{"id":82824,"date":"2024-05-06T10:35:55","date_gmt":"2024-05-06T13:35:55","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=82824"},"modified":"2024-05-06T10:35:57","modified_gmt":"2024-05-06T13:35:57","slug":"flipetropolis-coloca-em-pauta-assuntos-pertinentes-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2024\/05\/06\/flipetropolis-coloca-em-pauta-assuntos-pertinentes-a-sociedade\/","title":{"rendered":"Flipetr\u00f3polis coloca em pauta assuntos pertinentes a sociedade"},"content":{"rendered":"\n<p>O primeiro Festival Liter\u00e1rio Internacional de Petr\u00f3polis durou cinco dias. O evento, que come\u00e7ou na quarta-feira, 1\u00b0 de maio, terminou neste domingo (5), e j\u00e1 deixou saudades aos espectadores que tiveram a oportunidade de conhecer mais profundamente o trabalho e o contexto trazido nos textos de cada liter\u00e1rio. O festival reuniu escritores, estudiosos e pensadores, conhecidos em territ\u00f3rio nacional, internacional e regional, que trouxeram para os debates quest\u00f5es sociais, que s\u00e3o retratadas em suas obras. Um tema comum entre as mesas de bate-papo foi como a literatura \u00e9 capaz de externar os problemas de diferentes maneiras sendo consequentemente fonte de reflex\u00e3o. Uma frase que resume esse pensamento coletivo, foi dita pelo escritor Itamar Vieira Junior, durante um discurso que disse: \u201cA literatura permite adentrar as subjetividades da vida humana, causando um movimento de pensar nas quest\u00f5es humanas de outra maneira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O lugar de reflex\u00e3o fez muitos autores colocarem em xeque a hist\u00f3ria do Brasil, trazendo \u00e0 tona inquisi\u00e7\u00f5es sobre racismo, resist\u00eancia, mudan\u00e7a clim\u00e1tica, direitos humanos, desigualdade, novas formas de censura, entre outros t\u00f3picos; destacando a literatura como uma ferramenta para ajudar a refletir a hist\u00f3ria e resguardar mem\u00f3rias e caracter\u00edsticas de uma comunidade, respeitando os modos de vida e as caracter\u00edsticas lingu\u00edsticas de cada povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio aos pontos mencionados, alguns artistas compartilharam com a reportagem do Correio, seus ideais e formas de verem as constru\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias que os fazem \u00fanicos, por retratar a realidade e respeitar o corpo vivo dentro do universo da escrita, que \u00e9 capaz de atingir massas e diversas camada sociais, provocando um fen\u00f4meno de autoconhecimento. Al\u00e9m de provocar um abalo nas estruturas sociais que se mant\u00e9m em um modelo ainda muito violento em todas as esferas da sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Concei\u00e7\u00e3o Evaristo<\/p>\n\n\n\n<p>A escritora traz em seus textos mem\u00f3ria viva marcada pela ancestralidade, e de uma forma po\u00e9tica descreve fatores relacionados \u00e0 afrobrasilidade, destacando a vivencia de mulheres negras no espa\u00e7o social, perpassando por temas como discrimina\u00e7\u00e3o, injusti\u00e7a, viol\u00eancia de ra\u00e7a e g\u00eanero, entre outros temas que atravessam essas mulheres e a comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das caracter\u00edsticas de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo diz respeito \u00e0 palavra dita, uma forma de resist\u00eancia e de manuten\u00e7\u00e3o da singularidade dos indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A linguagem da norma culta,&nbsp; para ela n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica, existem diferencia\u00e7\u00f5es por conta da diversidade, esse fator precisa ser respeitado, a maneira que um m\u00e9dico fala, \u00e9 diferente de um lavador de carros e assim por diante. As pessoas s\u00e3o m\u00faltiplas e possuem viv\u00eancias diferentes. Segundo a autora, a palavra dita \u00e9 o corpo presente, o jeito que se fala carrega mem\u00f3rias e hist\u00f3rias, e isso \u00e9 o cotidiano. \u201cO grande exemplo desse cotidiano que eu tento levar para o texto \u00e9 a frase \u2018A gente combinamos de n\u00e3o morrer\u2019.&nbsp; Quero que o meu texto seja oriundo dessa oralidade, que tem corpo\u201d, fala.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com essa express\u00e3o vem o termo criado pela autora, conhecido como escreviv\u00eancia, uma conex\u00e3o das palavras escrever e viv\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu penso a escreviv\u00eancia num sentido coletivo. Quando trouxe esse termo, apresentei como&nbsp; \u2018a nossa escreviv\u00eancia\u2019, pensando justamente na escreviv\u00eancia de outras mulheres negras. Pois ele carrega&nbsp; um fundamento hist\u00f3rico e ancestral, na geologia da ideia, sendo uma revers\u00e3o da fala, como quando as mulheres africanas escravizadas dentro de casa tinham que contar hist\u00f3rias para as crian\u00e7as da casa grande. E hoje tem o sujeito mulher negra que constroi uma hist\u00f3ria, que n\u00e3o \u00e9 mais para ninar o da casa grande, e sim para incomodar.&nbsp; Ent\u00e3o \u00e9 como se essa voz que foi silenciada e escravizada explodisse, tem uma voz coletiva que se rompe libertando as vozes escravizadas dentro da casa grande. A escreviv\u00eancia carrega essa potencialidade de ser uma narrativa que explicita n\u00e3o s\u00f3 a voz do sujeito narrador, mas sim as nossas vozes e a dos nossos ancestrais, que foram caladas\u201d, expressa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jeferson Ten\u00f3rio<\/p>\n\n\n\n<p>O escritor tamb\u00e9m retrata nas obras as viv\u00eancias e os tipos de viol\u00eancia que um homem negro sofre dentro da sociedade. Um dos seus livros de destaque, chamado \u201cO Avesso da Pele\u201d onde o autor destaca que n\u00e3o \u00e9 um livro sobre racismo, mas, sim, sobre a vida e o cotidiano de uma pessoa preta em determinados espa\u00e7os sociais, sofreu censura em cerca de 18 estados brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa foi a primeira vez que o livro foi censurado por causa da linguagem, antes j\u00e1 tinha sido por conta do tema, que traz a&nbsp; viol\u00eancia policial. Desta vez, depois da surpresa veio a rea\u00e7\u00e3o das pessoas em querer saber o que est\u00e1 acontecendo, e isso fez com que a obra chegasse em diversos lugares\u201d, explicou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jeferson a censura tem aspectos sutis, assim como o racismo. \u201cExistem artimanhas que passam invis\u00edveis aos olhos, n\u00e3o \u00e9 porque um livro \u00e9 vendido que n\u00e3o seja censurado\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e1rmem L\u00facia&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ministra do Supremo Tribunal Federal, C\u00e1rmen L\u00facia, trouxe para o debate a rela\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Em sua fala, a ministra ressalta que \u00e9 importante lutar por direitos todos os dias. \u201cQue se fa\u00e7a sempre a luz a iluminar a humanidade, pelo o modelo que \u00e9 preciso lutar por direitos todos os dias\u201d, disse. Na ocasi\u00e3o, a ministra lan\u00e7ou seu livro \u201cDireito de para todos\u201d onde re\u00fane os trinta artigos da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos e apresenta, para cada um deles, interpreta\u00e7\u00f5es que mesclam hist\u00f3ria, fic\u00e7\u00e3o e um amplo olhar humanista.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Levando para um outro lado, as escritoras Ana Maria Machado e Carla Madeira falaram durante o evento sobre a literatura num outro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Maria Machado<\/p>\n\n\n\n<p>A escritora fala da import\u00e2ncia de introduzir a leitura ainda na inf\u00e2ncia. \u201c\u00c9 muito importante que as crian\u00e7as ou\u00e7am hist\u00f3rias, antes mesmo de apreenderem a ler, por que \u00e9 um mundo da imagina\u00e7\u00e3o onde ela vai entrar e viver mais vidas al\u00e9m da dela, ent\u00e3o ela pode sonhar com coisas que ela queria, externar o medo de alguma coisa, por isso&nbsp; tantas hist\u00f3rias tem bruxas gigantes, lobos de sete cabe\u00e7as, por que permite a crian\u00e7a viver o medo e resolver aquilo para que ela ultrapasse\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Ana fala que a literatura carrega uma heran\u00e7a cultural e ancestral. \u201cH\u00e1 um patrim\u00f4nio e um legado de mil\u00eanios onde as pessoas v\u00eam construindo hist\u00f3rias e mem\u00f3rias e n\u00f3s herdamos isso, ent\u00e3o temos direito de participar dessa heran\u00e7a. Quem n\u00e3o l\u00ea, perde uma parte disso, e \u00e9 profundamente injusto que algumas pessoas tenham direito a esse tesouro, mas n\u00e3o usufruem disso\u201d, fala.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Carla Madeira<\/p>\n\n\n\n<p>A autora expressa que a literatura e a escrita lidam com quest\u00f5es que atravessam cada ser. \u201cEscrever \u00e9 se colocar em escuta, \u00e9 voc\u00ea deixar o outro falar, \u00e9 o campo das possibilidades onde se pode explorar todas as camadas que um ser humano pode viver\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Por Leandra Lima\u00a0\/ Foto: Yasmim Grij\u00f3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro Festival Liter\u00e1rio Internacional de Petr\u00f3polis durou cinco dias. 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