{"id":76172,"date":"2024-01-21T11:00:00","date_gmt":"2024-01-21T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=76172"},"modified":"2024-01-19T12:22:05","modified_gmt":"2024-01-19T15:22:05","slug":"cerca-de-dois-anos-apos-a-tragedia-vitimas-seguem-sem-apoio-necessario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2024\/01\/21\/cerca-de-dois-anos-apos-a-tragedia-vitimas-seguem-sem-apoio-necessario\/","title":{"rendered":"Cerca de dois anos ap\u00f3s a trag\u00e9dia, v\u00edtimas seguem sem apoio necess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Enquanto isso, em S\u00e3o Sebasti\u00e3o (SP), um ano ap\u00f3s uma trag\u00e9dia que atingiu o munic\u00edpio, 704 apartamentos para as v\u00edtimas est\u00e3o em fase final de constru\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por Gabriel Rattes<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Com menos de um m\u00eas para completar dois anos da maior trag\u00e9dia que atingiu o munic\u00edpio de Petr\u00f3polis, moradores seguem sem a assist\u00eancia necess\u00e1ria. Segundo a presidente da Comiss\u00e3o das V\u00edtimas das Trag\u00e9dias da Regi\u00e3o Serrana do Estado do Rio de janeiro, Claudia Renata Ramos, cerca de 3200 fam\u00edlias ainda necessitam de uma moradia digna. Dentre essas, algumas ainda s\u00e3o remanescentes da trag\u00e9dia de 2011, uma das maiores que j\u00e1 atingiu a Regi\u00e3o Serrana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs medidas tomadas pela Prefeitura ap\u00f3s as duas trag\u00e9dias [2011 e 2022] n\u00e3o foram eficientes. Estamos com problema de receber verbas do Governo Federal, por meio do PAC Encostas, devido a uma falta de presta\u00e7\u00e3o de contas do PAC 1 e 2, desde 2012 at\u00e9 agora\u201d, enfatizou Claudia, que tamb\u00e9m \u00e9 presidente da OSC UMAS (Uni\u00e3o Por Moradia e Assist\u00eancia Social). \u201cN\u00e3o melhorou nada. A gente v\u00ea que de 2011 at\u00e9 agora, quase nada foi feito. Est\u00e3o com algumas obras de conten\u00e7\u00f5es se arrastando. Vai fazer dois anos da mais recente e nada. Se passaram 13 da mais antiga e quase nada mudou\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 de fevereiro de 2022, Petr\u00f3polis sofreu a maior trag\u00e9dia registrada na hist\u00f3ria do munic\u00edpio. Na tarde daquela ter\u00e7a-feira, durante um per\u00edodo de 6 horas, a cidade recebeu um volume de chuva, concentrado principalmente na sua regi\u00e3o central, equivalente ao esperado para todo aquele m\u00eas. O resultado foram deslizamentos e enchentes, que deixaram um rastro de destrui\u00e7\u00e3o na cidade e 235 mortos e 2 desaparecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es da reparti\u00e7\u00e3o do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) no Rio de Janeiro, a cidade de Petr\u00f3polis registrou o maior volume de chuva em 24 horas desde 1952. Registrando 259,8 mm de chuva no dia 15 de fevereiro. Cerca de um m\u00eas depois, em mar\u00e7o, novamente um forte temporal atingiu o munic\u00edpio, aumentando em sete o n\u00famero de mortos. Ao todo, foram registrados 242 mortos e mais de 640 pessoas ficaram desabrigadas entre os dois meses.<\/p>\n\n\n\n<p>A Prefeitura de Petr\u00f3polis afirmou que desde ent\u00e3o vem realizando a\u00e7\u00f5es preventivas, preparat\u00f3rias e mitigat\u00f3rias, tais como interven\u00e7\u00f5es estruturais e n\u00e3o estruturais. Segundo eles, s\u00e3o mais de 180 grandes obras e cerca de 100 para reconstruir \u00e1reas e prevenir, de forma a diminuir os riscos de desastres na cidade. Tamb\u00e9m explicou que o munic\u00edpio conta com 18 sirenes que alertam o risco de escorregamento e mais 04 sirenes que alertam o risco de inunda\u00e7\u00e3o, todas elas fazem parte do Sistema de Alerta e Alarme, instalado em comunidades com \u00e1reas de risco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que poderia ter sido diferente, \u00e9 o preparo. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que de 2011 at\u00e9 agora a gente n\u00e3o tem a\u00e7\u00f5es eficazes em rela\u00e7\u00e3o \u00e1 trag\u00e9dias. N\u00e3o conseguimos que a popula\u00e7\u00e3o petropolitana saia de casa quando uma sirene toca, as fam\u00edlias n\u00e3o tem a consci\u00eancia que \u00e9 preciso sair da \u00e1rea de risco e continuam construindo casas\u201d, disse Claudia Renata.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 uma fiscaliza\u00e7\u00e3o adequada nas comunidades por parte da Prefeitura. A gente tem reclama\u00e7\u00f5es de sirenes que n\u00e3o tocam e de casas Aluguel Social que n\u00e3o s\u00e3o vistoriadas e quando v\u00e3o fazer a renova\u00e7\u00e3o contratual percebe que est\u00e1 interditada a muito tempo. Falta fiscaliza\u00e7\u00e3o como um todo, da Defesa Civil, da Secretaria de obras e do pessoal da Assist\u00eancia Social\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"574\" src=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Foto-Gabriel-Telles-1024x574.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-76174\" srcset=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Foto-Gabriel-Telles-1024x574.jpeg 1024w, https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Foto-Gabriel-Telles-300x168.jpeg 300w, https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Foto-Gabriel-Telles-768x431.jpeg 768w, https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Foto-Gabriel-Telles.jpeg 1430w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Gabriel Telles<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Dois anos se passaram e nada mudou<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de dois anos ap\u00f3s o acontecido, a equipe do Jornal Correio Petropolitano esteve no Morro dos Ferrovi\u00e1rios e tamb\u00e9m no Morro da Oficina, onde foi o maior foco de v\u00edtimas. Local onde tamb\u00e9m est\u00e3o sendo realizadas obras de drenagem, estabiliza\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o de encosta, por parte da Administra\u00e7\u00e3o Municipal, pelo valor de R$21.563.908,41, com um prazo de termino ainda este ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao chegar no local, um cen\u00e1rio similar ao de dois anos atr\u00e1s, terras, escombros e restos de casas. Conversamos com um morador do Morro dos Ferrovi\u00e1rios que n\u00e3o teve a casa diretamente atingida pela trag\u00e9dia, mas vive em uma zona de risco.<\/p>\n\n\n\n<p>O inspetor de disciplina em uma escola no Alto Independ\u00eancia, Carlos Raimundo, mora h\u00e1 58 anos no local e estava trabalhando no momento da trag\u00e9dia. \u201cQuando eu cheguei na minha casa estavam todos meus vizinhos para o lado de fora da rua e todos assustados. Mas pela preocupa\u00e7\u00e3o com meus animais e com a minha casa eu vim at\u00e9 ela ver como estava. Quando eu cheguei aqui, estava tranquila e meu animais no quintal. N\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o do que tinha acontecido ao redor porque estava de noite e escuro e resolvi passar a noite aqui mesmo, eu e meu filho mais velho. No outro dia, quando clareou tudo, eu tive no\u00e7\u00e3o do que tinha acontecido\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos teve a casa interditada pela Prefeitura de Petr\u00f3polis, mas permanece no local com a irm\u00e3 e dois cachorros. De acordo com ele, a proposta disponibilizada pela Prefeitura, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com os moradores, n\u00e3o \u00e9 o suficiente para recome\u00e7ar a vida. E diante do abandono, viveu at\u00e9 janeiro deste ano na casa, constru\u00edda pelos pais, sem \u00e1gua ou suporte.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPassou pela minha cabe\u00e7a se mudar daqui sim. S\u00f3 que se encontra dificuldade de alugar uma casa, porque na maioria das vezes a imobili\u00e1ria ou o propriet\u00e1rio pede tr\u00eas meses de cau\u00e7\u00e3o ou se encontra muitos lugares piores que aqui para alugar. N\u00e3o tem para onde ir\u201d, enfatizou Raimundo, explicando que muitos lugares n\u00e3o aceitam animais e ele n\u00e3o pode deix\u00e1-los para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>O TAC disponibilizado pela Administra\u00e7\u00e3o Municipal pagaria R$ 90 mil pelas casas demolidas. \u201cN\u00e3o \u00e9 nem pela minha casa, porque n\u00e3o \u00e9 uma casa de luxo. Mas eu n\u00e3o aceitei pelo valor. Com 90 mil reais voc\u00ea n\u00e3o faz nada em Petr\u00f3polis. Pedi a eles que aumentassem o valor, para que ent\u00e3o eu pudesse dar uma entrada em outra casa\u201d, disse. Em rela\u00e7\u00e3o ao Aluguel Social Carlos explica que n\u00e3o aceitou de primeira porque o aux\u00edlio tem um prazo de seis meses. \u201cNesse per\u00edodo n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de uma pessoa se organizar, por isso eu n\u00e3o aceitei\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Paulo ser\u00e3o entregues 704 apartamentos<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, o munic\u00edpio de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, em S\u00e3o Paulo, anunciou por meio das redes sociais que est\u00e1 preste a entregar 704 apartamentos para v\u00edtimas da trag\u00e9dia que atingiu a cidade no dia 19 de fevereiro de 2023. \u201cEm Petr\u00f3polis temos em torno de 3200 fam\u00edlias precisando de moradia digna e segura, todos em Aluguel Social. Cerca de 340 ainda est\u00e3o aguardando casa antes da trag\u00e9dia de 2022, 120 s\u00e3o da trag\u00e9dia de 2011 e cerca de 2900 da trag\u00e9dia de 2022\u201d, disse Claudia Renata.<\/p>\n\n\n\n<p>Claudia explicou tamb\u00e9m que atualmente recebem aux\u00edlio pelo PAC e Minha Casa Minha Vida, mas que precisam desburocratizar muita coisa. \u201cSe tem terreno, precisamos saber o porqu\u00ea que n\u00e3o compra e n\u00e3o constr\u00f3i as moradias. Tem que ser uma a\u00e7\u00e3o mais efetiva, porque s\u00e3o 13 anos da trag\u00e9dia e n\u00e3o temos um pr\u00e9dio \u2018subindo\u2019. Em contrapartida, temos S\u00e3o Sebasti\u00e3o (SP) j\u00e1 as portas para a entrega de 704 unidades para as fam\u00edlias que sofreram com as chuvas no ano passado\u201d, enfatizou.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionada, a Prefeitura de Petr\u00f3polis n\u00e3o respondeu, at\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o, sobre os fatos apresentados na mat\u00e9ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto isso, em S\u00e3o Sebasti\u00e3o (SP), um ano ap\u00f3s uma trag\u00e9dia que atingiu o munic\u00edpio,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":76173,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-76172","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76172"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76172\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76175,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76172\/revisions\/76175"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76173"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}