Fogos de artifício com barulho são tormento para animais e pessoas

Época de Natal e Réveillon levantam sempre a mesma discussão: o que fazer sobre os fogos de artifício? E se engana aquele que acha que os fogos de artifício são dor de cabeça só para os donos de pets, os estampídos com barulho, prejudicam também pessoas dentro do espectro autista, pessoas hospitalizadas, bebês e até mesmo animais silvestres.

“Ninhos são abandonados porque os pais que estão chocando os ovos se assustam com os barulhos, não sabem o que está acontecendo, o extinto de sobrevivência é mais forte e eles fogem deixando para trás os ovos e uma geração inteira de animais que não nascerão por conta dessa questão”, afirma Ana Cristina, presidente da ONG AnimaVida.

Caio Sampaio é dono de três cachorros e conta a preocupação: “Lá em casa dois (cachorros) têm muito medo, uma delas, quando tem jogo de futebol, se ouvir alguém gritando gol já corre para dentro de casa porque sabe que vai ter fogos. Na minha outra casa, que tinha janela muito alta, ela pulava para entrar. Ela fica raspando a porta lá de casa até alguém abrir para ela entrar, quando a gente está em casa deixa entrar, ela fica embaixo da mesa e fica tranquila. A gente tinha até procurado na internet alguma coisa que acalmasse o cachorro porque não queria dar remédio e tinha visto um negócio de enrolar um pano nela, acabou que não adiantou muito, ela fica bem mais tranquila quando está com a gente.”

Ana Cristina recomenda: “Quanto mais aconchego, quanto mais proteção esses animais sentirem que tem com seus tutores melhor. Existem protetores de ouvido, existem medicamentos que alguns veterinários podem indicar e cada um conhecendo o temperamento de seu animal pode oferecer a ele aquilo que ele necessita para se sentir protegido.” Ela ainda acrescenta: “No meu caso, específico, coloco todos dentro de casa, num cômodo fechado, com música ambiente suave própria para relaxamento de animais. Não deixo alimento nessa hora e vou sempre acompanhando para ver se eles estão tranquilos”.

Proibição fica só no papel

Em março de 2020, foi sancionada a lei que proíbe a soltura de fogos de artifício em Petrópolis, porém, segundo a presidente da AnimaVida, é uma lei difícil de fiscalizar. “É impossível fiscalizar situações como essa, porque a gente não sabe o local exato onde os fogos estão sendo soltos, quem está soltando e o flagrante é muito difícil”, reclama Ana.

Em novembro, foi aprovado pela Câmara de Municipal o Projeto de Lei do vereador Domingos Protetor, em parceria com a vereadora Gilda Beatriz e o vereador Hingo Hammes, que proibe o comércio de fogos de estampido, de artfício e de qualquer equipamento pirotécnico com efeito sonoro ruidoso em Petrópolis, porém, o projeto foi vetado pela Prefeitura por “apresentar violação à Constituição Federal, por ferir o Princípio da Independência e Harmonia entre os Poderes, consagrado no 2º da Constituição da República, pois há invasão de competência por violação ao art. 21, inciso VI da CF, que trata da competência exclusiva da União, ao disciplinar o uso (autorizar), fiscalizar a produção e o comércio de material bélico.”

A Câmara ainda vai discutir se vai manter ou derrubar o veto, e se não for aprovado ainda este ano pode ser aprovado até o início do ano que vem. A presidente da AnimaVida afirma que uma medida para a proibição da comercialização seria o ideal. “A gente sabe que o comércio também pode ser feito de maneira clandestina, por ser uma cidade turística também recebemos muita gente de fora que pode trazer os seus próprios fogos de artifício”. E completa: “Eu acho que o grande investimento da Prefeitura deveria ser no trabalho de conscientização, dentro de escolas, dentro de comunidades, as igrejas nas paróquias, para que as pessoas reconheçam e entendam a importância de abolir os fogos”.

Por Guilherme Mattos/Crédito: Pexels

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