Dia do combate à intolerância religiosa é celebrado neste sábado, dia 21 de janeiro
Neste sábado (21) é celebrado o dia da intolerância religiosa em todo o Brasil. O objetivo da data é alertar a população para o perigo da discriminação e o preconceito religioso e dar visibilidade à luta pelo respeito a todas as religiões. A data foi oficializada em 2007 através de uma lei do dia 27 de dezembro, e a sua escolha foi feita em homenagem à Mãe Gilda, do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, localizado em Salvador.
Dia 21 de janeiro foi o dia em que ela, que foi vítima do crime de intolerância religiosa, faleceu com um infarto no ano 2000. Isso aconteceu na sequência de agressões físicas e verbais, assim como de ataques à sua casa e ao seu terreiro, por adeptos de outra religião. O dia é dedicado ao tema de intolerância religiosa, cujos crimes aumentaram de forma expressiva em todo o mundo.
Dados levantados pelo Ministério dos Direitos Humanos apontam que, entre 2015 e 2017, houve uma denúncia de intolerância religiosa a cada 15 horas no Brasil. De acordo com a central de denúncias da Safernet, no primeiro semestre de 2022, o crime teve 2.813 denúncias registradas. Os dados representam um aumento de 654% se comparado ao ano de 2021, quando foram registradas 373 denúncias.
Segundo as estatísticas, 25% de todos os agressores são identificados como brancos e 9% das ocorrências dizem respeito a atos praticados dentro de casa. A maior parte das vítimas de intolerância é composta por adeptos de religiões de matriz africana. Apesar das incessantes lutas pelo direito à liberdade religiosa e a garantia de direitos constitucionais, a desinformação, o preconceito, a discriminação, e a intolerância continuam sendo os principais motivos de desrespeito às religiões.
“Esse dia é importante para que a gente consiga, não somente tolerar. A gente tem que entender, conhecer a sua fé, a religião e a prática, e temos que respeitar. Então esse dia do combate é de extrema importância por conta de um histórico que existe na sociedade brasileira em criminalizar essas religiões que não são ligadas ao cristianismo”, disse Flávia Valadares, assistente de coordenação do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis (CDDH).
Anualmente o dia da intolerância religiosa é celebrado próximo ao dia mundial da religião, que é comemorado no terceiro domingo do mês de janeiro, neste ano, no dia 15. Para celebrar, o centro de defesa dos direitos humanos tem uma programação especial para este sábado. “Vai ser um momento de roda de conversa e celebração. Com apresentação da Mayara Ferreira e seu samba. Então vai ser uma tarde de muita celebração, conscientização que é importante fazer com que esse dia seja falado e discutido com as pessoas que ainda tem preconceitos com determinadas religiões”, disse Flávia.
Os interessados em participar devem entrar em contato através do whatsapp do CDDH através do telefone (24) 2242-2462. A celebração começa a partir das 15h, com roda de conversa e samba. O CDDH fica na Rua Monsenhor Bacelar, número 400, no Centro de Petrópolis.
Por Raphaela Cordeiro/Fotos: Thiago Alvarez

