{"id":82196,"date":"2024-04-26T05:00:00","date_gmt":"2024-04-26T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=82196"},"modified":"2024-04-25T17:11:11","modified_gmt":"2024-04-25T20:11:11","slug":"centro-cultural-sesc-quitandinha-vai-receber-a-exposicao-dos-brasis-maior-mostra-dedicada-a-producao-negra-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2024\/04\/26\/centro-cultural-sesc-quitandinha-vai-receber-a-exposicao-dos-brasis-maior-mostra-dedicada-a-producao-negra-nacional\/","title":{"rendered":"Centro Cultural Sesc Quitandinha vai receber a exposi\u00e7\u00e3o \u201cDos Brasis\u201d, maior mostra dedicada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o negra nacional"},"content":{"rendered":"\n<p>A centralidade do pensamento negro no campo das artes visuais brasileiras, em diferentes tempos e lugares, \u00e9 uma das principais premissas que guiam o processo curatorial da mostra\u00a0Dos Brasis \u2013 Arte e Pensamento Negro, a mais abrangente exposi\u00e7\u00e3o dedicada exclusivamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de artistas negros. Depois de passar sete meses em S\u00e3o Paulo, com registro de mais de\u00a0130 mil visitantes,\u00a0a exposi\u00e7\u00e3o chega ao Rio de Janeiro e ser\u00e1 instalada em um dos principais cart\u00f5es postais da Regi\u00e3o Serrana: o Centro Cultural Sesc Quitandinha (CCSQ), em Petr\u00f3polis. Com abertura marcada para o dia 3 de maio, a mostra receber\u00e1 visitantes at\u00e9 27 de outubro deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Resultado de um trabalho desenvolvido pelo Sesc em todo o pa\u00eds, a mostra conta com sete n\u00facleos tem\u00e1ticos, reunindo aproximadamente 240 artistas negros, de todos os estados do Brasil, sob curadoria de Igor Sim\u00f5es, em parceria com Lorraine Mendes e Marcelo Campos. Realizada por meio de um trabalho em conjunto de analistas de cultura da Insitui\u00e7\u00e3o de todo o pa\u00eds, a exposi\u00e7\u00e3o traz obras em diversas linguagens art\u00edsticascomo pintura, fotografia,&nbsp;escultura, instala\u00e7\u00f5es e&nbsp;videoinstala\u00e7\u00f5es, produzidas desde o fim do s\u00e9culo XVIII&nbsp;at\u00e9 o s\u00e9culo XXI.&nbsp;A lista completa dos artistas participantes est\u00e1 dispon\u00edvel ao final do texto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO projeto Dos Brasis lan\u00e7ou um olhar aprofundado sobre a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica afro-brasileira e sua presen\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da arte no Brasil. Um trabalho que contou com nossos analistas de cultura em todo o pa\u00eds, em um grande alinhamento nacional.&nbsp;A exposi\u00e7\u00e3o Dos Brasis \u2013 Arte e Pensamento Negro \u00e9 a culmin\u00e2ncia desse processo e oferece ao p\u00fablico n\u00e3o s\u00f3 a oportunidade de conhecer a obra de artistas e intelectuais negros, com tamb\u00e9m de refletir sobre sua participa\u00e7\u00e3o nos diversos contextos sociais\u201d, explica o Diretor-Geral do Departamento Nacional do Sesc, Jos\u00e9 Carlos Cirilo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o chega na \u00edntegra ao Centro Cultural Sesc Quitandinha (CCSQ). As 314 obras que estavam em exibi\u00e7\u00e3o no Sesc Belenzinho (SP) v\u00e3o ocupar os sal\u00f5es da \u00e1rea monumental do hist\u00f3rico edif\u00edcio, que em 2024 completa 80 anos. Parte dos trabalhos, alguns in\u00e9ditos, tamb\u00e9m ser\u00e3o expostos pela primeira vez na \u00e1rea externa e no lago em frente \u00e0 unidade. A mostra vai ainda oferecer ao p\u00fablico uma programa\u00e7\u00e3o paralela com a\u00e7\u00f5es em&nbsp;media\u00e7\u00e3o cultural e atividades educativas, al\u00e9m de um programa p\u00fablico composto de debates e palestras com convidados.<\/p>\n\n\n\n<p>Inaugurado em 1944, um ano antes do fim da Segunda Guerra Mundial, o Quitandinha abrigou um dos maiores hot\u00e9is-cassino das Am\u00e9ricas. Recebeu personalidades brasileiras e hollywoodianas, como Carmen Miranda e Walt Disney. Tamb\u00e9m foi palco de eventos que marcaram a hist\u00f3ria, como da Confer\u00eancia Interamericana para a Manuten\u00e7\u00e3o da Paz e da Seguran\u00e7a no Continente, em 1947, e a 1\u00aa Exposi\u00e7\u00e3o Nacional de Arte Abstrata, realizada em 1953. Na d\u00e9cada de 1960, ap\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o dos jogos no Brasil, o cassino foi fechado e o hotel teve seus apartamentos vendidos, tornando-se um condom\u00ednio. Em 2007, a \u00e1rea monumental passou a ser administrada pelo Sesc RJ, que a transformou em um Centro Cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que foi reinaugurado como um Centro Cultural, em abril do ano passado, o Quitandinha vem sendo ocupado por exposi\u00e7\u00f5es que resgatam a forte identidade afro-brasileira em Petr\u00f3polis. A primeira, intitulada \u201cUm oceano para lavar as m\u00e3os\u201d, com curadoria de Marcelo Campos e Filipe Graciano, apresentou uma revis\u00e3o da hist\u00f3ria do Brasil a partir de narrativas n\u00e3o eurocentradas, pensada por curadores e artistas negros, levando o espectador \u00e0 reflex\u00e3o sobre a forte mem\u00f3ria e produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica negra na contemporaneidade, no Brasil e no munic\u00edpio, e sua rela\u00e7\u00e3o com o passado imperial. Depois, dos mesmos curadores, recebeu a coletiva \u201cDa Kutanda ao Quitandinha\u201d, em que o ponto de partida foi o territ\u00f3rio onde o edif\u00edcio est\u00e1 inserido \u2013 uma regi\u00e3o marcada por quilombos formadores da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAgora, abrimos as portas para a \u2018Dos Brasis\u2019, que apresenta um recorte extraordin\u00e1rio da arte negra nacional. O Sesc RJ tem um compromisso inegoci\u00e1vel com a democratiza\u00e7\u00e3o da cultura e do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, sobretudo frente a um hist\u00f3rico de narrativas invisibilizadas ao longo da forma\u00e7\u00e3o do nosso pa\u00eds. Os Centros Culturais da institui\u00e7\u00e3o v\u00eam investindo em curadorias afrocentradas e recortes racializados, viabilizando novas leituras no campo das Artes, das Ci\u00eancias Sociais e da hist\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica moderna e contempor\u00e2nea, tendo como finalidade a valoriza\u00e7\u00e3o da pluralidade da cultura brasileira\u201d, declara o presidente do Sistema Fecom\u00e9rcio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pesquisas em todo o Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ideia nasceu em 2018. Um projeto de pesquisa, fruto do desejo institucional do Sesc em conhecer, dar visibilidade e promover a produ\u00e7\u00e3o afro-brasileira. Para sua realiza\u00e7\u00e3o, foram convidados os curadores&nbsp;<strong>H\u00e9lio Menezes<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Igor Sim\u00f5es<\/strong>. Em&nbsp;2022, o projeto passa a ter a curadoria geral de Sim\u00f5es, com os curadores adjuntos&nbsp;<strong>Marcelo Campos<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Lorraine Mendes<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se chegar a esse expressivo e representativo n\u00famero de artistas negros, presentes em todo o territ\u00f3rio nacional, foram abertas duas importantes frentes. Na primeira, foram realizadas&nbsp;<strong>pesquisas&nbsp;<em>in loco<\/em><\/strong>&nbsp;em todas as regi\u00f5es do Brasil com a participa\u00e7\u00e3o do Sesc em cada estado, com o&nbsp;objetivo de trazer a p\u00fablico vozes negras da arte brasileira. Essas a\u00e7\u00f5es desdobraram-se em atividades e programas como palestras, leituras de portf\u00f3lio, exposi\u00e7\u00f5es, entre outros, com foco local. Vale ressaltar que esse processo teve uma aten\u00e7\u00e3o especial para que n\u00e3o se limitasse apenas \u00e0s capitais do pa\u00eds, englobando tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica da popula\u00e7\u00e3o negra de diversas localidades, como cidades do interior e comunidades quilombolas.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe curatorial pesquisou obras e documentos em ateli\u00eas, portf\u00f3lios e cole\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e particulares, para oferecer ao p\u00fablico a oportunidade de conhecer um recorte da hist\u00f3ria da arte produzida pela popula\u00e7\u00e3o negra do Brasil e entender a centralidade do pensamento negro na arte brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda frente foi a realiza\u00e7\u00e3o de um&nbsp;<strong>programa de resid\u00eancia art\u00edstica on-line intitulado \u201cPemba:&nbsp;<\/strong><strong>Resid\u00eancia Preta\u201d<\/strong>, que contou com mais de 450 inscri\u00e7\u00f5es e selecionou 150 residentes. De maio a agosto de 2022, os integrantes foram orientados por Ariana Nuala (PE), Juliana dos Santos (SP), Rafael Bqueer (PA), Renata Sampaio (RJ) e Yhuri Cruz (RJ). A Resid\u00eancia, que reuniu artistas, educadores e curadores\/cr\u00edticos, contou ainda com uma s\u00e9rie de aulas p\u00fablicas, com a participa\u00e7\u00e3o de Denise Ferreira da Silva, Kleber Am\u00e2ncio, Renata Bittencourt, Renata Sampaio, Rosana Paulino e Rosane Borges, dispon\u00edveis no canal do Youtube do Sesc Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDos Brasis, enquanto projeto expositivo, n\u00e3o se pretende uma exposi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, que tenha como pretens\u00e3o esgotar o debate a partir da sele\u00e7\u00e3o de algumas figuras art\u00edsticas, escapando do gesto colonialista de mapear. O que propomos s\u00e3o v\u00e1rias formas de acesso \u00e0s escritas que nos ponham em jogo, reescrevam e at\u00e9 invalidem nossas premissas, como um coro que n\u00e3o te\u00e7a apenas na harmonia, mas tamb\u00e9m no conflito, na discord\u00e2ncia e tire de n\u00f3s a ideia de uniformidade essencializada, muitas vezes evocada para apagar nosso direito \u00e0 humanidade expressa, tamb\u00e9m, no direito \u00e0 contradi\u00e7\u00e3o\u201d, enfatiza o trio de curadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 dividida em sete n\u00facleos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A proposta curatorial rompe com&nbsp;divis\u00f5es como cronologia, estilo ou linguagem. Para esta exposi\u00e7\u00e3o de arte preta, n\u00e3o caber\u00e1 a jun\u00e7\u00e3o formal, estil\u00edstica ou est\u00e9tica. Dessa maneira,&nbsp;os espa\u00e7os expositivos do CCSQ contar\u00e3o com sete n\u00facleos &#8211;&nbsp;<strong><em>Romper, Branco Tema, Negro Vida, Amefricanas, Organiza\u00e7\u00e3o J\u00e1, Legitima Defesa<\/em><\/strong><em>&nbsp;e&nbsp;<\/em><strong><em>Baob\u00e1<\/em><\/strong>&nbsp;&#8211; que t\u00eam como refer\u00eancia pensamentos de importantes intelectuais negros da hist\u00f3ria do Brasil como&nbsp;<strong>Beatriz Nascimento<\/strong>,&nbsp;<strong>Emanoel Ara\u00fajo, Guerreiro Ramos, L\u00e9lia Gonzales&nbsp;<\/strong>e<strong>&nbsp;Luiz Gama<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs premissas de narra\u00e7\u00e3o cronol\u00f3gica, estil\u00edstica ou quaisquer outros agrupamentos formais das hist\u00f3rias can\u00f4nicas eurocentradas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o op\u00e7\u00e3o. Em seu lugar, trabalhamos com a ideia de constela\u00e7\u00f5es: encontros, aproxima\u00e7\u00f5es e distanciamentos entre diferentes proposi\u00e7\u00f5es, que exp\u00f5em suas particularidades e suas conex\u00f5es. Sob o r\u00f3tulo \u201carte preta\u201d n\u00e3o caber\u00e1 qualquer mecanismo de jun\u00e7\u00e3o formal, estil\u00edstica ou est\u00e9tica\u201d, explicam os curadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>ROMPER<\/em>&nbsp;\u2013&nbsp;<\/strong>Tendo como ponto de partida o pensamento da historiadora e ativista pelos direitos humanos de negros e mulheres brasileira<strong>, Beatriz Nascimento<\/strong>,&nbsp;o&nbsp;n\u00facleo re\u00fane artistas que, em suas produ\u00e7\u00f5es, interrogam narrativas que cristalizaram imagens e leituras hist\u00f3ricas feitas de tentativas de exclus\u00e3o daqueles que formam a maioria deste lugar assim\u00e9trico nomeado Brasil. A hist\u00f3ria da arte nomeada brasileira faz muito mais refer\u00eancia \u00e0 minoria num\u00e9rica branca no pa\u00eds do que, de fato, ao Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNossa hist\u00f3ria da arte, que bem poderia ser chamada de branco-brasileira, funda-se sobre perspectivas de matrizes europeias, dando contornos de regra a iconografias, refer\u00eancias po\u00e9ticas e te\u00f3ricas com base no princ\u00edpio da branquitude que, historicamente, aspira a um ideal de brancura que n\u00e3o encontra morada nem mesmo na pele de seus defensores\u201d, argumenta o trio curatorial.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00facleo estar\u00e1 representado, dentre outros nomes, por artistas como Marcus Deusdedit (MG), Mestre Zimar (MA), Yhuri Cruz (RJ), Wilson Tib\u00e9rio (RS) e Rosana Paulino (SP).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>BRANCO TEMA<\/em>&nbsp;&#8211;&nbsp;<\/strong>O t\u00edtulo deste n\u00facleo remete ao conceito \u201cnegro-tema\u201d empregado pelo soci\u00f3logo brasileiro&nbsp;<strong>Guerreiro Ramos<\/strong>&nbsp;no seu livro \u201cPatologia Social do Negro Brasileiro (1955), ao criticar a desumaniza\u00e7\u00e3o de pessoas negras nas correntes acad\u00eamicas do s\u00e9culo 20. Os trabalhos reunidos neste n\u00facleo, em menor n\u00famero em rela\u00e7\u00e3o ao dos outros demais, t\u00eam um gesto em comum seguindo os curadores: \u201cinverter a ordem recorrente das imagens do negro-tema por aquelas que versam sobre um Branco-Tema, produzidas a partir do olhar negro. Lado a lado, essas obras interrogam, denunciam e parodiam a posi\u00e7\u00e3o social privilegiada da branquitude, outrora encarada como neutra\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Este n\u00facleo traz obras de nomes como Daniel Lima (RN), Arthur Tim\u00f3theo da Costa (RJ) Davi Cavalcante (SE), Debis (MA), Pablo Monteiro (MA), entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>NEGRO VIDA \u2013&nbsp;<\/em><\/strong>Este segmento tamb\u00e9m tem no pensamento de&nbsp;<strong>Guerreiro Ramos<\/strong>&nbsp;sua centralidade. Para o soci\u00f3logo, Negro-Vida \u00e9 compar\u00e1vel a um rio, ecoando a no\u00e7\u00e3o de devir. O negro \u2013 como humano que \u00e9 \u2013 \u00e9 inapreens\u00edvel em perspectivas unificadoras. Diferente da exist\u00eancia preta nas categorias produzidas por grande parte da intelectualidade branca, a exist\u00eancia de pessoas negras \u00e9 multiforme, singular, com rotas, escolhas, procedimentos diversos.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00facleo re\u00fane trabalhos de artistas como Antonio Tarsis (BA), Abdias Nascimento (SP), Rommulo Concei\u00e7\u00e3o (BA), Li Vasc (PB), entre outros, incluindo esculturas de distintas escalas na entrada da exposi\u00e7\u00e3o, que \u2013 segundo os curadores \u2013 \u201cdesafiam qualquer tentativa de unidade que determine as variadas produ\u00e7\u00f5es dos artistas negros. A arte feita por pessoas pretas no Brasil \u00e9 t\u00e3o m\u00faltipla quanto a vida desses sujeitos. As escolhas formais, os materiais, os procedimentais n\u00e3o cabem no reducionismo do negro-tema\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>AMEFRICANAS<\/em>&nbsp;&#8211; L\u00e9lia Gonzalez<\/strong>&nbsp;desenvolve a categoria pol\u00edtico-cultural de amefricanidade, cunhando o termo Amefricanas, que nomeia este n\u00facleo, al\u00e9m de situar e marcar o longo processo hist\u00f3rico de presen\u00e7a e ag\u00eancia de mulheres negras nas Am\u00e9ricas. A autora entende como neurose cultural brasileira a nega\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o plurirracial e pluricultural de nossa sociedade. \u201c\u00c9 o entendimento de que vivemos em uma cultura branca que permitiu a infiltra\u00e7\u00e3o, a influ\u00eancia e\/ou a assimila\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os culturais negros e ind\u00edgenas\u201d, analisa o trio curatorial de Dos Brasis.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, Amefricanas reconhece a import\u00e2ncia de intelectuais, artistas, escritoras, l\u00edderes pol\u00edticas e religiosas inseridas intimamente nos movimentos culturais e sociais, mas tamb\u00e9m celebra a vida comum dessas mulheres, que, cotidianamente, performam gestos de resist\u00eancia e liberdade nas imagens, representa\u00e7\u00f5es, po\u00e9ticas e autorias das Amefricanas presentes neste n\u00facleo.<\/p>\n\n\n\n<p>Amefricanas traz obras de artistas como Vera Ifasey\u00ed (RJ), Hariel Revignet (GO), Sy Gomes (CE), Renata Felinto (SP), entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>ORGANIZA\u00c7\u00c3O J\u00c1<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As formas da popula\u00e7\u00e3o negra para se organizar e resistir das viol\u00eancias da escravid\u00e3o e da colonialidade, s\u00e3o a base do pensamento que norteia a proposta do n\u00facleo Organiza\u00e7\u00e3o J\u00e1, inspirado tamb\u00e9m no pensamento de&nbsp;<strong>L\u00e9lia Gonzales.<\/strong>&nbsp;\u201cAs primeiras forma\u00e7\u00f5es de quilombos na Regi\u00e3o Nordeste datam de 1559. No encontro de heran\u00e7as culturais distintas, Palmares \u00e9 fundada como nossa primeira rep\u00fablica, a ser constantemente rememorada em movimentos de atualiza\u00e7\u00e3o de uma luta conjunta infind\u00e1vel, j\u00e1 que a viol\u00eancia racial \u2013 seja f\u00edsica, institucional, seja simb\u00f3lica \u2013 tamb\u00e9m se atualiza\u201d, explicam os curadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhos expostos neste n\u00facleo de artistas como Miguel Afa (RJ), Emanuely Luz (MA), Andr\u00e9 Vargas (RJ) e Joyce Nabi\u00e7a (PA), traduzem lutas, sejam nos centros urbanos e ou campo, hist\u00f3rias de rebeli\u00f5es e lutas. \u201cOrganizados na alegria e na celebra\u00e7\u00e3o do que somos, mais do que resistir, promovemos, fabulamos e reorientamos, em uma perspectiva negra, modos de viver\u201d, comenta o trio curador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>LEG\u00cdTIMA DEFESA<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodo escravo que mata o senhor age em leg\u00edtima defesa\u201d. Essa frase paradigm\u00e1tica dita por&nbsp;<strong>Luiz Gama<\/strong>,&nbsp;em 1881, atravessa a mem\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil. \u201cEste n\u00facleo mira o c\u00e2none, sublinha a imposs\u00edvel neutralidade do sistema da arte e sua cumplicidade com as situa\u00e7\u00f5es que estruturam o racismo\u201d, afirmam os curadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles prosseguem argumentando que \u201cpessoas negras foram, por muito tempo, as \u00fanicas em empresas, em exposi\u00e7\u00f5es, na teledramaturgia. Em muitas fam\u00edlias, ainda somos \u2018os primeiros a entrar na universidade\u2019. Assim, agir em Leg\u00edtima Defesa \u00e9 nos mover diante desses fatos at\u00e9 que possamos nos dispor ao \u00f3cio, ao relaxamento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Paula Duarte (MG), Leandro Machado (RS), Silvana Rodrigues (RS), Gabriel Lopo (MG), entre outros artistas, integram o n\u00facleo Leg\u00edtima Defesa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>BAOB\u00c1<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Baob\u00e1 \u00e9 o \u00fanico n\u00facleo que parte do t\u00edtulo de uma obra de arte: a escultura de&nbsp;<strong>Emanoel Ara\u00fajo<\/strong>, um dos mais importantes artistas da hist\u00f3ria do Brasil. Ara\u00fajo defendia a ideia de que a arte afro-brasileira \u00e9 produzida por quem negro for, alterando a perspectiva de que essa vertente seria um tema desenvolvido por brancos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAqui, reverenciamos Emanoel e outros e outras artistas e obras que continuam sendo \u00e1rvore, ramificando, florescendo, frutificando e fincando ra\u00edzes. O Baob\u00e1 do autor \u00e9 uma escultura de madeira policromada, preta, facetada por arestas em \u00e2ngulos que mant\u00eam um di\u00e1logo com os signos afrodescendentes e com a tradi\u00e7\u00e3o construtiva da arte brasileira\u201d ressaltam os curadores.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00facleo re\u00fane pe\u00e7as tot\u00eamicas (agrupamento de pessoas, dentro de determinada etnia que se considera de um determinado totem) de cenas rurais a arranha-c\u00e9us, conectando a tradi\u00e7\u00e3o dos santeiros de madeira, sob influ\u00eancia crist\u00e3 e afrorreligiosa, \u00e0 abstra\u00e7\u00e3o afro-ind\u00edgena. \u201cO ferro, a caba\u00e7a, os talos do dendezeiro s\u00e3o apresentados por artistas que vivem em cosmodin\u00e2mica com seus materiais \u2013 artistas que jamais abandonaram o sagrado, em uma rela\u00e7\u00e3o entre arte e vida mais complexa do que a estabelecida por perspectivas ditas universais\u201d, comentam os curadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Emanoel Ara\u00fajo, o n\u00facleo traz obras de nomes como Jo\u00e3o C\u00e2ndido (MG), Ana das Carrancas (PE), Madalena Santos Reinbolt (BA), M\u00f4nica Ventura (SP) etc.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A centralidade do pensamento negro no campo das artes visuais brasileiras, em diferentes tempos e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":82197,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-82196","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82196","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82196"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82196\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82199,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82196\/revisions\/82199"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82197"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}