{"id":79688,"date":"2024-03-16T05:01:00","date_gmt":"2024-03-16T08:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=79688"},"modified":"2024-03-15T18:18:00","modified_gmt":"2024-03-15T21:18:00","slug":"quilombo-da-tapera-uma-historia-centenaria-de-resistencia-em-solo-petropolitano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2024\/03\/16\/quilombo-da-tapera-uma-historia-centenaria-de-resistencia-em-solo-petropolitano\/","title":{"rendered":"Quilombo da Tapera uma hist\u00f3ria centen\u00e1ria de resist\u00eancia em solo petropolitano"},"content":{"rendered":"\n<p>A cidade de Petr\u00f3polis completava quatro anos de funda\u00e7\u00e3o quando o Quilombo da Tapera surgiu em meio a luta dos escravizados alforriados que viviam na fazenda Santo Ant\u00f4nio.&nbsp; Dona Sebastiana Augusta da Silva Correia foi a matriarca fundadora&nbsp; do quilombo, que nasceu em 1847, e recebeu as terras de seu antigo senhor, Agostinho Corr\u00eaa da Silva Goul\u00e3o. Sebastiana foi ama da fazenda, recebeu o nome que possu\u00eda de Agostinho, viveu 120 anos, era rezadeira e conhecedora de ervas medicinais. O Tapera era povoado por negros africanos puros e atualmente seus descendentes mant\u00eam a hist\u00f3ria e os conhecimentos vivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do \u00eaxito na cria\u00e7\u00e3o da comunidade, o caminho at\u00e9 o feito foi \u00e1rduo, os descendentes tiveram que resistir para manter e preservar o territ\u00f3rio. As terras que tinham sido doadas pelo fazendeiro Agostinho Corr\u00eaa Goul\u00e3o \u00e0 Sebastiana e os outros escravos, acabaram sendo vendidas para outro propriet\u00e1rio. Um dia ap\u00f3s a morte de Agostinho, seus dois sobrinhos procederam a abertura do invent\u00e1rio e a leitura de seu testamento, e quatro anos depois venderam a fazenda a Irineu Evangelista de Souza, conhecido como Bar\u00e3o de Mau\u00e1. Ap\u00f3s um tempo, a fazenda foi arrendada pelo Comendador Francisco Jos\u00e9 Fialho que a adquiriu do Banco do Brasil ap\u00f3s Irineu ir \u00e0 fal\u00eancia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante as transmiss\u00f5es de posse, os negros descendentes permaneceram em suas terras, exercendo sua moradia sem serem incomodados pelos protagonistas das&nbsp; negocia\u00e7\u00f5es. E assim, passaram mais de 80 anos da data que Corr\u00eaa Goul\u00e3o doou parte das terras para garantir a sobreviv\u00eancia dos escravizados alforriados. No processo, tudo parecia calmo, at\u00e9 o momento em que os direitos de permanecer no territ\u00f3rio de origem come\u00e7aram a ser amea\u00e7ados por uma empresa do ramo agropecu\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;No decorrer do quadro, as terras foram vendidas pelos herdeiros do Dr. Fialho para Argemiro Hungria da Silva Machado, presidente da Companhia Industrial Agr\u00edcola e Pecu\u00e1ria Itaipava, com objetivo de tornar a fazenda produtiva. Com a posse, dentro de uma semana, Argemiro instituiu o Registro Geral de Hypothecario de Usufruto em nome das pessoas negras que habitavam o local naquela \u00e9poca, e assim, se iniciou o processo de desterritorializa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp; maior serventia deste documento \u00e9 o registro hist\u00f3rico do territ\u00f3rio \u00e9tnico evidenciando. &nbsp; J\u00e1 que a regi\u00e3o, desde a \u00e9poca do seu antigo propriet\u00e1rio, Agostinho Corr\u00eaa Goul\u00e3o, era&nbsp; ocupado por fam\u00edlias negras cujos la\u00e7os de consanguinidade entre os antigos escravizados da fazenda, est\u00e3o presentes at\u00e9 os dias atuais dentre os integrantes das fam\u00edlias que permanecem no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das tentativas de extin\u00e7\u00e3o do quilombo, situado no Vale do Cuiab\u00e1, Itaipava, os afrodescendentes seguiram mantendo suas formas originais. Tempos depois tiveram que passar por mais uma prova\u00e7\u00e3o, em 2011, foram obrigados a sair do Tapera em raz\u00e3o do desastre socioambiental que aconteceu na Regi\u00e3o Serrana.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A diretora de Cultura do Tapera, Denise Andr\u00e9 Barbosa, fala sobre o ocorrido. \u201c Foi o pior momento de nossas vidas, pois tivemos que deixar nosso territ\u00f3rio de identidade. Na \u00e9poca, unimos for\u00e7as para voltar e manter a organiza\u00e7\u00e3o\u201d, disse. Denise continua contando que a perman\u00eancia da comunidade foi atribu\u00edda a muita resist\u00eancia ao cont\u00ednuo processo de desterritorializa\u00e7\u00e3o ao qual foram submetidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c0s tentativas de remo\u00e7\u00e3o da comunidade do nosso territ\u00f3rio tradicional, impulsionou e fortaleceu os movimentos de resist\u00eancia local e luta. A ancestralidade negra do nosso grupo de fam\u00edlia, marca o territ\u00f3rio com a pr\u00f3pria maneira de executar o processo de resist\u00eancia \u00e0 opress\u00e3o hist\u00f3rica sofrida\u201d, disse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quilombo<\/p>\n\n\n\n<p>Quilombo s\u00e3o&nbsp; comunidades formadas por povos que passaram por um processo de resist\u00eancia territorial, social e cultural no per\u00edodo escravocrata no Brasil. \u00c9 nesses espa\u00e7os que se re\u00fanem os saberes e tradi\u00e7\u00f5es comuns, como forma de mem\u00f3ria e resguardo cultural. De origem Tupi \u201cTapera\u201d significa fazenda abandonada. Denise ressalta que, no quilombo, todos os moradores vivem de modo tradicional de organiza\u00e7\u00e3o, ancorados na l\u00f3gica das rela\u00e7\u00f5es de parentesco, de apropria\u00e7\u00e3o, usando os espa\u00e7os, sobretudo coletivamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Atualmente o Tapera luta pela titula\u00e7\u00e3o das terras, pois a partir do t\u00edtulo s\u00e3o constru\u00eddas pol\u00edticas sociais que atendem a demanda dos quilombolas em diversos aspectos. Hoje, 70 pessoas residem no quilombo. Para o grupo, \u00e9 uma vit\u00f3ria, j\u00e1 que muitos antepassados n\u00e3o conseguiram resistir \u00e0 vida dentro da comunidade pelas dificuldades que ali encontraram.<\/p>\n\n\n\n<p>Patrim\u00f4nio<\/p>\n\n\n\n<p>Quilombo \u00e9 sin\u00f4nimo de resist\u00eancia. \u00c9\u00a0 importante resgatar as mem\u00f3rias e mostrar a pot\u00eancia deste patrim\u00f4nio hist\u00f3rico dentro da Cidade Imperial. \u201cMais do que reconhecimento, precisamos que o nosso munic\u00edpio nos respeite e realize as pol\u00edticas p\u00fablicas que nos s\u00e3o de direito como cidad\u00e3os petropolitanos\u201d, refor\u00e7a Denise. Petr\u00f3polis vem excluindo da sua hist\u00f3ria as contribui\u00e7\u00f5es dos negros no processo de crescimento e constru\u00e7\u00e3o da cidade. Reconhecer esses espa\u00e7os \u00e9 um passo importante para que a popula\u00e7\u00e3o negra tenha refer\u00eancias reais de pot\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Leandra Lima\u00a0\/ Foto: <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cidade de Petr\u00f3polis completava quatro anos de funda\u00e7\u00e3o quando o Quilombo da Tapera surgiu<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":79689,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-79688","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79688"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79688\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79690,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79688\/revisions\/79690"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79689"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}