{"id":95225,"date":"2024-12-04T11:14:45","date_gmt":"2024-12-04T14:14:45","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=95225"},"modified":"2024-12-04T11:14:50","modified_gmt":"2024-12-04T14:14:50","slug":"hora-trabalhada-de-pessoa-branca-vale-677-mais-que-a-de-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2024\/12\/04\/hora-trabalhada-de-pessoa-branca-vale-677-mais-que-a-de-negros\/","title":{"rendered":"Hora trabalhada de pessoa branca vale 67,7% mais que a de negros"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Disparidade est\u00e1 presente em todas as escolaridades<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Bruno de Freitas Moura \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil \/ Foto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<br><\/p>\n\n\n\n<p>A hora trabalhada de uma pessoa branca vale 67,7% mais que a de trabalhadores pretos e pardos. Enquanto negros \u2013 conjunto de pretos e pardos \u2013 recebem R$ 13,70 em m\u00e9dia, os brancos recebem R$ 23. Invertendo a ordem, significa tamb\u00e9m dizer que negros recebem por hora 40% a menos que os brancos.&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1622346&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1622346&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>O dado que revela uma das faces da desigualdade racial no pa\u00eds faz parte da S\u00edntese de Indicadores Sociais, divulgada nesta quarta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao observar a diferen\u00e7a racial pela escolaridade, foi poss\u00edvel notar que os brancos recebem mais que os pretos e pardos pela hora trabalhada em todos os n\u00edveis. Entre os sem instru\u00e7\u00e3o ou fundamental incompleto, por exemplo, a diferen\u00e7a \u00e9 de 30%.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior disparidade \u00e9 entre os trabalhadores com ensino superior completo, quando os brancos recebem 43,2% mais pela hora trabalhada \u2013 R$ 40,24 contra R$ 28,11.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo traz tamb\u00e9m o tamanho da desigualdade no rendimento m\u00e9dio real da popula\u00e7\u00e3o. Enquanto a m\u00e9dia salarial geral no pa\u00eds ficou em R$ 2.979, a m\u00e9dia do sal\u00e1rio dos brancos \u00e9 R$ 3.847, superando em 69,9% o valor dos negros \u2013 R$ 2.264.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao comparar com dados de 2019, \u00faltimo ano antes da pandemia de covid-19, a pesquisadora do IBGE Denise Guichard Freire contextualiza que a desigualdade racial referente aos rendimentos diminuiu \u2013 em 2019 estava em 74,9%, mas permanece em patamar \u201cextremamente elevado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPretos ou pardos normalmente est\u00e3o inseridos em ocupa\u00e7\u00f5es que pagam menos, como constru\u00e7\u00e3o, agropecu\u00e1ria, servi\u00e7o dom\u00e9stico; enquanto a popula\u00e7\u00e3o branca normalmente est\u00e1 inserida em ocupa\u00e7\u00f5es que pagam rendimento maior, como informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Essa diferen\u00e7a estrutural que acontece no rendimento m\u00e9dio real permanece\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da redu\u00e7\u00e3o de 2019 e 2023, ao analisar a desigualdade racial na remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia nos dois \u00faltimos anos da pesquisa (2022 e 2023), verifica-se que houve aumento da disparidade, de 65% para 69,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Denise Freire, \u00e9 um efeito que tem a ver com a posi\u00e7\u00e3o ocupada pelas pessoas em um ano marcado pela recupera\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o branca tem mais facilidade nessa retomada do mercado de trabalho que a popula\u00e7\u00e3o preta ou parda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desigualdade por sexo<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa faz ainda uma an\u00e1lise por sexo, que mostra homens superando mulheres em termos de rendimento m\u00e9dio recebido. Eles ganham R$ 3.271 contra R$ 2.588 das brasileiras, ou seja, 26,4% a mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao valor da hora trabalhada, os pesquisadores apuraram que o valor recebido pelos homens foi de R$ 18,81 em 2023, tendo sido 12,6% maior que o das mulheres (R$ 16,70).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs resultados indicam a exist\u00eancia de desigualdade estrutural, dado que esses diferenciais, salvo pequenas oscila\u00e7\u00f5es, foram encontrados em todos os anos de 2012 a 2023\u201d, frisa o IBGE. A desagrega\u00e7\u00e3o por cor ou ra\u00e7a, assim como o recorte por sexo, s\u00e3o tamb\u00e9m fundamentais para o reconhecimento das desigualdades no Brasil\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Informalidade<\/h2>\n\n\n\n<p>Os dados de emprego do IBGE levam em considera\u00e7\u00e3o o universo da popula\u00e7\u00e3o com 14 anos ou mais de idade e todas as formas de trabalho. O n\u00edvel de informalidade \u00e9 mais uma forma de enxergar a desigualdade racial no mercado de trabalho do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, a propor\u00e7\u00e3o de pessoas em ocupa\u00e7\u00f5es informais era de 40,7%. Mas ao se analisar por cor, identifica-se que a informalidade entre os brancos era de 34,3%. J\u00e1 entre os negros 45,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhador informal \u00e9 o que n\u00e3o tem garantido direitos como f\u00e9rias, contribui\u00e7\u00e3o para a previd\u00eancia social e 13\u00ba sal\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A publica\u00e7\u00e3o do IBGE registra que os dados correspondem \u201ca uma caracter\u00edstica estrutural do mercado de trabalho brasileiro desfavor\u00e1vel aos trabalhadores de cor ou ra\u00e7a preta ou parda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores se debru\u00e7aram tamb\u00e9m em dados da chamada subutiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra brasileira. S\u00e3o pessoas que est\u00e3o desocupadas, que t\u00eam jornada de no m\u00e1ximo 30 horas semanais e gostariam de trabalhar mais, que procuraram trabalho e as que n\u00e3o chegaram a buscar, mas querem uma ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de subutiliza\u00e7\u00e3o foi de 18% em 2023, sendo que para os brancos somou 13,5%. J\u00e1 para pretos e pardos, 21,3%. A desigualdade est\u00e1 presente tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao sexo. Para os homens a taxa foi de 14,4%, superando a das mulheres, 22,4%.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cuidado familiar n\u00e3o remunerado<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa mostra ainda que o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o brasileira fechou 2023 em 57,6%, sendo que entre homens foi 20 pontos percentuais maior que entre mulheres \u2013 67,9% contra 47,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisadora Denise Freire, \u00e9 uma disparidade historicamente presente no mercado de trabalho no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o tende a ser menor para as mulheres do que para os homens apesar da maior escolaridade das mulheres, por conta do trabalho n\u00e3o remunerado: dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho dom\u00e9stico e aos cuidados com parentes etc.\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>A remunera\u00e7\u00e3o do cuidado familiar foi um dos temas discutidos por ativistas pela igualdade de g\u00eanero, conforme mostrou a&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2024-07\/grupo-de-engajamento-do-g20-defende-remuneracao-do-cuidado-familiar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">durante as reuni\u00f5es preparat\u00f3rias<\/a>&nbsp;para a reuni\u00e3o do G20 (grupo das 19 maiores economias do mundo mais Uni\u00e3o Europeia e Uni\u00e3o Africana), que aconteceu em novembro, no Rio de Janeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disparidade est\u00e1 presente em todas as escolaridades Por Bruno de Freitas Moura \u2013 Rep\u00f3rter da<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":95226,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-95225","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95225","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95225"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95225\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95227,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95225\/revisions\/95227"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95226"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95225"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95225"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95225"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}