Envio de radar meteorológico, essencial para sinalizar fortes chuvas em Petrópolis, ainda é incerto

O radar meteorológico Banda X foi solicitado durante uma audiência pública realizada pela comissão do Senado na Câmara dos Vereadores de Petrópolis, em abril deste ano. Na época, os senadores se comprometeram em trazer uma emenda para a compra de um radar meteorológico mais preciso para o município de Petrópolis que, possivelmente, também funcionaria para outras cidades da Região Serrana.

Mas, mesmo após as emendas serem enviadas pelo senado à cidade, os valores não incluem a compra do radar, que custaria entre R$ 3 e 5 milhões. “Infelizmente no dia 10 de novembro recebemos a notícia de que o recurso, por Emenda Parlamentar do Senado não seria aplicado porque, infelizmente, o Comando Maior da Aeronáutica tinha dado a informação de que eles não receberiam mais o radar na sua estrutura. Mesmo sem nenhum recurso para a realização do processo licitatório”, explicou a procuradora de justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro, Denise Tarin.

O radar meteorológico Banda X é o equipamento ideal para identificar e rastrear tempestades à distância. Ele indica a trajetória e a aproximação de áreas de risco ou de interesse, como barragens e áreas povoadas sujeitas a deslizamentos ou enchentes, que é o caso de Petrópolis. O radar é considerado pelos meteorologistas a principal ferramenta para a previsão de curtíssimo prazo.

“Com os desastres de 2022, tanto em fevereiro e março, nós percebemos que, com a emissão dos alertas simplesmente o que nós temos de informação? Uma célula de chuva severa em Petrópolis. Mas onde? De que forma? Como que nós podemos fazer com que toda a cidade, efetivamente deixem as suas casas? Então o radar se mostrou, desde o primeiro momento, ferramenta fundamental para a previsão meteorológica para que as pessoas saiam da situação de risco em tempo razoável”, disse a procuradora.

De acordo com os senadores, foi defendido pela Aeronáutica que a cidade utilizasse o radar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que fica no Aeroporto do Galeão. Mas, segundo a Procuradora de Justiça do MPRJ este radar não dá todas as informações que a cidade precisa para evitar maiores desastres. “Se colocou a questão de que o radar da URFJ poderia atender a demanda de Petrópolis mas ele é tecnicamente afastado, inclusive, por infomação do CEMADEM nacional. Infelizmente a realidade é muito diferente da burocracia, sobretudo quando as autoridades estão distantes da vida como ela é”, disse Denise.

De acordo com Denise Tarin, foram realizadas diversas reuniões com as autoridades entre senadores, procuradores, técnicos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEM) e a promotora do Ministério Público, Zilda Januzzi, para tratar do assunto. Para os senadores, será preciso um convênio para operar o equipamento e estudos sobre o radar ainda estão sendo feitos para que a compra do radar seja realizada.

“Nós vamos continuar tentando. Em razão da coordenação que eu exerço do grupo de trabalho de desastres do Ministério Público, nós já pedimos uma reunião ao governador e vamos levar isso à todas as instâncias porque sem um radar que possa, minimamente, dar maior previsão e antecipadamente informar a população, nós vamos, ano após anos, enfrentar situações igual estamos enfrentando”, disse a procuradora do MPRJ.

A equipe da Tv Correio da Manhã procurou a Aeronáutica para saber o motivo da recusa do radar, mas ainda não houve resposta.

Por Raphaela Cordeiro

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