{"id":75386,"date":"2024-01-08T10:07:55","date_gmt":"2024-01-08T13:07:55","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=75386"},"modified":"2024-01-08T10:07:56","modified_gmt":"2024-01-08T13:07:56","slug":"foguete-vulcan-estreia-em-missao-que-pode-levar-ao-1o-pouso-de-espaconave-privada-na-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2024\/01\/08\/foguete-vulcan-estreia-em-missao-que-pode-levar-ao-1o-pouso-de-espaconave-privada-na-lua\/","title":{"rendered":"Foguete Vulcan estreia em miss\u00e3o que pode levar ao 1\u00ba pouso de espa\u00e7onave privada na Lua"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Salvador Nogueira &#8211; FolhaPress<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Com o lan\u00e7amento nesta segunda-feira (08) na Fl\u00f3rida, estar\u00e1 todo mundo de olho naquela que pode ser a primeira espa\u00e7onave privada a realizar um pouso bem-sucedido na Lua. Mas, do ponto de vista comercial imediato, a grande atra\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo o foguete.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se do novo lan\u00e7ador da ULA (United Launch Alliance), joint venture das gigantes Boeing e Lockheed Martin, empresa que dominou o mercado americano de lan\u00e7amento de sat\u00e9lites, sobretudo os militares, at\u00e9 a ascens\u00e3o da SpaceX, no fim da d\u00e9cada de 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>A estreia teve in\u00edcio \u00e0s 4h18 (hor\u00e1rio de Bras\u00edlia), quando o foguete deixou a base no Cabo Canaveral.<br>Com o Vulcan, substituto imediato dos prestigiados Atlas 5 e Delta 4, operados pela mesma companhia, a ULA espera voltar a dividir o mercado com a SpaceX, de Elon Musk. O foguete j\u00e1 tem contrato para cerca de 70 lan\u00e7amentos nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A exemplo do Atlas e do Delta, o ve\u00edculo de dois est\u00e1gios pode ser equipado com at\u00e9 seis propulsores auxiliares de combust\u00edvel s\u00f3lido, para aumentar a capacidade de transporte ao espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande novidade s\u00e3o os motores do primeiro est\u00e1gio, modelo BE-4, movidos a metano e oxig\u00eanio l\u00edquidos. Desenvolvidos pela Blue Origin, companhia espacial de Jeff Bezos, eles s\u00e3o um produto 100% americano, numa resposta da ULA \u00e0 crescente animosidade entre EUA e R\u00fassia. Seu antecessor imediato, o Atlas 5, usava motores RD-180 fabricados pela empresa russa NPO Energomash, que consumiam querosene e oxig\u00eanio l\u00edquido. Com a mudan\u00e7a, os americanos passam a ter duas empresas com grandes lan\u00e7adores totalmente nacionais qualificados para miss\u00f5es de defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Resta saber se o Vulcan deve desempenhar a contento &#8211; o que come\u00e7ar\u00e1 a ser testado com esse primeiro lan\u00e7amento &#8211; e se ele pode competir em custo com seu concorrente imediato, o prodigioso (e parcialmente reutiliz\u00e1vel) Falcon 9, da SpaceX.<\/p>\n\n\n\n<p>Tory Bruno, CEO da ULA, mant\u00e9m segredo sobre o pre\u00e7o de um lan\u00e7amento com o novo Vulcan, mas um contrato j\u00e1 firmado com o Pent\u00e1gono d\u00e1 uma pista: 11 lan\u00e7amentos fechados por US$ 1,3 bilh\u00e3o (o que d\u00e1 US$ 118 milh\u00f5es por voo). Em acordo similar, o Departamento de Defesa contratou com a SpaceX dez lan\u00e7amentos por US$ 1,23 bilh\u00e3o (US$ 123 milh\u00f5es por voo). Ao menos na largada, \u00e9 uma briga boa. Mas por quanto tempo?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma aposta razo\u00e1vel que a SpaceX tenha margem para baixar seus pre\u00e7os diante da emergente concorr\u00eancia, o que pode n\u00e3o ser verdade para a ULA. Por agora, o Vulcan \u00e9 um foguete \u00e0 moda antiga \u0096totalmente descart\u00e1vel. A companhia tem planos para recuperar e reutilizar os motores do primeiro est\u00e1gio, ejetando-os do foguete e resgatando-os no mar. Mas uma implementa\u00e7\u00e3o do plano ainda est\u00e1 distante.<\/p>\n\n\n\n<p>De toda forma, os EUA d\u00e3o boas-vindas ao novo lan\u00e7ador, que assegura acesso independente ao espa\u00e7o mesmo que o concorrente tenha um problema que o obrigue a interromper os voos. E uma \u00f3tima maneira de promov\u00ea-lo \u00e9 com uma miss\u00e3o inaugural chamativa, com uma viagem \u00e0 Lua.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O PEREGRINO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pegar carona em um foguete em seu voo inaugural parece uma ideia um tanto quanto arriscada. Mas risco \u00e9 a palavra-chave das miss\u00f5es lunares privadas que vir\u00e3o por a\u00ed, a come\u00e7ar pela PM1 (Peregrine Mission 1).<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00f3dulo de pouso desenvolvido pela companhia Astrobotic, de Pittsburgh, foi um dos primeiros a fechar contrato com a Nasa para o transporte de cargas \u00fateis \u00e0 Lua. O plano da ag\u00eancia espacial civil dos EUA \u00e9 fomentar um mercado lunar, com empresas prestando servi\u00e7os de transporte para m\u00faltiplos clientes, dos quais a Nasa seria apenas um.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, a PM1 est\u00e1 levando 21 cargas \u00fateis, das quais apenas seis s\u00e3o da Nasa. Entre os dispositivos da ag\u00eancia, est\u00e3o sensores para detectar a presen\u00e7a de \u00e1gua, di\u00f3xido de carbono e metano no solo, bem como caracterizar a din\u00e2mica desses compostos vol\u00e1teis durante um dia lunar. Um sensor de radia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estar\u00e1 a bordo, assim como um conjunto retrorrefletor de laser, usado para medir a dist\u00e2ncia de espa\u00e7onaves (ou mesmo da Terra) at\u00e9 a superf\u00edcie lunar.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversos pa\u00edses tamb\u00e9m est\u00e3o embarcados. A Ag\u00eancia Espacial Mexicana conduz o projeto Colmena, que consiste em cinco minirrob\u00f4s de 60 gramas que v\u00e3o explorar o solo lunar. Caso funcione, o M\u00e9xico vai se tornar o primeiro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina e ter um equipamento cient\u00edfico na Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas de Seychelles e dos EUA v\u00e3o promover iniciativas ligadas \u00e0 criptomoeda Bitcoin, e a Astroscale, do Jap\u00e3o, enviar\u00e1 uma c\u00e1psula com mensagens de 80 mil crian\u00e7as colhidas no mundo todo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Universidade Carnegie Mellon, dos EUA, por sua vez, embarcou um pequeno jipe, o Iris Lunar Rover, e duas companhias americanas est\u00e3o oferecendo servi\u00e7o funer\u00e1rio lunar \u0096enviando por\u00e7\u00f5es de cinzas de clientes em celebra\u00e7\u00e3o de suas vidas. A Elysium Space deixar\u00e1 as amostras na Lua junto ao m\u00f3dulo de pouso Peregrine. J\u00e1 a Celestis, empresa pioneira em miss\u00f5es do tipo, que lan\u00e7ou as primeiras cinzas humanas ao espa\u00e7o em 1997 num foguete Pegasus, ter\u00e1 duas miss\u00f5es memoriais: uma no pequeno Peregrine, indo \u00e0 Lua, e outra no segundo est\u00e1gio do Vulcan, que permanecer\u00e1 em espa\u00e7o profundo em uma \u00f3rbita ao redor do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios projetos art\u00edsticos est\u00e3o embarcados, como a MoonArk da Universidade Carnegie Mellon e a galeria de arte digital da Lunar Mission One, ambas americanas. Reposit\u00f3rios de dados que possam sobreviver por um longo tempo na Lua tamb\u00e9m est\u00e3o entre as cargas \u00fateis da PM1.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez lan\u00e7ada ao espa\u00e7o, resta saber se ela conseguir\u00e1 realizar sua alunissagem de forma suave. As duas tentativas privadas anteriores, com o grupo israelense SpaceIL, em 2019, e com a empresa japonesa ispace, em 2023, fracassaram. Se tudo correr bem, o Peregrine da Astrobotic pode se tornar a primeira miss\u00e3o particular bem-sucedida \u00e0 superf\u00edcie lunar, em 23 de fevereiro. Isso se o lan\u00e7amento da Intuitive Machines, de Houston, por ora programado para meados de fevereiro, em uma trajet\u00f3ria mais direta, n\u00e3o chegar primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ambos os casos, a Nasa tem cargas \u00fateis embarcadas. Para os dois, ela sabe que n\u00e3o h\u00e1 garantias de sucesso. Mas a aposta \u00e9 que a insist\u00eancia e o aprendizado com cada miss\u00e3o acabem por gestar uma era de explora\u00e7\u00e3o comercial intensa da Lua, levando a ci\u00eancia e pesquisa espacial de carona.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>OS &#8216;PASSAGEIROS&#8217; DO PEREGRINE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Confira a lista de 21 cargas \u00fateis embarcadas no m\u00f3dulo de pouso da Astrobotic NIRVSS (Nasa, Centro Ames de Pesquisa)<\/p>\n\n\n\n<p>. Espectr\u00f4metro para medir hidrog\u00eanio, di\u00f3xido de carbono e metano no solo, al\u00e9m de mapear a temperatura NSS (Nasa, Centro Ames de Pesquisa)<br>. Espectr\u00f4metro que buscar\u00e1 evid\u00eancias de gelo de \u00e1gua na superf\u00edcie e estudar\u00e1 a composi\u00e7\u00e3o do solo<br>PITMS (Nasa, Centro Goddard de Voo Espacial, e ESA) Estudar\u00e1 a exosfera (a t\u00eanue atmosfera) lunar, investigando movimento de compostos vol\u00e1teis durante o dia &#8211; LETS (Nasa, Centro Espacial Johnson)<br>. Sensor de radia\u00e7\u00e3o para medir as condi\u00e7\u00f5es na superf\u00edcie lunar, com vistas a futuras miss\u00f5es tripuladas<br>&#8211; LRA (Nasa, Centro Goddard de Voo Espacial)<br>. Cole\u00e7\u00e3o de retrorrefletores de laser para permitir a medi\u00e7\u00e3o precisa da dist\u00e2ncia at\u00e9 a superf\u00edcie da Lua por espa\u00e7onaves &#8211; NDL (Nasa, Centro Langley de Pesquisa)<br>. Sistema de laser para medir a velocidade e posi\u00e7\u00e3o exatas do m\u00f3dulo Peregrine durante a aproxima\u00e7\u00e3o para pouso na Lua &#8211; Colmena (Ag\u00eancia Espacial Mexicana)<br>. Conjunto de cinco minirrob\u00f4s de 60 gramas para estudar o solo lunar; primeiro equipamento latino-americano na Lua &#8211; Lunar Bitcoin (BitMEX, Seychelles)<br>. Uma moeda f\u00edsica destinada \u00e0 Lua, carregada com um Bitcoin &#8211; Bitcoin Magazine Genesis Plate (BTC Inc., EUA)<br>. Placa que inclui o primeiro bloco de bitcoin a ser minado, com objetivo aspiracional &#8211; Terrain Relative Navigation (Astrobotic, EUA)<\/p>\n\n\n\n<p>. Sensor desenvolvido pela empresa para permitir pousos de alta precis\u00e3o na Lua, com incerteza inferior a cem metros &#8211; Lunar Dream Capsule (Astroscale, Jap\u00e3o)<br>. Uma c\u00e1psula do tempo enviada \u00e0 Lua, contendo mensagens de mais de 80 mil crian\u00e7as do mundo todo &#8211; Iris Lunar Rover (Universidade Carnegie Mellon)<br>. Um pequeno rover para testes tecnol\u00f3gicos embarcado na primeira miss\u00e3o lunar da Astrobotic<br>MoonArk (Universidade Carnegie Mellon)<br>. Uma &#8216;arca&#8217; que abrange artes, humanidades, ci\u00eancia e tecnologia, com objetos destinados a inspirar futuras gera\u00e7\u00f5es &#8211; Memorial Spaceflight Services (Elysium Space)<br>. C\u00e1psula portando amostras de cinzas humanas a ser deixada na superf\u00edcie da Lua &#8211; Memorial Spaceflight (Celestis)<br>. Amostras de cinzas humanas a serem depositadas na Lua, al\u00e9m de uma carga a permanecer em \u00f3rbita do Sol &#8211; M-42 (DLR, ag\u00eancia espacial alem\u00e3)<br>. Detector de radia\u00e7\u00e3o para investigar impactos sobre a sa\u00fade humana em caso de visitas tripuladas \u00e0 Lua<br>DHL MoonBox (DHL, Alemanha)<br>Empresa de transportes levou objetos de valor pessoal (fotos, livros, trabalhos de escola) para serem deixados na Lua &#8211; Digital Art Gallery (Lunar Mission One, EUA)<br>. Dispositivo digital de armazenamento a ser depositado na Lua &#8211; Memory of Mankind on the Moon (Puli Space Technologies, Hungria)<br>. Placa em mem\u00f3ria da humanidade na Lua, com imagens de arquivo e textos l\u00edveis com uma amplia\u00e7\u00e3o de dez vezes &#8211; Spacebit Plaque (Spacebit, Reino Unido)<br>. Placa celebrat\u00f3ria de empresa de tecnologia brit\u00e2nica concentrada em novas oportunidades na explora\u00e7\u00e3o comercial da Lua &#8211; The Arch Libraries (The Arch Mission Foundation, EUA)<br>.Dispositivos com arquivos a serem preservados por longos per\u00edodos de tempo no ambiente espacial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salvador Nogueira &#8211; FolhaPress Com o lan\u00e7amento nesta segunda-feira (08) na Fl\u00f3rida, estar\u00e1 todo mundo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":75387,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-75386","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75386","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75386"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75386\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75388,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75386\/revisions\/75388"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75387"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75386"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75386"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75386"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}