{"id":85356,"date":"2024-06-16T19:00:00","date_gmt":"2024-06-16T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=85356"},"modified":"2024-06-16T11:18:29","modified_gmt":"2024-06-16T14:18:29","slug":"pesquisa-aponta-pulverizacao-no-mercado-de-influenciadores-digitais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2024\/06\/16\/pesquisa-aponta-pulverizacao-no-mercado-de-influenciadores-digitais\/","title":{"rendered":"Pesquisa aponta pulveriza\u00e7\u00e3o no mercado de influenciadores digitais"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por L\u00e9o Rodrigues \u2013 Ag\u00eancia Brasil &#8211; Rio de Janeiro<\/em><audio src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/223283.mp3\"><\/audio><\/p>\n\n\n\n<p>Dados preliminares de uma pesquisa apresentada durante o Festival 3i, no Rio de Janeiro, revelam que o mercado de influenciadores digitais \u00e9 caracterizado pela pulveriza\u00e7\u00e3o. O estudo buscou entender o que leva os jovens a seguir um determinado perfil nas diferentes plataformas, bem como qual \u00e9 a influ\u00eancia destes perfis na constru\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es e atitudes pol\u00edticas entre os usu\u00e1rios das redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, foram aplicados 100 question\u00e1rios. Os participantes puderam citar espontaneamente os influenciadores que seguem. Ao todo, 701 foram mencionados. Destes, 72,6% foram citados apenas uma vez e apenas 3,7% receberam cinco ou mais men\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina ocorre o mesmo fen\u00f4meno&#8221;, disse a cientista pol\u00edtica Camila Rocha, pesquisadora Centro Brasileiro de An\u00e1lise e Planejamento (Cebrap) respons\u00e1vel pela apresenta\u00e7\u00e3o dos dados durante o Festival 3i, promovido pela Associa\u00e7\u00e3o de Jornalismo Digital (Ajor). O evento come\u00e7ou quinta-feira (13) e termina neste s\u00e1bado (15). Realizado desde 2017, o encontro \u00e9 dedicado a temas variados envolvendo o jornalismo e chegou \u00e0 quarta edi\u00e7\u00e3o. A programa\u00e7\u00e3o re\u00fane especialistas em mesas de debate,&nbsp;<em>workshops&nbsp;<\/em>(cursos ou semin\u00e1rios de curta dura\u00e7\u00e3o), oficinas e outras atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do Brasil, o estudo foi realizado em mais quatro pa\u00edses e envolveu 350 participantes de 16 a 24 anos. No M\u00e9xico, tamb\u00e9m foram aplicados 100 question\u00e1rios. Em cada um dos demais tr\u00eas pa\u00edses \u2013 Chile, Col\u00f4mbia e Argentina \u2013 foram envolvidos 50 jovens. Houve ainda entrevistas com influenciadores e foram organizados grupos focais para coleta de informa\u00e7\u00f5es por meio da intera\u00e7\u00e3o com 90 participantes. A \u00edntegra dos resultados ser\u00e1 posteriormente divulgada pelo Cebrap.<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o dos influenciadores mais citados pelos entrevistados no Brasil foi liderada por Virg\u00ednia Fonseca, que recebeu 30 men\u00e7\u00f5es entre os 100 entrevistados, o dobro do segundo colocado, Carlinhos Maia. Na sequ\u00eancia, aparecem Rayssa Buq, Neymar, Mirella Santos, Mel Maia, Felipe Neto, Whindersson Nunes, Vanessa Lopes e Mari Maria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Expans\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O mercado de influenciadores digitais est\u00e1 em plena expans\u00e3o no mundo. Um relat\u00f3rio do banco Goldman Sachs divulgado no m\u00eas passado estimou que, at\u00e9 2027, esse mercado deve movimentar US$ 480 bilh\u00f5es, dobrando suas atuais dimens\u00f5es. Segundo Camila Rocha, chama a aten\u00e7\u00e3o na pesquisa o grande n\u00famero de influenciadores mais locais, que constroem rela\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximos de seus seguidores. Um exemplo \u00e9 Bianca Santos, com pouco mais de 80 mil seguidores, que concedeu entrevista ao estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu sou maquiadora profissional e, na \u00e9poca da pandemia, fui muito afetada porque eu trabalho no ramo de noivas. V\u00e1rios eventos foram cancelados ou adiados, e a\u00ed eu comecei a fazer v\u00eddeo no TikTok, no Instagram e em outras &nbsp;redes sociais. Eu viralizei e foi um mundo totalmente diferente para mim. Comecei a gravar v\u00eddeos me maquiando. Era um desafio porque eu n\u00e3o tinha costume de aparecer. Eu morria de vergonha&#8221;, disse Bianca.<\/p>\n\n\n\n<p>As tr\u00eas redes usadas com mais frequ\u00eancia pelos participantes brasileiros da pesquisa s\u00e3o Instagram, WhatsApp e Tik Tok. Os dois principais motivos que eles citaram como justificativa para seguir um influenciador foram suas atitudes coerentes e consistentes e sua especialidade no conte\u00fado que publicam. De outro lado, as principais raz\u00f5es que os levaram a deixar de acompanhar algum influenciador s\u00e3o a discord\u00e2ncia do jeito que ele pensa e o excesso de&nbsp;<em>marketing<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda conforme os resultados, a realiza\u00e7\u00e3o de obras sociais, o sorteio de pr\u00eamios e a promo\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es em benef\u00edcio de pessoas pobres s\u00e3o vistas de forma positiva pelo&nbsp;<em>fandom<\/em>, termo que tem sido usado para se referir \u00e0 comunidade digital dos f\u00e3s de uma determinada celebridade. Al\u00e9m disso, as postagens de publicidade n\u00e3o s\u00e3o um problema&nbsp;<em>a priori<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os jovens n\u00e3o acham ruim o influenciador vender produto ou curso. Eles acham leg\u00edtimo e consideram que h\u00e1 benef\u00edcios concretos para eles, inclusive. Ficam sabem de produtos \u00fateis, de cursos que de fato ensinariam&#8221;, observa Camila Rocha. Ela destaca, no entanto, que a situa\u00e7\u00e3o se altera caso ocorra uma quebra de expectativas com a promo\u00e7\u00e3o de produtos caros, de m\u00e1 qualidade ou prejudiciais aos seguidores.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostrou que a rela\u00e7\u00e3o entre o&nbsp;<em>fandom<\/em>&nbsp;e o influenciador \u00e9 sustentada pela percep\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, proximidade, autenticidade de identifica\u00e7\u00e3o, muito embora essa conex\u00e3o n\u00e3o seja absoluta e possa ser quebrada. Outra conclus\u00e3o \u00e9 que, al\u00e9m de almejar rendimentos, os jovens buscam acolhimento emocional, ainda que o uso das redes tamb\u00e9m tenha sido associado a casos de ansiedade inclusive entre os pr\u00f3prios influenciadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados obtidos no Brasil mostram ainda o atual cen\u00e1rio da competi\u00e7\u00e3o por audi\u00eancia nas redes sociais entre os ve\u00edculos jornal\u00edsticos e outros canais informativos. Uma lista pr\u00e9-elaborada foi apresentada aos participantes para que apontassem quais perfis conheciam. Oito deles tiveram pelo menos 53% de cita\u00e7\u00f5es: G1, Choquei, UOL, Hugo Gloss, Jovem Pan, Folha, Alfinetei, Fofoquei.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Chama a aten\u00e7\u00e3o uma coisa a\u00ed. Voc\u00ea tem uma altern\u00e2ncia nas primeiras posi\u00e7\u00f5es: not\u00edcia, fofoca, not\u00edcia, fofoca. D\u00e1 para ver como perfis de fofocas s\u00e3o importantes para os jovens se informarem&#8221;, observa Camila Rocha. J\u00e1 os ve\u00edculos de jornalismo independente \u2013 Ag\u00eancia P\u00fablica, Alma Preta e Intercept \u2013 tiveram entre 7% e 5% de men\u00e7\u00f5es, com exce\u00e7\u00e3o da M\u00eddia Ninja que foi reconhecida por 32%.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Influ\u00eancia pol\u00edtica<\/h2>\n\n\n\n<p>Camila Rocha lembrou que pesquisas anteriores mostraram maior alinhamento entre influenciadores digitais e l\u00edderes pol\u00edticos de extrema-direita. Ela cita o monitoramento feito pela antrop\u00f3loga Rosana Pinheiro-Machado nas elei\u00e7\u00f5es de 2022. Os resultados mostraram que 88% dos maiores influenciadores do pa\u00eds \u2013 187 de um total de 212 \u2013 haviam demonstrado alguma proximidade com o bolsonarismo nos meses anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Camila, a proje\u00e7\u00e3o de diferentes l\u00edderes pol\u00edticos na Am\u00e9rica Latina tem sido acompanhada de impulsionamentos nas redes sociais. Ela cita trabalhos dos jovens I\u00f1aki Gutierrez e Eugenia Rol\u00f3n como assessores do presidente argentino Javier Milei, al\u00e9m de lembrar que o mexicano Luis Arturo Villar Sudek, com mais 40 milh\u00f5es de inscritos em seu canal de Youtube, contribuiu para a popularidade de Nayib Bukele, presidente de El Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova pesquisa buscou levantar mais dados para compreender de que forma essa influ\u00eancia pol\u00edtica ocorre nos pa\u00edses. No Brasil, mais da metade dos entrevistados confirmaram seguir influenciadores que se posicionam politicamente. No entanto, 40% afirmaram achar ruim conversar sobre pol\u00edtica nas redes sociais e preferir abordar o tema pessoalmente. O estudo tamb\u00e9m revela que s\u00e3o mais bem recebidos os conte\u00fados pol\u00edticos &#8220;incidentais&#8221;, quando o tema parece surgir de forma natural em meio a outros assuntos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os 85 influenciadores mais citados espontaneamente pelos participantes, o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) s\u00e3o os dois \u00fanicos pol\u00edticos. De outro lado, quando perguntados diretamente se segue conte\u00fados do presidente Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva, 42% disseram que sim. O mesmo questionamento feito em rela\u00e7\u00e3o a Jair Bolsonaro gerou 30% de respostas afirmativas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Racismo<\/h2>\n\n\n\n<p>Em outro estudo, que tamb\u00e9m teve dados preliminares divulgados no Festival 3i, pesquisadores monitoraram manifesta\u00e7\u00f5es de racismo direcionadas a 26 personalidades, como o ator L\u00e1zaro Ramos, a jornalista Fl\u00e1via Oliveira, a influenciadora Nath Finan\u00e7as, o atleta Vin\u00edcius J\u00fanior e a fil\u00f3sofa Djamila Ribeiro. Foram mapeadas centenaas de postagens em seus perfis de m\u00eddias sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Conduzido pela centro de pesquisas Al\u00e1fia Lab, o estudo identificou quatro estrat\u00e9gias discursivas. A primeira \u00e9 a desumaniza\u00e7\u00e3o, com manifesta\u00e7\u00f5es em postagens que muitas vezes n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a quest\u00e3o racial e que frequentemente envolvem o uso&nbsp;<em>emojis&nbsp;<\/em>de macaco e banana. A segunda estrat\u00e9gia \u00e9 a desqualifica\u00e7\u00e3o de atos e de comportamentos, com ataques \u00e0 religi\u00e3o, profiss\u00e3o e espa\u00e7os que frequentam. A terceira \u00e9 a invisibiliza\u00e7\u00e3o, por meio da qual o agressor reduz a express\u00e3o das pessoas negras a &#8220;vitimismo&#8221;. Por \u00faltimo, a desinforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi identificada como estrat\u00e9gia, por exemplo, atrav\u00e9s da propaga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas sobre a hist\u00f3ria da escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisadora e diretora da Al\u00e1fia Lab, Nina Santos, observou-se um aumento no n\u00edvel dos ataques quando outros perfis interagem com as personalidades monitoradas. &#8220;\u00c9 extremamente alto quando uma postagem &#8216;fura a bolha&#8217;, saindo sai daquele ambiente onde est\u00e3o principalmente pessoas interessadas em seguir pessoas negras e chegando a um ambiente que \u00e9 muito maior&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nina ressaltou que os autores de manifesta\u00e7\u00f5es racistas t\u00eam estrat\u00e9gias para fugir da modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado. &#8220;Todo mundo que acompanha o debate sobre a regula\u00e7\u00e3o de plataformas digitais e sobre a liberdade de express\u00e3o sabe que a quest\u00e3o da modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado \u00e9 um dos grandes cernes do problema: o que deve ou n\u00e3o deve ser moderado. Eu n\u00e3o vou entrar nesse debate aqui, mas o fato \u00e9 que \u00e9 j\u00e1 existem alguns mecanismos de modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado voltados para a quest\u00e3o racial em alguns plataformas. Tamb\u00e9m existem formas para escapar dessa modera\u00e7\u00e3o, como modificando algumas palavras com o uso de n\u00fameros no lugar de letras ou omitindo algumas letras.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: N\u00e1dia Franco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por L\u00e9o Rodrigues \u2013 Ag\u00eancia Brasil &#8211; Rio de Janeiro Dados preliminares de uma pesquisa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":85357,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-85356","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85356","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85356"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85356\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85358,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85356\/revisions\/85358"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85357"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}