{"id":81101,"date":"2024-04-06T14:45:03","date_gmt":"2024-04-06T17:45:03","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=81101"},"modified":"2024-04-06T14:45:04","modified_gmt":"2024-04-06T17:45:04","slug":"uff-presta-homenagem-a-aluno-desaparecido-durante-a-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2024\/04\/06\/uff-presta-homenagem-a-aluno-desaparecido-durante-a-ditadura-militar\/","title":{"rendered":"UFF presta homenagem a aluno desaparecido durante a ditadura militar"},"content":{"rendered":"\n<p>Ivan Mota Dias \u00e9 um dos\u00a0mais de 200 desaparecidos\u00a0pol\u00edticos durante a ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1985. Ele cursava hist\u00f3ria na Universidade Federal Fluminense (UFF) e lutou contra a ditadura na Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR).<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan tinha 28 anos quando foi preso, no dia 15 de maio de 1971, no Rio de Janeiro. Para quem o conhecia de perto, ele era sin\u00f4nimo de do\u00e7ura, era amigo de todos, gostava muito de estudar e, acima de tudo, lutava por justi\u00e7a. A morte nunca chegou a ser confirmada e a fam\u00edlia nunca p\u00f4de se despedir de Ivan.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta semana, 53 anos ap\u00f3s o desaparecimento, o estudante foi homenageado pela UFF, universidade onde quase se formou. Faltavam apenas dois meses para receber o diploma quando ele teve a pris\u00e3o decretada e precisou entrar na clandestinidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Edda Mastrangelo Dias, 83 anos, saiu de Bras\u00edlia e foi ao campus Gragoat\u00e1, da UFF, em Niter\u00f3i, para receber junto a outros membros da fam\u00edlia, a homenagem a Ivan. Pouco antes de entrar no audit\u00f3rio onde a cerim\u00f4nia aconteceria, ela conversou com a\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. \u201cFui cunhada e amiga. Principalmente amiga do Ivan\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela foi a primeira esposa do irm\u00e3o de Ivan, Zwinglio Mota Dias, que faleceu em 2021. \u201cA gente n\u00e3o pode esquecer. Nem perd\u00e3o nem esquecimento. Eu sou uruguaia, [e l\u00e1 n\u00f3s] dizemos: \u2018Ni perd\u00f3n, ni olvido\u2019. Todo o tempo. N\u00e3o d\u00e1 para esquecer. Quando a gente esquece, a gente perde a hist\u00f3ria\u201d, afirma Edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ter sido amiga de Ivan, ela e o marido abriram a casa aos militantes, ajudaram como puderam e chegaram a viver anos no ex\u00edlio. Quando Zwinglio foi preso, foi ela que, gr\u00e1vida, o buscou de quartel em quartel no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra muito dif\u00edcil, a gente tinha que estar se policiando o tempo inteiro. Cuidado, n\u00e3o fala, n\u00e3o, aqui n\u00e3o. A gente, para falar dentro de casa, ligava o r\u00e1dio, ligava a televis\u00e3o bem alto, porque as paredes tinham ouvidos. A gente ficava meio neur\u00f3tico tamb\u00e9m, n\u00e9?\u201d, diz. \u201cEu estava com 24 anos. A gente estava&#8230; tinha muito mais pique, n\u00e9? Hoje eu n\u00e3o teria esse pique\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Edda cursava teologia em Buenos Aires quando conheceu Zwinglio. Na \u00e9poca, ele tamb\u00e9m estudava teologia em Campinas, mas teve que deixar os estudos porque, segundo Edda, a igreja presbiteriana havia desligado os alunos considerados comunistas. Ele foi, ent\u00e3o, continuar os estudos na capital argentina. Eles se apaixonaram e Edda acabou vindo com ele para o Brasil. Um m\u00eas depois do golpe militar, em 1964, Edda conheceu Ivan.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Clandestinidade<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cIvan era uma pessoa maravilhosa. Ivan era uma pessoa suave, tremendamente pac\u00edfica, a n\u00e3o ser quando se tratava de injusti\u00e7a ou ditadura. A\u00ed virava uma fera. Ele era muito amigo de todo mundo. Todo mundo gostava dele. A gente sempre fala isso de quem morreu, mas \u00e9 verdade. Todo mundo gostava dele\u201d, descreve.<\/p>\n\n\n\n<p>Edda conta que Ivan entrou na milit\u00e2ncia ainda adolescente, em Passa Quatro (MG), cidade onde nasceu e onde teve contato com o padeiro Jos\u00e9 Orlando, pai de Osvaldo Orlando da Costa, conhecido como Osvald\u00e3o, um dos principais integrantes da guerrilha do Araguaia, e um padre argentino chamado Domingos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan come\u00e7ou a estudar e a ler muito nessa \u00e9poca. Na ditadura, ele passou a integrar a VPR, grupo armado que lutou contra o regime militar. Entre os principais integrantes estava Carlos Lamarca. O grupo foi respons\u00e1vel, em 1970, pelo sequestro do embaixador su\u00ed\u00e7o Giovanni Enrico Bucher, no Rio de Janeiro, que foi solto em troca da liberta\u00e7\u00e3o de 70 presos pol\u00edticos. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora Edda n\u00e3o tenha participado da luta armada porque, segundo ela, tinha muito medo de ser torturada, ela e o marido sempre ajudaram aqueles que estavam na linha de frente pelo fim da ditadura. Eles abriram a casa para os militantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, eles moravam na Penha, bairro na zona norte do Rio e, posteriormente, em Santa Teresa, no centro da cidade. Pela casa, passaram nomes muito conhecidos da resist\u00eancia,&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2015-04\/morre-unica-sobrevivente-da-casa-da-morte-de-petropolis-no-rio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">como In\u00eas Etienne<\/a>. Edda dizia que eles n\u00e3o falavam quem eram, para n\u00e3o correrem nenhum tipo de risco, caso o local fosse descoberto. \u201cEu conheci muita gente, mas n\u00e3o posso dizer nomes, porque n\u00e3o sei\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi para a casa do irm\u00e3o e da cunhada, que Ivan fugiu depois da persegui\u00e7\u00e3o no congresso da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibi\u00fana, em 1968. Foi ap\u00f3s este epis\u00f3dio que ele teve a pris\u00e3o preventiva decretada e precisou entrar na clandestinidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cIvan chegou em casa, eram tr\u00eas, quatro horas da manh\u00e3. Tinha conseguido [fugir]. Fizeram o cerco de Ibi\u00fana, um monte de gente foi presa e ele conseguiu fugir, porque estavam procurando ele. Ele conseguiu fugir e chegou em casa.\u201d&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mesmo na clandestinidade, ele nunca deixava de ver os pais e de mandar not\u00edcias para a fam\u00edlia. Segundo Edda, os sogros recebiam telefonemas an\u00f4nimos com instru\u00e7\u00f5es do hor\u00e1rio em que aconteceria o encontro. O local era combinado presencialmente, cada vez que se reuniam. Em um desses encontros, ele conheceu o primeiro sobrinho, que ainda era beb\u00ea. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos codinomes adotados nessa \u00e9poca foi Comandante Cabanas. \u201cSabe por que? Era um carroceiro. Em Passa Quatro n\u00e3o tinha praticamente carro. S\u00f3 tinha carro\u00e7a e charrete. E tinha um carroceiro velhinho, muito amigo dele, que ele gostava muito, que era o Cabana. Ent\u00e3o, foi uma homenagem ao Cabana\u201d, conta Edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando entrou para a clandestinidade, ele destruiu todas as fotos e todos os vest\u00edgios dele. Foi ao dentista e a m\u00e9dicos, buscando destruir qualquer registro e placas que contivessem o pr\u00f3prio material gen\u00e9tico. Segundo Edda, isso dificultou tamb\u00e9m o reconhecimento de restos mortais. Hoje&nbsp;<a href=\"https:\/\/cemdp.mdh.gov.br\/modules\/desaparecidos\/acervo\/ficha\/cid\/239\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">resta apenas uma foto<\/a>, que \u00e9 usada em arquivos e publica\u00e7\u00f5es referentes a Ivan.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cInclusive a m\u00e3e e o pai ficaram sem nenhuma foto dele, diz. E essa foto que ficou&#8230; E essa foto que ficou, foi algo tremendo. Foi depois que o Ivan desapareceu. Em Passa Quatro, uma pessoa, subindo a escadaria da igreja viu uma fotinha no ch\u00e3o. Uma foto pequenininha assim, de um grupo. Toda feia. E olhou bem no grupo, a\u00ed estava o Ivan. A gente levou para um fot\u00f3grafo amigo que conseguiu limpar e arrumar. E essa \u00e9 a \u00fanica foto que a gente tem\u201d, diz, Edda. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pris\u00e3o de Zwinglio<\/h2>\n\n\n\n<p>Edda conta que, um dia antes da pris\u00e3o de Ivan, quando ele j\u00e1 estava sendo procurado, ela estava em casa quando bateram \u00e0 porta, \u00e0s 6h. Era a pol\u00edcia que estava em busca de Zwinglio. Ela conta que In\u00eas Etienne havia dormido na casa tr\u00eas dias antes e que deixara um par de sapatos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDois ou tr\u00eas dias antes, ainda estava o colch\u00e3o no escrit\u00f3rio e ela deixou um par de sapatos. Eram sand\u00e1lias de salto. Perguntaram se eram minhas. E eu n\u00e3o podia dizer que eram minhas porque eram t\u00e3o pequenas. Disse que eram da minha sogra. Era da In\u00eas\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento, na casa, estava outro militante, Cac\u00e1. Edda n\u00e3o se lembra do sobrenome dele. \u201cO Cac\u00e1, coitado, n\u00e3o sabia o que fazer. Ele se meteu no banheiro e abriu o chuveiro. A\u00ed o policial entrou, viu chuveiro aberto, outro policial entrou: \u2018O senhor toma banho de cueca?\u2019 e o fizeram sair de cueca molhada. A\u00ed telefonaram para o quartel e disseram: \u2018Tem outro sujeito aqui, um tal de Cac\u00e1. Ent\u00e3o traz\u2019.&nbsp; Ele disse: \u2018Mas no carro n\u00e3o cabe\u2019. A\u00ed o pr\u00f3prio Cac\u00e1 disse: \u2018N\u00e3o tem problema, meu carro est\u00e1 a\u00ed fora\u2019. Era para rir. Depois ele me disse, que animal que eu fui\u201d. Os policiais aceitaram a oferta e o levaram no pr\u00f3prio carro.<\/p>\n\n\n\n<p>A pris\u00e3o do marido ocorreu durante a Copa do Mundo de 1970. \u201cEle foi preso depois do primeiro jogo do Brasil e foi solto uma semana depois da vit\u00f3ria\u201d, diz. Os militares queriam que ele falasse sobre o paradeiro do irm\u00e3o. Durante esse per\u00edodo, tanto Zwinglio quando Edda sofreram tortura psicol\u00f3gica. Ela estava gr\u00e1vida de cinco meses, depois de j\u00e1 ter perdido um beb\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Edda, os militares amea\u00e7avam Zwinglio, dizendo que matariam o filho, que nem mesmo tinha nascido, e que o deixariam preso na solit\u00e1ria. A ela, eles nunca diziam o paradeiro do marido, sempre que ela tentava visitar, diziam que ele tinha sido transferido. Certa vez mostraram uma cal\u00e7a cheia de sangue e disseram que ele tinha deixado ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, Edda precisou contar com uma rede de apoio e com a igreja porque a pr\u00f3pria casa ficou lacrada pelo regime e ela tinha ficado apenas com a roupa do corpo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desaparecimento<\/h2>\n\n\n\n<p>No dia 15 de maio de 1971, Ivan foi preso. Logo depois, Edda e Zwinglio receberam os passaportes, que tinham ficado retidos pela pol\u00edcia. Eles receberam instru\u00e7\u00f5es para deixar o pa\u00eds. Eles foram, ent\u00e3o, para o Uruguai. Em 1973, houve um golpe militar no Uruguai e o casal, ent\u00e3o, foi para a Alemanha, onde Zwinglio conseguiu uma bolsa de doutorado. Eles voltariam para o Brasil apenas em 1978.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse tempo come\u00e7ou uma busca incans\u00e1vel por Ivan. O pai dele, Lucas de Souza Dias faleceu em 1974. \u201cQuando se convenceu de que o Ivan realmente n\u00e3o voltava, ele entrou em p\u00e2nico, entrou em depress\u00e3o\u201d, conta Edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem seguiu com as buscas at\u00e9 o dia da pr\u00f3pria morte, aos 90 anos, foi a m\u00e3e de Ivan, Nair Mota Dias. Ela chegou at\u00e9 mesmo a procurar a esposa do ent\u00e3o presidente, Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, por meio de uma carta, enviada em 1971.<\/p>\n\n\n\n<p>Elizandra Dias foi a segunda esposa de Zwinglio, ela tamb\u00e9m participou da homenagem a Ivan na UFF. Ela acompanhou parte das buscas de Nair. \u201cEla procurou esse filho incansavelmente. Ela chegou a dizer para mim que, mesmo depois que a gente j\u00e1 sabia que ele tinha morrido, em muitas manh\u00e3s de domingo eu me pegava imaginando que ele ia abrir a porta e falar assim: \u2018M\u00e3e, eu vim almo\u00e7ar\u2019. A mente sempre recorrendo a armadilhas de sentimento\u201d, diz Elizandra.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar dos anos, a busca foi se tornando solit\u00e1ria. \u201cEla ficou um pouco s\u00f3, nessa dor\u201d, diz Elizandra.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cPorque o restante da fam\u00edlia n\u00e3o compreendia o que tinha havido. Se aconteceu alguma coisa foi porque ela n\u00e3o criou direito. A culpa era dela, que n\u00e3o tinha criado direito. Ela n\u00e3o foi a m\u00e3e que deveria ter sido e n\u00e3o criou ele dentro da igreja. Se tivesse feito isso, ele n\u00e3o teria sumido\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outros presos pol\u00edticos disseram que ouviram not\u00edcias sobre o paradeiro de Ivan enquanto estavam presos. Segundo Edda, foi In\u00eas Etienne quem trouxe a ela a informa\u00e7\u00e3o de que Ivan tinha sido morto, o que nunca foi confirmado oficialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA In\u00eas contou para a gente que chegaram l\u00e1 e disseram: \u2018Hoje pegaremos teu amigo\u2019. E depois chegaram com uma garrafa de champanhe e disseram: \u2018Vamos brindar a morte do Cabana\u2019. Isso ela contou para mim e para o Zwinglio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o que o cunhado representa para ela, Edda sintetiza emocionada: \u201cPara mim Ivan representa a do\u00e7ura que luta pela justi\u00e7a como um le\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de encerrar a entrevista, Edda conversou um pouco mais com a reportagem e finalizou o encontro com uma cita\u00e7\u00e3o de um conterr\u00e2neo, o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano: \u201cPara que serve a utopia? Serve para isso: para que eu n\u00e3o deixe de caminhar\u201d. E complementa: \u201c&#8217;A vit\u00f3ria \u00e9 certa e a luta continua&#8217;. Era algo que a gente sempre dizia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Texto: Mariana Tokarnia \/ Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/ Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ivan Mota Dias \u00e9 um dos\u00a0mais de 200 desaparecidos\u00a0pol\u00edticos durante a ditadura militar no Brasil,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81102,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-81101","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81101"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81101\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81103,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81101\/revisions\/81103"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81102"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}