n<p>Enquanto o Brasil tem apenas 48% do bioma Cerrado ainda nativo e Goi\u00e1s apenas 30%, o territ\u00f3rio do Quilombo Kalunga, que fica no&nbsp;nordeste goiano, na regi\u00e3o da Chapada dos Veadeiros, mant\u00e9m 83% da \u00e1rea com a vegeta\u00e7\u00e3o intocada. Coletados por&nbsp;imagens de sat\u00e9lites, os dados foram sistematizados pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MapBiomas<\/a>, rede colaborativa formada por&nbsp;organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs), universidades e empresas de tecnologia.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1555540&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1555540&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo de preserva\u00e7\u00e3o, o modo de vida do povo kalunga e o reconhecimento da propriedade coletiva de parte da terra pelo Estado explicam a elevada prote\u00e7\u00e3o ao bioma na regi\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/HbPLvnqV_Xqw2oxvOPQAkOaXCLo=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/kalunga_cerrado_2022.png?itok=JuBVL2qb\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 15\/09\/2023 - Mapa mostrando o territ\u00f3rio Kalunga na Chapa dos Veadeiros - Preserva\u00e7\u00e3o kalungas \nArte MapBiomas\/Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Arte MapBiomas\/Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Mapa mostra&nbsp;o territ\u00f3rio Kalunga na Chapa dos Veadeiros&nbsp;&#8211;&nbsp;<strong>Arte MapBiomas\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>O kalunga Sirilo dos Santos Rosa, de 69 anos, considerado uma&nbsp;lideran\u00e7a anci\u00e3 pela comunidade, explicou que a preserva\u00e7\u00e3o do Cerrado \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o modo de vida do quilombo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s dependemos muito do Cerrado em p\u00e9, do Cerrado vivo. Ele protege a \u00e1gua, tem as frutas&nbsp;que s\u00e3o fonte de renda para sociedade. Assim, a gente n\u00e3o tem como n\u00e3o preservar o Cerrado. Esse \u00e9 um trabalho que nossos antepassados deixaram pra n\u00f3s e n\u00f3s queremos deixar para as futuras gera\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sirilo acrescentou que cerca de 15% do territ\u00f3rio tem sido usado para fazer a ro\u00e7a com planta\u00e7\u00f5es de arroz, feij\u00e3o, mandioca, legumes e verduras que ajudam a alimentar as cerca de 3.500 pessoas que vivem e em 39 comunidades espalhadas pelo territ\u00f3rio que ocupa 261 mil hectares. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente faz nossas ro\u00e7as, mas n\u00e3o prejudica a natureza em volta. A gente sempre deixa uma parte de reserva. Al\u00e9m disso, depois de dois ou tr\u00eas anos fazendo a ro\u00e7a a gente muda o local da planta\u00e7\u00e3o e a mata volta a se recuperar de novo depois de sete ou oito anos. Quanto mais r\u00e1pido a ro\u00e7a \u00e9 abandonada, mais r\u00e1pido a vegeta\u00e7\u00e3o do Cerrado&nbsp;volta\u201d, disse Sirilo. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os dados do MapBiomas, dos 16% do territ\u00f3rio com uso antr\u00f3pico, ou seja, usado pelos humanos, 12% \u00e9 de pastagem, sendo 4% com uso diversos. Ainda segundo o levantamento, em 1985, apenas 10% do territ\u00f3rio Kalunga era usado pelos humanos, sendo 90% ocupado por Cerrado nativo. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cerrado e economia &nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>O Cerrado vivo e em p\u00e9 \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a economia do povo kalunga, destacou Isabel Figueiredo, coordenadora do Programa de Cerrado e Caatinga do Instituto Sociedade, do Popula\u00e7\u00e3o e Natureza (ISPN). O ISPN trabalha com comunidades tradicionais h\u00e1 cerca de 30 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/eJOQS7WtUUboLVncfPNdwbWzKgs=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/goias_cerrado_2022.png?itok=nIhFkmkN\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 15\/09\/2023 - Mapa mostrando o territ\u00f3rio Kalunga na Chapa dos Veadeiros - Preserva\u00e7\u00e3o kalungas \nArte MapBiomas\/Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Arte MapBiomas\/Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Reconhecimento do Estado ajuda a explicar preserva\u00e7\u00e3o do bioma no territ\u00f3rio Kalunga&nbsp; &#8211;&nbsp; &#8211;&nbsp;<strong>Arte MapBiomas\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Segundo Isabel, o territ\u00f3rio Kalunga, assim como outras terras ocupadas por povos e comunidades tradicionais, tem uma l\u00f3gica de uso da terra \u201cque inclui a vegeta\u00e7\u00e3o nativa nas atividades econ\u00f4micas. Elas utilizam o Cerrado em p\u00e9 e a vegeta\u00e7\u00e3o nativa conservada para extrair rem\u00e9dios diversos, alimentos, madeira e fibras. S\u00e3o produtos que fazem parte da economia dessas comunidades e, portanto, \u00e9 interessante para elas manter o Cerrado em p\u00e9\u201d. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reconhecimento do Estado &nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, outro fator&nbsp;que ajuda a explicar a preserva\u00e7\u00e3o do bioma ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas nessa regi\u00e3o \u00e9 o reconhecimento, feito pelo Estado, de que aquele territ\u00f3rio \u00e9 de propriedade coletiva do Quilombo Kalunga.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1991, a Lei Estadual n\u00ba 11.409 qualificou a comunidade como S\u00edtio Hist\u00f3rico e Patrim\u00f4nio Cultural em Goi\u00e1s. Em 2004, o Instituto de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) iniciou o processo de titula\u00e7\u00e3o das terras. Em 2010, o quilombo foi declarado como \u00e1rea de interesse pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, sendo iniciados os processos de desapropria\u00e7\u00f5es dos im\u00f3veis rurais privados. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014, o Incra&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2014-09\/comunidade-quilombola-kalunga-recebe-31-mil-hectares%C2%A0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">titulou<\/a>&nbsp;31 mil hectares do territ\u00f3rio tradicional. Em 2023, acordo firmado pela Advocacia-Geral da Uni\u00e3o garantiu&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2023-04\/acordos-garantem-posse-de-terra-comunidade-kalunga\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">posse<\/a>&nbsp;de outra \u00e1rea da terra da comunidade.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo de reconhecimento do quilombo pelo Estado \u00e9 apontado como fator importante para reduzir o ass\u00e9dio de invasores dentro do territ\u00f3rio, como grileiros e fazendeiros, o que contribui para preserva\u00e7\u00e3o do Cerrado na regi\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Exemplo internacional &nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 2021, o Territ\u00f3rio Kalunga foi o primeiro do Brasil a ser reconhecido pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) como&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2021-02\/comunidade-kalunga-recebe-reconhecimento-inedito-da-onu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Territ\u00f3rios e \u00c1reas Conservadas por Comunidades Ind\u00edgenas e Locais<\/a>&nbsp;(TICCA).&nbsp;O&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2021-02\/comunidade-kalunga-recebe-reconhecimento-inedito-da-onu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">t\u00edtulo global&nbsp;<\/a>\u00e9 concedido \u00e0s comunidades que \u201ct\u00eam profunda conex\u00e3o com o lugar que habitam, processos internos de gest\u00e3o e governan\u00e7a e resultados positivos na conserva\u00e7\u00e3o da natureza\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>*O rep\u00f3rter viajou a convite do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Maria Claudia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modo de vida do povo da regi\u00e3o explica elevada prote\u00e7\u00e3o ao bioma Por Lucas Pordeus<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":68202,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-68201","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68201","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68201"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68201\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":68203,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68201\/revisions\/68203"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/68202"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}