{"id":71179,"date":"2023-10-29T19:00:00","date_gmt":"2023-10-29T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=71179"},"modified":"2023-10-29T11:18:39","modified_gmt":"2023-10-29T14:18:39","slug":"cursinhos-preparam-indigenas-e-quilombolas-para-provas-do-enem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/10\/29\/cursinhos-preparam-indigenas-e-quilombolas-para-provas-do-enem\/","title":{"rendered":"Cursinhos preparam ind\u00edgenas e quilombolas para provas do Enem"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Letycia Bond &#8211; Ag\u00eancia Brasil &#8211; S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Com 25 anos de aplica\u00e7\u00e3o, o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem),&nbsp;que ter\u00e1 provas nos dias 5 e 12 de novembro,&nbsp;tem&nbsp;transformado o acesso \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e tamb\u00e9m os cursinhos preparat\u00f3rios do pa\u00eds.. Alguns desses cursinhos passaram a se preocupar com a adapta\u00e7\u00e3o para&nbsp;receber&nbsp;alunos ind\u00edgenas e quilombolas. .<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1563178&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1563178&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Um desses cursinhos \u00e9 o\u00a0Colmeia, concebido na Faculdade de Ci\u00eancias Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Limeira, interior de S\u00e3o Paulo, em 2010. No final do ano passado, a iniciativa, idealizada pela professora Josely Rimoli, conseguiu ser elevada de patamar e se tornou um programa da universidade, o que pressup\u00f5e maior apoio institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>O Colmeia tem aulas \u00e0 noite e incorporou a modalidade online em 2019. S\u00e3o 17 professores, entre graduandos e p\u00f3s-graduandos da Unicamp, que d\u00e3o aulas de linguagem, exatas, biologia e ci\u00eancias humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista concedida \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, a Josely Rimoli destacou que a atua\u00e7\u00e3o da equipe do cursinho pr\u00e9-vestibular n\u00e3o deve parar no ensino, e sim se estender ao acompanhamento do aluno aprovado quando ingressa no ensino superior. O objetivo do Colmeia, portanto, \u00e9&nbsp;oferecer o suporte necess\u00e1rio e garantir que o estudante&nbsp;est\u00e1 se integrando bem na comunidade acad\u00eamica e, mais, que tem condi\u00e7\u00f5es de se manter at\u00e9 o final do curso, inclusive financeiramente. Assim, pode-se dizer que pensa na efetividade de a\u00e7\u00f5es de perman\u00eancia estudantil.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, para falar de igual para igual, respeitando o chamado &#8220;lugar de fala&#8221;, reivindicado por pessoas que fazem parte de grupos minorizados, como os ind\u00edgenas e quilombolas, o Colmeia permite que os alunos conversem com algu\u00e9m de perfil parecido, na hora de receber orienta\u00e7\u00f5es e acolhimento, algo a que dedicam um dia da semana. Um estudante ind\u00edgena dialoga com um instrutor tamb\u00e9m ind\u00edgena, mesmo cuidado com que se trata a parcela quilombola das turmas, formadas, ainda, por adolescentes da Funda\u00e7\u00e3o Casa, mulheres e ribeirinhos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ensino b\u00e1sico e acesso \u00e0 internet<\/h2>\n\n\n\n<p>Josely pontua que as falhas deixadas pelas escolas em que os alunos do cursinho estudaram v\u00eam, com frequ\u00eancia, \u00e0 tona, como ocorreria com qualquer estudante, independentemente de se pertencem ou n\u00e3o a grupos minorizados. Por isso, a equipe de professores entendeu que era preciso ajud\u00e1-los a fixar os conte\u00fados em v\u00e9speras de provas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente compreende que \u00e9 importante dar acesso, contribuir para que acessem o ensino superior. \u00c9 um direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. E, uma vez que entraram [na institui\u00e7\u00e3o de ensino], precisam ter apoio \u00e0 perman\u00eancia&#8221;, declara a coordenadora do Colmeia, que tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela acolhida de candidatos ind\u00edgenas que passam no vestibular da Unicamp.<\/p>\n\n\n\n<p>Josely conta que um levantamento organizado pelo&nbsp;programa recentemente revelou que 83% dos alunos inscritos estudam pelo celular, o que faz com que a aten\u00e7\u00e3o se volte para o acesso \u00e0 internet, geralmente obtida por meio de pacotes de dados e que se esgota rapidamente, \u00e0 medida que v\u00e3o assistindo \u00e0s aulas. &#8220;Um quilombola do Vale do Ribeira atravessava o rio, \u00e0 noite, em uma canoa, sozinho, para pegar sinal. \u00c9 uma batalha por vez ou v\u00e1rias ao mesmo tempo&#8221;, diz a professora universit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pertencimento&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>No caso do\u00a0curso Jenipapo Urucum, da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de A\u00e7\u00e3o Indigenista (Ana\u00ed), as estudantes que assistem \u00e0s aulas e s\u00e3o mulheres e meninas ind\u00edgenas, muitas vezes, at\u00e9 mesmo o aparelho celular \u00e9 compartilhado com outros membros de suas fam\u00edlias, n\u00e3o sendo de uso exclusivo delas, o que marca mais um grau de dificuldade de acesso. Como as alunas n\u00e3o podem prescindir dos aparelhos eletr\u00f4nicos, as organizadoras do cursinho se mant\u00eam constantemente mobilizadas para conseguir doa\u00e7\u00f5es de tablets, computadores e celulares.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme verificou o\u00a0Instituto Semesp, o contingente de estudantes ind\u00edgenas, no ano de 2021, era de pouco mais de 46 mil pessoas, o equivalente a 0,5% do total de alunos do ensino superior, propor\u00e7\u00e3o que ainda pode melhorar. A entidade tamb\u00e9m descobriu que o g\u00eanero feminino predomina entre os alunos ind\u00edgenas, correspondendo a 55,6%.<\/p>\n\n\n\n<p>Aluna do Jenipapo Urucum, a jovem Suziany Kanind\u00e9, de 18 anos, vive na zona rural de Aratuba (CE) e estuda em uma escola ind\u00edgena. Ela descobriu o cursinho atrav\u00e9s de seu pai, que viu um post de divulga\u00e7\u00e3o no Instagram.<\/p>\n\n\n\n<p>Suziany planeja estudar psicologia em Fortaleza, tanto por se identificar com a \u00e1rea como por ver que h\u00e1 uma lacuna de profissionais desse campo no atendimento ao seu povo, conciliando, assim, os estudos com a vontade de manter intacto ao m\u00e1ximo o conv\u00edvio com os familiares. Como vantagem do car\u00e1ter singular do cursinho ind\u00edgena, ela cita a oportunidade de conhecer o modo de viver de outros povos origin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o diferentes povos, de todo o Brasil. Ent\u00e3o, \u00e9 uma chance de conhecer outras pessoas, cultura, tradi\u00e7\u00f5es&#8221;, observa ela, que utiliza um tablet para ver as aulas, ministradas \u00e0 noite, no contraturno da escola, e j\u00e1 reconhece avan\u00e7os no desempenho em l\u00edngua portuguesa e ci\u00eancias da natureza, com o aux\u00edlio dos professores do cursinho, que s\u00e3o ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Perguntada sobre como espera que seja sua adapta\u00e7\u00e3o na universidade, Suziany exterioriza certa apreens\u00e3o. &#8220;A gente conversa, dentro do cursinho, sobre a realidade dentro da universidade. No cursinho, a gente est\u00e1 entre a gente. J\u00e1 na universidade, \u00e9 outra realidade. A gente encontra uma s\u00e9rie de dificuldades, quando vai para fora, sai da zona de conforto&#8221;, afirma ela, que tamb\u00e9m atua no Museu Ind\u00edgena Kanind\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pol\u00edtica de cotas<\/h2>\n\n\n\n<p>A jovem patax\u00f3 h\u00e3-h\u00e3-h\u00e3e Narrary Luc\u00edlia, de 18 anos, tamb\u00e9m foi aluna do Jenipapo Urucum e chegou at\u00e9 ele pela sua m\u00e3e, que \u00e9 monitora do cursinho, al\u00e9m de ter sido aluna, em outro momento. Para Narrary, que agora reduziu a frequ\u00eancia \u00e0s aulas, depois de come\u00e7ar a cursar nutri\u00e7\u00e3o em uma faculdade particular, com bolsa integral, tamb\u00e9m \u00e9 fundamental a sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento que a turma gera. &#8220;A maioria das pessoas que est\u00e1 nas universidades n\u00e3o \u00e9 ind\u00edgena. Acho esse projeto muito bonito. Algum professor, \u00e0s vezes, inicia a aula colocando um v\u00eddeo de algum ritual, as alunas se juntam e, quando h\u00e1 duas de um mesmo povo, cantavam juntas. E conhecer tamb\u00e9m as culturas das meninas&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Narrary, um dos fatores em que o governo acertaria, em termos de amplia\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de ind\u00edgenas no ensino superior, seria a aposta no ensino b\u00e1sico, junto com pol\u00edticas afirmativas, ou seja, cotas que permitam um maior acesso a eles. &#8220;As escolas ind\u00edgenas s\u00e3o muito prec\u00e1rias. \u00c0s vezes, h\u00e1 poucos ind\u00edgenas fazendo a prova do Enem porque n\u00e3o se sentem capazes. O ensino na aldeia n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom assim e acaba que muitas pessoas achavam que os ind\u00edgenas eram atrasados. Por causa disso, acabam sem querer estudar, por n\u00e3o se sentirem capazes. \u00c9 por isso que n\u00e3o t\u00eam tanta representatividade [nas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior&#8221;, resume ela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1562751&amp;o=node\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1562751&amp;o=node\" alt=\"\"\/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Letycia Bond &#8211; Ag\u00eancia Brasil &#8211; S\u00e3o Paulo Com 25 anos de aplica\u00e7\u00e3o, o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":71180,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-71179","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71179","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71179"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71179\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71181,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71179\/revisions\/71181"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71180"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}