{"id":99182,"date":"2025-02-15T07:00:00","date_gmt":"2025-02-15T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=99182"},"modified":"2025-02-14T17:18:55","modified_gmt":"2025-02-14T20:18:55","slug":"vulnerabilidade-social-e-os-eventos-climaticos-extremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2025\/02\/15\/vulnerabilidade-social-e-os-eventos-climaticos-extremos\/","title":{"rendered":"Vulnerabilidade social e os eventos clim\u00e1ticos extremos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Leandra Lima\/ Foto: Thiago Alvarez<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>15 fevereiro e 20 mar\u00e7o de 2022 s\u00e3o datas que ficar\u00e3o para sempre na hist\u00f3ria de Petr\u00f3polis. Na ocasi\u00e3o uma trag\u00e9dia socioambiental atingiu o munic\u00edpio, deixando 235 mortos e cerca de quatro mil desabrigados. Neste s\u00e1bado (15), se completa tr\u00eas anos do epis\u00f3dio, com isso sobrev\u00e9m um debate em diferentes esferas sociais sobre o modelo de cidade que a regi\u00e3o est\u00e1 inserida, pois h\u00e1 um grande hist\u00f3rico de desastres, como a do Vale do Cuiab\u00e1 em 2011, que deixou 72 mortos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que o tempo tenha passado, a cidade ainda n\u00e3o est\u00e1 preparada para receber grandes chuvas, isso pode ser observado nos \u00faltimos temporais de mar\u00e7o de 2024, onde foram registradas diversas ocorr\u00eancias, inclusive tr\u00eas mortes, ap\u00f3s deslizamento no bairro Independ\u00eancia. Nessas const\u00e2ncias de eventos clim\u00e1ticos extremos, foi observado por ativistas sociais e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, as regi\u00f5es que mais sofrem com tais problem\u00e1ticas, tendo elas uma caracter\u00edstica em comum: a maior parte se encontra em \u00e1reas vulner\u00e1veis com maioria da popula\u00e7\u00e3o marginalizada, que sofre com falta de saneamento b\u00e1sico e problemas de infraestrutura. Esse cen\u00e1rio \u00e9 lido como &#8220;Racismo Ambiental&#8221;, pois perpassa pelo aspecto social e racial, onde o grupo vulner\u00e1vel s\u00e3o os mais suscet\u00edveis a enfrentar as consequ\u00eancias do fator socioambiental.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Racismo Ambiental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um termo que entrela\u00e7a a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra, ind\u00edgena, latinas e as minorias quando se trata de espa\u00e7os na sociedade. Em sua maioria, esses grupos s\u00e3o afetados diretamente pela degrada\u00e7\u00e3o ambiental, sendo expostos a riscos ambientais nocivos \u00e0 sa\u00fade, dos quais s\u00e3o atingidos por enchentes, polui\u00e7\u00e3o entre outras situa\u00e7\u00f5es causadas pela falta de infraestrutura, que deveria ser garantida pelo estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso evidencia cada vez mais as consequ\u00eancias de n\u00e3o ter pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas ao assunto, por isso uma s\u00e9rie de articula\u00e7\u00f5es promovidas pela sociedade civil atrav\u00e9s do Instituto Todos Juntos Ningu\u00e9m Sozinho (TJNS), e o legislativo, por meio da mandata da vereadora J\u00falia Cassamasso (Psol), integrando outros poderes est\u00e3o sendo criadas. O TJNS \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental, que atua desde 2020 em Petr\u00f3polis com trabalhos de enfrentamento \u00e0 fome, \u00e0 pobreza e ao racismo ambiental, lutando por justi\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa integra\u00e7\u00e3o, um dos desdobramentos foi a lei N\u00ba 4730\/2023 que institui o Dia Municipal de Enfrentamento ao Racismo Ambiental no calend\u00e1rio municipal da cidade. O projeto \u00e9 de autoria da ativista Pamela M\u00e9rcia, que \u00e9 idealizadora do projeto, que auxilia diversas fam\u00edlias em vulnerabilidade Social e tamb\u00e9m promove cursos direcionados ao tema tratado na lei.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei aprovada demarca o &#8220;Dia Municipal de Enfrentamento ao Racismo Ambiental&#8221; a ser comemorado anualmente no dia 20 de mar\u00e7o, per\u00edodo que foi marcado pela segunda trag\u00e9dia. Na justificativa do projeto \u00e9 apontada a import\u00e2ncia de se falar do assunto que n\u00e3o \u00e9 de grande conhecimento de muitos. &#8220;A injusti\u00e7a socioambiental \u00e9 historicamente segregat\u00f3ria e afeta diretamente o acesso \u00e0 seguran\u00e7a, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade, o que leva a um ciclo vicioso de desvantagem social e econ\u00f4mica daqueles que habitam em lugares de risco. Indicadores sociais revelam que as \u00e1reas de maior risco ambiental s\u00e3o habitadas em sua maioria por uma popula\u00e7\u00e3o negra, de baixa renda, assim como \u00e9 alto o \u00edndice de domic\u00edlios chefiados por mulheres negras&#8221;, trecho do documento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Import\u00e2ncia da articula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A frente socioambiental comandada por D\u00e9bora Pena e Ester Guerra, da mandata da parlamentar J\u00falia, ressaltaram a import\u00e2ncia da articula\u00e7\u00e3o com o TJNS. &#8220;Nosso primeiro encontro, enquanto mandato, com TJNS aconteceu em 2023 no curso sobre enfrentamento ao racismo ambiental e crise clim\u00e1tica. Ap\u00f3s, realizamos um f\u00f3rum onde foi capturado atrav\u00e9s de demandas das comunidades, interven\u00e7\u00f5es e encaminhamentos para serem apresentados para popula\u00e7\u00e3o de modo geral e para o executivo, via legislativo. Esse encontro desdobrou a constru\u00e7\u00e3o e o lan\u00e7amento das chamadas diretrizes para o enfrentamento ao racismo ambiental e a crise clim\u00e1tica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a frente, Petr\u00f3polis \u00e9 uma das cidades com mais casos e com um dos maiores \u00edndices sobre desastres socioambientais. Em 2024, o munic\u00edpio liderou o ranking nacional, como local com maior n\u00famero de ocorr\u00eancias de deslizamentos e inunda\u00e7\u00f5es. &#8220;\u00c9 urgente lutar por um outro modelo de cidade, modelo este que n\u00e3o nega os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e que coloca acima de tudo a vida das fam\u00edlias&#8221;, afirma Ester Guerra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impacto Social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o ainda \u00e9 muito fr\u00e1gil, em dezembro do ano passado, o Governo do Estado, por meio do departamento de recursos minerais, e o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Rio de Janeiro publicou um mapeamento dos riscos geol\u00f3gicos em Petr\u00f3polis. O documento aponta que existem 1.755 setores, e mais de 15 mil constru\u00e7\u00f5es expostas a riscos na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto das trag\u00e9dias socioambientais no munic\u00edpio, englobam diversas quest\u00f5es que v\u00e3o de infraestrutura \u00e0 sa\u00fade mental e f\u00edsica, al\u00e9m da integridade dos indiv\u00edduos. Esse fato, foi um dos pontos levados, pela representante do Instituto Todos Juntos Ningu\u00e9m Sozinho, Pamela M\u00e9rcia, em uma audi\u00eancia p\u00fablica, realizada em 2024, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que discutiu a &#8216;Pol\u00edtica Clim\u00e1tica&#8217; dentro do Estado, onde destaca a necessidade de ter um olhar mais humanizado para a causa. &#8220;\u00c9 importante se ter um plano de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica em Petr\u00f3polis, que olhe para o psicol\u00f3gico dessas pessoas, principalmente por conta dos in\u00fameros casos de ocorr\u00eancias de deslizamentos, desalojados, v\u00edtimas fatais entre outros&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O inesquec\u00edvel 15 de fevereiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Hist\u00f3rico social da &#8220;Cidade Imperial&#8221; \u00e9 poss\u00edvel identificar os locais mais atingidos pelas trag\u00e9dias decorrentes. Destacando a vulnerabilidade em que a maior parte dos atingidos se encontram e tamb\u00e9m identificar falhas na pol\u00edtica assistencial, como por exemplo brechas na lei que dificultam o acesso \u00e0 moradia, os programas sociais como o &#8216;Aluguel Social&#8217; n\u00e3o atendem toda a parcela que necessita de aux\u00edlio para recome\u00e7ar do zero. As pol\u00edticas p\u00fablicas para os sobreviventes n\u00e3o s\u00e3o o suficiente para assegurar uma restaura\u00e7\u00e3o completa. &#8220;O dia 15 de fevereiro \u00e9 uma data que n\u00e3o podemos esquecer. Todos n\u00f3s ficamos reflexivos e emocionalmente afetados por ela. Em 2022, vimos a m\u00e1 gest\u00e3o da cidade permitir que um desastre socioambiental arrancasse nossas casas, nossos bens e o pior, vidas de familiares e amigos queridos. 15 fevereiro \u00e9 o dia de luta por repara\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a. N\u00f3s temos a tarefa de anunciar uma cidade que encare de frente os problemas socioambientais que enfrentamos h\u00e1 d\u00e9cadas. \u00c9 preciso dizer com todas as letras, a cidade n\u00e3o est\u00e1 preparada. E essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para nos mobilizar constantemente na preven\u00e7\u00e3o. Ainda temos muito para avan\u00e7ar&#8221;, destacou a vereadora J\u00falia Cassamasso.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a parlamentar, em 2023 a mandata fiscalizou todos os pontos de apoio, diante desse diagn\u00f3stico, foi criado a Lei determina a cria\u00e7\u00e3o de locais estrat\u00e9gicos para garantir seguran\u00e7a e assist\u00eancia prestada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em risco. &#8220;Em 2024, aprovamos a pol\u00edtica municipal para funcionamento desses equipamentos, mas esses foram os primeiros passos. \u00c9 fundamental inverter a forma como encaramos a adapta\u00e7\u00e3o da cidade. N\u00e3o d\u00e1 para sempre repararmos depois que a chuva j\u00e1 fez o seu estrago. \u00c9 preciso ter preven\u00e7\u00e3o constante. \u00c9 urgente novo modelo de cidade, com plano de moradia popular, com projetos de urbaniza\u00e7\u00e3o dos distritos, com garantia de emprego, renda e vida digna, \u00e9 urgente enfrentar a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, combater os alugu\u00e9is caros, a l\u00f3gica das \u00e1reas centrais para os ricos e os bairros afastados, sem infraestrutura e com alto risco, a mudan\u00e7a precisa ser estrutural&#8221;, enfatizou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Leandra Lima\/ Foto: Thiago Alvarez 15 fevereiro e 20 mar\u00e7o de 2022 s\u00e3o datas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":99183,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-99182","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99182"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99182\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":99184,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99182\/revisions\/99184"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/99183"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}