{"id":74154,"date":"2023-12-18T05:00:00","date_gmt":"2023-12-18T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=74154"},"modified":"2023-12-17T17:19:37","modified_gmt":"2023-12-17T20:19:37","slug":"ccbb-mergulha-na-producao-afro-brasileira-com-mostra-inedita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/12\/18\/ccbb-mergulha-na-producao-afro-brasileira-com-mostra-inedita\/","title":{"rendered":"CCBB mergulha na produ\u00e7\u00e3o afro-brasileira com mostra in\u00e9dita"},"content":{"rendered":"\n<p>Dentro do cofre, no subsolo do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no centro de S\u00e3o Paulo, uma tela branca estampa a frase escrita com tinta preta: \u201cA arte contempor\u00e2nea \u00e9 negra\u201d.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1572886&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1572886&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma afirma\u00e7\u00e3o, a obra tamb\u00e9m prop\u00f5e um questionamento sobre a participa\u00e7\u00e3o do negro nas artes brasileiras, muitas vezes relegada, marginalizada ou v\u00edtima de um apagamento cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra manifesto, do artista Elian Almeida, pode ser vista na nova exposi\u00e7\u00e3o em cartaz no local, denominada&nbsp;<em>Deidade<\/em>, uma colet\u00e2nea que re\u00fane cerca de 150 trabalhos produzidos por 61 artistas negros, de diferentes per\u00edodos e regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c[A mostra]&nbsp;<em>Encruzilhadas<\/em>&nbsp;vem justamente dessas rela\u00e7\u00f5es territoriais, com todos esses lugares, essas regi\u00f5es do Brasil. E vem tamb\u00e9m de uma inten\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o de mostrar como essa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 abrangente, tanto temporalmente falando &#8211; porque a gente tem trabalhos aqui de diversos anos, diversos per\u00edodos, de diversos momentos e movimentos art\u00edsticos da hist\u00f3ria da arte no Brasil &#8211; mas tamb\u00e9m artistas de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds\u201d, disse Deri Andrade, pesquisador, jornalista e curador da mostra.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, ele explicou o significado do nome da exposi\u00e7\u00e3o. \u201cEssas&nbsp;<em>Encruzilhadas&nbsp;<\/em>se d\u00e3o justamente nessas rela\u00e7\u00f5es temporais, nessas rela\u00e7\u00f5es territoriais e tamb\u00e9m nessas tem\u00e1ticas, na diversidade de tem\u00e1ticas, do interesse desses artistas por pesquisas que s\u00e3o diversas\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita &#8211; aberta neste s\u00e1bado (16) &#8211; fica em cartaz at\u00e9 18 de mar\u00e7o. Ela \u00e9 um desdobramento do Projeto Afro, plataforma que catalogou mais de 300 artistas negros brasileiros e que foi criada por Andrade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Projeto Afro \u00e9 um portal que come\u00e7a em 2016, ele nasce de uma inquieta\u00e7\u00e3o minha, eu diria quando eu percebo uma aus\u00eancia mesmo de um lugar, de um local que reunisse essa produ\u00e7\u00e3o de autoria negra no Brasil\u201d, detalhou. \u201cEm 2020, a gente lan\u00e7ou a plataforma. No lan\u00e7amento [da plataforma], t\u00ednhamos 134 artistas mapeados e hoje j\u00e1 estamos com quase 350\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de apresentar a produ\u00e7\u00e3o de artistas negros,&nbsp;<em>Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira<\/em>&nbsp;tamb\u00e9m pretende abrir uma discuss\u00e3o sobre os acervos das institui\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o basta apenas que essa produ\u00e7\u00e3o de autoria negra esteja sendo exposta, mas ela precisa tamb\u00e9m estar inserida num circuito a partir dessas aquisi\u00e7\u00f5es, dessas obras para essas cole\u00e7\u00f5es. A gente sabe como essas cole\u00e7\u00f5es ainda s\u00e3o brancas, hegemonicamente brancas, ent\u00e3o poucos artistas negros ainda est\u00e3o inseridos nos acervos dessas grandes institui\u00e7\u00f5es. Acredito que a exposi\u00e7\u00e3o, de alguma maneira, tenta trazer tamb\u00e9m esse debate\u201d, opinou Andrade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em visita ao local, Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, disse que a nova mostra \u00e9 resultado de um edital lan\u00e7ado este ano. \u201cNo dia 16 de janeiro assinamos, junto com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o edital da cultura. A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto desse edital\u201d, observou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o tem nada mais eficiente do que aquilo que nos faz refletir, que nos faz pensar. Ent\u00e3o, uma exposi\u00e7\u00e3o dessa magnitude aqui na nossa casa, no CCBB, no Centro Cultural do Banco do Brasil, que \u00e9 uma empresa de mais de 200 anos, \u00e9 muito mais do que simb\u00f3lica. \u00c9 uma oportunidade de levarmos para a comunidade, de levarmos para todo o pa\u00eds o nosso compromisso com a promo\u00e7\u00e3o da igualdade \u00e9tnico-racial no Brasil\u201d, analisou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Expografia<\/h2>\n\n\n\n<p>A expografia da mostra foi toda pensada para rediscutir a pr\u00f3pria arquitetura do Centro Cultural Banco do Brasil, um edif\u00edcio com estilo franc\u00eas e ornamenta\u00e7\u00e3o ecl\u00e9tica, comprado pelo Banco do Brasil em 1923 para se tornar a primeira ag\u00eancia em im\u00f3vel pr\u00f3prio do banco na capital paulista.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que ocorre em diversas outras mostras \u00a0realizadas no local, Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira n\u00e3o tem in\u00edcio no quarto andar do edif\u00edcio, encerrando-se no subsolo. Aqui, a proposta de percurso \u00e9 diferente, iniciando-se justamente no subsolo do pr\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVamos discutir uma nova forma de entender esse pr\u00e9dio\u201d, disse Matheus Cherem, arquiteto e um dos respons\u00e1veis pela expografia da mostra. \u201cO lugar do subsolo a quem pertence? Quando pensamos na branquitude, o lugar do subsolo \u00e9 o ouro. Quer\u00edamos fazer uma experi\u00eancia de ascens\u00e3o, saindo do subsolo e indo at\u00e9 o \u00faltimo andar. Tamb\u00e9m ocupamos o m\u00e1ximo poss\u00edvel de salas aqui. As galerias, que normalmente eram de circula\u00e7\u00e3o, a gente resolveu colocar obras\u201d, disse ele.<\/p>\n\n\n\n<p>A expografia tamb\u00e9m utilizou obras para questionar o papel do edif\u00edcio. Esse \u00e9 o caso, por exemplo, da obra-manifesto Todo o caf\u00e9, de Andr\u00e9 Vargas, que foi colocada no alto, logo na entrada do pr\u00e9dio, com a frase \u201cSe os pretos velhos todo o caf\u00e9 produziram, a eles todo o caf\u00e9 pertence\u201d. Abaixo dela est\u00e1 a Bandeira Mulambo, do artista Mulamb\u00f6, que faz uma nova representa\u00e7\u00e3o de um s\u00edmbolo j\u00e1 conhecido a partir de vozes negras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o tem como negar que esse pr\u00e9dio representa muito os bar\u00f5es do caf\u00e9 de S\u00e3o Paulo. A gente tamb\u00e9m vai identificar refer\u00eancias religiosas aqui, uma mitologia greco-romana. Logo na entrada tem Hermes [em uma decora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do edif\u00edcio], que \u00e9 uma deidade [divindade] voltada ao com\u00e9rcio e \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o entre o c\u00e9u, o Olimpo e a Terra. Por isso, colocamos logo na entrada a Bandeira Mulamba [do artista Mulamb\u00f6], que tem a ver com Maria Mulamba e Ex\u00fa, que s\u00e3o entidades, deidades, que fazem essa mesma comunica\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Cherem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente tenta &#8211; sem afetar o espa\u00e7o tombado pelo patrim\u00f4nio &#8211; trazer um outro patrim\u00f4nio, trazer uma outra mem\u00f3ria e, como diz a obra, questionar a quem pertence esse caf\u00e9\u201d, sustentou o arquiteto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cinco eixos tem\u00e1ticos<\/h2>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o foi dividida em cinco eixos tem\u00e1ticos, que homenageiam cinco artistas negros. No subsolo, onde a mostra \u00e9 iniciada, o homenageado \u00e9 o artista Arthur Tim\u00f3theo da Costa. Uma tela autobiogr\u00e1fica, pintada por ele, mostra Costa ao lado de seu material de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00facleo foi chamado de Tornar-se e apresenta tamb\u00e9m trabalhos de outros artistas que dialogam com a produ\u00e7\u00e3o de Costa, seja por meio de autorretratos, seja por meio de pinturas ou fotografias que apresentam o modo de produ\u00e7\u00e3o de um artista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCoincidentemente, esse pr\u00e9dio estava sendo constru\u00eddo enquanto o Arthur produzia. Nas pesquisas que desenvolvemos, achamos muito importante trazer esse fato, falar sobre isso, porque o Arthur \u00e9 um artista que abre exposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 um artista emblem\u00e1tico para pensarmos nessa produ\u00e7\u00e3o de autoria negra. \u00c9 um artista que trazia o autorretrato enquanto elemento fundamental para a sua produ\u00e7\u00e3o. E nesse primeiro eixo da exposi\u00e7\u00e3o, a gente vai perceber isso e perceber a import\u00e2ncia desse espa\u00e7o de ateli\u00ea, de artista, para que essa produ\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a, para que essa produ\u00e7\u00e3o seja fomentada\u201d, explicou o curador.<\/p>\n\n\n\n<p>Do subsolo, a exposi\u00e7\u00e3o segue para o segundo andar, onde \u00e9 apresentado o trabalho de Rubem Valentim, considerado um dos grandes nomes do concretismo brasileiro. As obras aqui vistas discutem as linguagens, o modo de se fazer arte no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo andar, &nbsp;encontra-se o terceiro n\u00facleo da exposi\u00e7\u00e3o \u2013<em>&nbsp;Cosmovis\u00e3o<\/em>&nbsp;&#8211; que apresenta trabalhos mais pol\u00edticos de autores que dialogam com a obra de Maria Auxiliadora. O quarto n\u00facleo \u2013 Orum &#8211; \u00e9 dedicado a Mestre Didi e trabalha as rela\u00e7\u00f5es espirituais e as tecidas entre o Brasil e a \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o&nbsp;\u00faltimo espa\u00e7o fala sobre Cotidianos e \u00e9 dedicado ao trabalho de Lita Cerqueira, \u00fanica artista ainda viva entre os cinco nomes homenageados. \u201cA gente abre a exposi\u00e7\u00e3o com um artista que se coloca, se afirma como artista, quando ele proclama um autorretrato em que ele segura seus instrumentos de trabalho, seus pinc\u00e9is. E a gente encerra a exposi\u00e7\u00e3o com a Lita Cerqueira, que \u00e9 uma artista que vai dizer que \u00e9 uma artista negra e que vai registrar isso em seu livro\u201d, frisou o curador.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da apresenta\u00e7\u00e3o dessas pinturas, esculturas, v\u00eddeos e documentos, a mostra tamb\u00e9m se completa com um espa\u00e7o educativo, instalado no primeiro andar do pr\u00e9dio. Tamb\u00e9m haver\u00e1 performances, laborat\u00f3rios e oficinas e um espa\u00e7o no qual o p\u00fablico poder\u00e1 consultar materiais de pesquisa e acessar a plataforma do&nbsp;<a href=\"https:\/\/projetoafro.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Projeto Afro<\/a>&nbsp;(https:\/\/projetoafro.com\/).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o abre agora e n\u00e3o se encerra nessa abertura. Ela continuar\u00e1 reverberando com essas a\u00e7\u00f5es e com essa aproxima\u00e7\u00e3o com o educativo\u201d, declarou Andrade.<\/p>\n\n\n\n<p>A mostra\u00a0<em>Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira<\/em>\u00a0\u00e9 gratuita. Mais informa\u00e7\u00f5es podem ser obtidas no\u00a0<a href=\"http:\/\/ccbb.com.br\/sao-paulo\/programacao\/encruzilhadas-da-arte-afro-brasileira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">site do CCBB<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Texto: Elaine Patricia Cruz \/ Foto: Rovena Rosa\/ Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentro do cofre, no subsolo do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no centro de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":74156,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-74154","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74154"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74154\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":74157,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74154\/revisions\/74157"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74156"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}