{"id":98829,"date":"2025-02-08T05:00:00","date_gmt":"2025-02-08T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=98829"},"modified":"2025-02-07T15:13:07","modified_gmt":"2025-02-07T18:13:07","slug":"redes-da-meta-facilitam-aplicacao-de-golpes-financeiros-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2025\/02\/08\/redes-da-meta-facilitam-aplicacao-de-golpes-financeiros-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"Redes da Meta facilitam aplica\u00e7\u00e3o de golpes financeiros, aponta estudo"},"content":{"rendered":"\n<p>O Laborat\u00f3rio de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), vinculado \u00e0 Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicou na \u00faltima quarta-feira (5) os resultados de um estudo sobre a presen\u00e7a de an\u00fancios maliciosos nas redes sociais administradas pela Meta, como Facebook, Instagram e WhatsApp. O objetivo foi ampliar o conhecimento sobre a publicidade enganosa, por meio\u00a0da qual s\u00e3o aplicados golpes aos cidad\u00e3os brasileiros. Os resultados indicam que as plataformas da Meta est\u00e3o sendo vistas por golpistas como um terreno f\u00e9rtil para a pr\u00e1tica de fraudes.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1629448&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1629448&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo envolveu um intenso monitoramento entre 10 e 21 de janeiro deste ano. Esse per\u00edodo coincide com os desdobramentos da&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2025-01\/receita-federal-amplia-monitoramento-de-cartao-de-credito-e-pix\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">edi\u00e7\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o Normativa 2.219\/2024 pela Receita Federal<\/a>. O texto fixou a obrigatoriedade de operadoras de cart\u00f5es de cr\u00e9dito e institui\u00e7\u00f5es de pagamento apresentarem semestralmente determinadas informa\u00e7\u00f5es sobre opera\u00e7\u00f5es financeiras de contribuintes. A medida, que passou a valer a partir de 1\u00ba de janeiro de 2025, desencadeou uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2025-01\/agu-pede-que-policia-federal-investigue-fake-news-relacionadas-ao-pix\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">onda de not\u00edcias falsas<\/a>, segundo&nbsp;as quais as transa\u00e7\u00f5es por Pix passariam a ser taxadas. Pressionado pela dissemina\u00e7\u00e3o das&nbsp;<em>fake news<\/em>, o governo federal acabou decidindo&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2025-01\/receita-revoga-ato-normativo-que-previa-fiscalizacao-do-pix\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">revogar a nova regra<\/a>&nbsp;no dia 15 de janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisa, a onda de not\u00edcias falsas fomentou d\u00favidas na popula\u00e7\u00e3o, e estelionat\u00e1rios aproveitaram o momento para aplicar golpes. Ao todo, foram identificados 151 anunciantes que compartilharam 1.770 an\u00fancios com conte\u00fado malicioso. Tamb\u00e9m foram mapeados 87&nbsp;<em>sites<\/em>&nbsp;fraudulentos para os quais os usu\u00e1rios eram redirecionados. Ao anunciar a revoga\u00e7\u00e3o, o governo se justificou afirmando que o recuo buscava, entre outras coisas, frear a circula\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o. A an\u00e1lise do NetLab indica que, em rela\u00e7\u00e3o aos an\u00fancios fraudulentos, o objetivo n\u00e3o foi atingido. Ao contr\u00e1rio, nas plataformas da Meta, esses conte\u00fados cresceram 35% ap\u00f3s o recuo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em muitos casos, os an\u00fancios recorreram \u00e0 simula\u00e7\u00e3o de p\u00e1ginas de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas. Em 40,5%, eles foram veiculados por anunciantes que se passavam pelo governo federal. Os pesquisadores do NetLab observam que os an\u00fancios exploram a desinforma\u00e7\u00e3o em torno das pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 inclus\u00e3o financeira. Chamou a aten\u00e7\u00e3o deles que, entre as pe\u00e7as publicit\u00e1rias fraudulentas, aparecem promessas de acesso tanto a programas governamentais reais como tamb\u00e9m a outros fict\u00edcios. Resgata Brasil, Benef\u00edcio Cidad\u00e3o, Brasil Beneficiado e Compensa\u00e7\u00e3o da Virada s\u00e3o alguns nomes utilizados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O fato de estas p\u00e1ginas terem obtido a permiss\u00e3o para veicular an\u00fancios em nome do governo evidencia as fragilidades dos processos de verifica\u00e7\u00e3o de anunciantes da Meta&#8221;, registra o estudo. Os golpistas ofereciam servi\u00e7os para identificar valores que os usu\u00e1rios teriam direito a receber ou anunciavam a possibilidade de resgate de dinheiro de determinado benef\u00edcio. Os usu\u00e1rios eram eventualmente levados a crer que precisavam pagar taxas antecipadas para ter acesso a estes servi\u00e7os. Alguns desses an\u00fancios tamb\u00e9m promoviam guias fraudulentos que instru\u00edam consumidores a \u201cdriblarem a taxa\u00e7\u00e3o do Pix.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para os pesquisadores, o alcance das fraudes tem sido maximizado pela utiliza\u00e7\u00e3o das ferramentas de&nbsp;<em>marketing<\/em>&nbsp;disponibilizadas pela Meta, que permitem o impulsionamento de an\u00fancios maliciosos e seu direcionamento para p\u00fablicos segmentados de acordo com crit\u00e9rios demogr\u00e1ficos, geogr\u00e1ficos e interesses dos usu\u00e1rios. Eles criticam a falta de transpar\u00eancia no tratamento dos dados pessoais e veem uma falta de controle e de seguran\u00e7a contra a publicidade enganosa, o que favorece a aplica\u00e7\u00e3o de crimes digitais no Facebook, no Instagram e no WhatsApp.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o NetLab, ao permitir o direcionamento de an\u00fancios fraudulentos para p\u00fablicos espec\u00edficos, as ferramentas da Meta d\u00e3o aos golpistas a capacidade de atingir as v\u00edtimas ideais. &#8220;H\u00e1 no pa\u00eds uma vasta popula\u00e7\u00e3o \u00e1vida&nbsp;por oportunidades de ascens\u00e3o social, que precisa de suporte e pol\u00edticas p\u00fablicas do Estado para mudar de vida, o que faz com que os mais necessitados se tornem um alvo priorit\u00e1rio de golpes&nbsp;<em>online<\/em>&#8220;, registra o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, a Meta afirmou em nota que an\u00fancios que tenham como objetivo enganar, fraudar ou explorar terceiros n\u00e3o s\u00e3o permitidos em suas plataformas. &#8220;Estamos sempre aprimorando a nossa tecnologia para combater atividades suspeitas. Tamb\u00e9m recomendamos que as pessoas denunciem quaisquer conte\u00fados que acreditem ir contra os Padr\u00f5es da Comunidade do Facebook, as Diretrizes da Comunidade do Instagram e os Padr\u00f5es de Publicidade da Meta atrav\u00e9s dos pr\u00f3prios aplicativos&#8221;, acrescenta o texto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Intelig\u00eancia artificial<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo revelou que em 1.244 dos an\u00fancios fraudulentos, 70,3% do total, houve uso de ferramentas de intelig\u00eancia artificial. Foram encontrados v\u00eddeos que podem ser enquadrados como&nbsp;<em>deepfakes<\/em>&nbsp;(falsifica\u00e7\u00e3o profunda, em tradu\u00e7\u00e3o livre). As ferramentas foram largamente utilizadas para manipular a imagem do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), protagonista da campanha pela revoga\u00e7\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o Normativa 2.219\/2024. Ao todo, adultera\u00e7\u00f5es envolvendo o parlamentar aparecem em 561 an\u00fancios, sendo 70% destes veiculados ap\u00f3s o recuo do governo federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Um deles faz uso de uma publica\u00e7\u00e3o original compartilhada por Nikolas em suas redes sociais, na qual comemorava a revoga\u00e7\u00e3o das novas regras e alegava que o trabalhador brasileiro poderia se tranquilizar por poder \u201cusar o Pix sem a lupa do governo\u201d. O an\u00fancio, por\u00e9m, manipula o trecho final do v\u00eddeo e mostra o parlamentar anunciando o lan\u00e7amento de uma medida que garantiria o reembolso parcial de gastos realizados com cart\u00e3o de cr\u00e9dito nos \u00faltimos meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tenha sido o principal alvo das manipula\u00e7\u00f5es, Nikolas n\u00e3o foi a \u00fanica personalidade p\u00fablica que teve sua imagem explorada nos an\u00fancios fraudulentos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, \u00e9 outro que aparece em diferentes v\u00eddeos adulterados. Tamb\u00e9m h\u00e1 conte\u00fados que utilizam as imagens do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ex-presidente Jair Bolsonaro,&nbsp;dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL) e Fred Linhares (Republicanos) e&nbsp;do jornalista William Bonner, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha no ano passado aponta que fraudes baseadas em Pix e em boletos banc\u00e1rios s\u00e3o os tipos de crimes digitais que mais geram receitas no Brasil, causando um preju\u00edzo de R$ 25,5 bilh\u00f5es por ano aos consumidores. Tamb\u00e9m em 2024, identificar a origem dos golpes financeiros no pa\u00eds foi o foco de um levantamento realizado pela Silverguard, uma empresa de tecnologia que oferece servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o financeira digital.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho revelou que 79,3% dos casos denunciados por v\u00edtimas por meio&nbsp; da plataforma SOS Golpe se iniciaram em alguma das tr\u00eas plataformas da Meta, sendo 39% no WhatsApp, 22,6% no Instagram e 17,7% no Facebook. Os resultados apontaram tamb\u00e9m que 7,3% dos golpes tiveram origem no Telegram e 5% em uma das duas plataformas do Google: o sistema de busca ou o YouTube. O&nbsp;restante&nbsp;foi&nbsp;associado&nbsp;a aplicativos de jogos, TikTok,&nbsp;<em>e-mail<\/em>&nbsp;e outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os pesquisadores do NetLab, diferentes estudos t\u00eam apontado as fragilidades no controle de conte\u00fado publicit\u00e1rio pelas plataformas da Meta. Eles apontam que uma das consequ\u00eancias \u00e9 a perda de credibilidade das institui\u00e7\u00f5es governamentais e p\u00fablicas. Isso porque, com o alto volume de an\u00fancios fraudulentos, se reduz a capacidade dos usu\u00e1rios de identificar os an\u00fancios aut\u00eanticos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m preocupa\u00e7\u00f5es envolvendo as&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2025-01\/meta-reforca-uma-agenda-pol%C3%ADtica-destrutiva-repudia-fndc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">altera\u00e7\u00f5es nas regras das redes sociais Facebook e Instagram<\/a>&nbsp;que foram anunciadas recentemente por Mark Zuckerberg, presidente executivo da Meta. Entre elas est\u00e1 o fim do programa de checagem de fatos e outras mudan\u00e7as envolvendo modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, como a redu\u00e7\u00e3o na utiliza\u00e7\u00e3o de filtros que buscam por publica\u00e7\u00f5es que violam os termos de uso.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o NetLab, h\u00e1 incertezas sobre o alcance dessas medidas. &#8220;A aus\u00eancia de men\u00e7\u00e3o espec\u00edfica \u00e0 modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado publicit\u00e1rio por Zuckerberg em sua fala n\u00e3o deixa claro se as mudan\u00e7as impactam a circula\u00e7\u00e3o de an\u00fancios fraudulentos&#8221;, registra o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e9o Rodrigues &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br>Foto: \u00a9 Marcello Casal jr\/Ag\u00eancia Brasil<br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Laborat\u00f3rio de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), vinculado \u00e0 Universidade Federal do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":98830,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-98829","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98829"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98829\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":98831,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98829\/revisions\/98831"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98830"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}