Eleições: Petrópolis confirma antipetismo
Petrópolis confirmou o antipetismo na eleição à presidência no domingo (2). Entre os eleitores petropolitanos, o favoritismo ao atual presidente Jair Bolsonaro (PL) foi confirmado nas urnas com 55,23% dos votos válidos, já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) somou 33,98%. A derrota do PT no primeiro turno de eleições presidenciais tem sido um padrão na cidade. Desde 1998, o partido de Lula ganhou apenas uma vez, quando foi eleito presidente pela primeira vez em 2002.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), naquele ano, o petista teve 42,79% contra 33,86% de Garotinho, o segundo colocado. Em 2006 e 2022, Lula ainda conseguiu segurar o segundo lugar, já seus “ungidos” – Dilma Rousseff e Fernando Haddad – ficaram em terceiro lugar quando estiveram na disputa. O pior resultado foi em 2018, quando Haddad teve apenas 9,57% dos votos, atrás de Ciro Gomes (14,99%) e Bolsonaro (62,44%).
Na política local, o cenário é um pouco diferente. Em 2000, o prefeito Rubens Bomtempo se elegeu pelo PDT. Já em 2004, a reeleição veio pelo PSB, partido do atual vice de Lula, Geraldo Alckmin. Seu sucessor e atual vice-prefeito, Paulo Mustrangi, foi eleito pelo PT em 2008, enquanto Bomtempo retornou em 2012 e 2020 pelo PSB.
Para o cientista político e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), George Gomes Coutinho, um dos pontos que explica essa diferença é que Alckmin não faz parte do quadro histórico do PSB. Além disso, a própria dinâmica local implica no comportamento do eleitor. “Não é incomum ter arranjos regionais e locais que, por vezes, neguem alianças nacionais. O que explica isso é a dinâmica local”, afirma.
Para o jornalista, cientista político e professor, Eduardo Jorge, há ainda o fato da personalização de Bomtempo. “Temos uma liderança personalista do Rubens, que independente do partido ao qual está filiado, é na figura dele que o petropolitano vota. E o fato de o PT não ter em Petrópolis características de um partido forte, para considerar a cidade como seu reduto. Mesmo as eleições do PT para prefeito foram em condições muito especiais”, disse.
Já Coutinho explica que o crescimento do bolsonarismo no Estado, de uma forma geral, está ligada ao antipetismo, que se tornou mais notório e eficiente do que se imaginava. A outra explicação é pela identificação do eleitor com valores conservadores.
“Esse eleitor tradicionalista demonstrou sua preferência. Para ele, a despeito das questões econômicas, da pandemia e das dificuldades do governo Bolsonaro no internacional, esses elementos que chamo de tradicionais soaram suficientes para que o governo Bolsonaro fosse reconduzido. Teve uma votação muito expressiva e indiscutível”, disse Coutinho.
Eduardo Jorge considera que Petrópolis vive um reflexo de um fenômeno nacional, principalmente dos estados do centro-sul. “Existe um crescimento do bolsonarismo no centro-sul brasileiro desde 2018. O Bolsonaro é uma representação de uma reação ao lulopetismo”, explicou.
Por: Por Wellington Daniel/Foto: José Cruz, arquivo, Agência Brasil

