Profissionais da área da saúde de Petrópolis alertam sobre o aumento de casos de sífilis

Só este ano o Ministério da Saúde divulgou, por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), que foram notificados 21 casos de aids em Petrópolis. Destes, 15 foram em homens, mais que o dobro se comparado ao número de mulheres contaminadas, que totalizou seis casos. No início deste mês, é celebrado o Dia Mundial de Combate à Aids, com o objetivo de apoiar as pessoas envolvidas na luta contra o HIV e melhorar a compreensão do vírus como um problema de saúde pública global.

O farmacêutico da área técnica de IST em Petrópolis, Luiz Fernando Emidio da Silva, garante que ainda há muito estigma em torno do vírus. “Isso vem melhorando com as campanhas e conscientização das pessoas. Mas as pessoas que vivem com HIV ainda sofrem muito preconceito, muitas delas não acessam o serviço de saúde por medo de serem reconhecidas e sofrerem na sociedade e convívio. É uma coisa que precisa ser trabalhada diariamente, o HIV não tem cara, ele faz parte da nossa sociedade e precisamos aprender a conviver com isso”, disse.

Para a Aids e HIV, são disponibilizados dois medicamentos, a PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV) que é utilizada após uma relação sexual desprotegida, ou seja, sem uso de camisinha, ou no caso de rompimento ou ainda quando houver o escape da camisinha e exposição ao esperma. E a PREP (Profilaxia Pré-Exposição), que quando tomado diariamente, a medicação pode impedir que o HIV se estabeleça e se espalhe no corpo.

Luis Fernando Emidio da Silva, esclarece que há um novo protocolo lançado em 2022 para a utilização da PREP. “Ainda há uma população que tem prioridade para a utilização do medicamento, mas atualmente é para quem precisa. Qualquer pessoa que se sinta em risco de se contaminar com HIV pode fazer uma consulta, e se PREP for a melhor medida preventiva, ela pode fazer o uso”, explicou o farmacêutico.

O Ministério da Saúde divulgou ainda que só neste ano, em Petrópolis houve 207 dispensações da PEP, sendo que 49,8% do público que precisou do medicamento está na faixa dos 25 a 39 anos. No caso da PREP, o município conta com 128 pessoas tomando a pílula diariamente.

A superintendente de atenção da área de saúde, Claudia Carvalho Respeita da Motta, explica que a equipe responsável por realizar a testagem passa por um treinamento de acolhimento. “Quando a pessoa vai fazer um teste, a equipe senta e conversa para a pessoa de igual para igual e orientamos sobre a importância desta testagem. Depois quando o resultado é divulgado, a equipe dá o suporte, além do acompanhamento que é feito caso o resultado seja positivo”, disse.

Em 2021, o Ministério divulgou ainda que o estado Rio de Janeiro apresentou taxas de incidência de sífilis congênita superiores à taxa nacional. E que o estado está com o coeficiente de mortalidade superior aos dados nacionais. Os profissionais da saúde em Petrópolis também seguem preocupados com a incidência de casos em 2022.

“Muitas pessoas não procuram as testagens para ter uma vida sexual ativa e não se cuidam, isso é muito sério. Existe um aumento no número de casos de sífilis, na população em geral à âmbito nacional. Nós precisamos combater, já que possui um tratamento adequado e medicamentos que podem deixar a pessoa curada”, explicou Claudia Carvalho Respeita da Motta.

O uso da camisinha tanto a masculina quanto a feminina em todas as relações sexuais, é o método mais eficaz, para evitar a transmissão das infecções sexualmente transmissíveis, do HIV e aids e das Hepatites virais B e C. Os profissionais também ainda divulgam a importância da higiene pessoal e evitar o uso de drogas injetáveis.

Por Gabriel Faxola/Imagens: Marlus Renatto

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