Câncer de pele não melanoma é o mais comum no Brasil
O câncer de pele é o mais comum no Brasil. A doença corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Existem dois tipos de câncer de pele: o melanoma e o não melanoma. O câncer não melanoma apresenta altos percentuais de cura, se for detectado e tratado precocemente e atualmente, é o mais comum entre os brasileiros. Entre os tumores de pele, é o mais frequente e de menor mortalidade, porém, se não tratado adequadamente pode deixar mutilações bastante expressivas.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Brasil, o número de casos novos de câncer de pele não melanoma esperados, para cada ano do triênio entre 2023 e 2025, será de 101.920 em homens e de 118.570 em mulheres. Quanto ao câncer de pele melanoma, o número de casos novos estimados será de 4.640 em homens e de 4.340 em mulheres.
“Esse câncer de pele não melanoma ele é o câncer que mais incide a humanidade. Ele é um câncer que não produz metástase, portanto, não leva o paciente à óbito mas causa grandes mutilações. O melanoma, felizmente, é um câncer não incidente. É um tumor mais agressivo, que produz metástase e por isso, pode levar o paciente à óbito. Ele surge como manchas ou pintas que vão se transformando no melanoma”, explicou o médico Dolival Lobão, chefe do setor de dermatologia do INCA.
O câncer de pele é mais comum em pessoas com mais de 40 anos. Ele é raro em crianças e negros, com exceção daqueles já portadores de doenças cutâneas. Porém, com a constante exposição de jovens aos raios solares, a média de idade dos pacientes vem diminuindo. “O grande causador do câncer de pele são os raios ultravioletas, principalmente os emitidos pelo sol. O ideal é se expor ao sol sempre com uma proteção, seja filtro solar ou roupas adequadas. Também é importante que os pacientes visitem o dermatologista pelo menos uma vez no ano. Qualquer câncer de pele a gente é capaz de curar, a grande maioria, se for diagnosticada precocemente”, explicou o dermatologista.
De acordo com o atlas da mortalidade por câncer, do INCA, em 2020, foram 2.653 mortes por câncer de pele não melanoma no Brasil, sendo 1.534 entre homens e 1.119 entre mulheres. Quanto ao câncer de pele melanoma, foram 1.923 mortes, sendo 1.120 entre homens e 803 entre mulheres.
O Brasil é o único país do mundo onde há uma lei que proíbe a exposição a câmaras de bronzeamento artificial, para evitar o aumento de casos do câncer de pele. “A gente gostaria que essa lei fosse cumprida e sabemos que nem sempre é. Alguns países, como os Estados Unidos, tentam criar uma lei como essa, mas não conseguem, devido à questão financeira. Lá, são cerca de 1 milhão de sessões de bronzeamento artificial por dia. Cada uma cerca de 30 dólares. Torna-se realmente muito difícil abolir esta situação. Aqui no Brasil, desde 2009 temos essa determinação da Anvisa mas, infelizmente, ela não é cumprida como deveria ser”, explicou Dolival Lobão.
Por Raphaela Cordeiro/Foto: arquivo INCA

