Petrópolis vai receber Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado
Em entrevista ao Correio Petropolitano Debate na última quarta-feira (25), o secretário de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, Vinicius Farah, abordou os investimentos previstos para a Região Serrana e as ações para os próximos quatro anos à frente da pasta. O deputado federal, assume pela segunda vez a secretaria, visto que em 2020 foi o responsável durante um período de nove meses, mas que foi encerrado devido às regras eleitorais. Vinicius Farah, também foi prefeito do município de Três Rios por dois mandatos.
No início deste ano, o governador Cláudio Castro desmembrou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais em duas. Foram criadas as pastas de Indústria e Comércio, conduzida por Vinicius Farah, e de Óleo, Gás e Energia, com Hugo Leal como titular. Para o secretário, a divisão amplia a atenção das pastas para as necessidades do Estado. “A decisão do governador foi assertiva em separar os setores, como é no Governo Federal e são demandas complexas, full time e é muito difícil você abordar todas elas em apenas uma secretaria”, comenta.
Em 2020, o Governo do Estado abriu cinco Agências de Desenvolvimento Econômico, que tem o objetivo de desburocratizar novos negócios e trâmites em todo estado. As primeiras foram abertas nos municípios de Teresópolis, Três Rios, Macaé e Paraty. A expectativa é que, no total, 12 estejam em funcionamento até o fim de 2023, incluindo uma em Petrópolis. “Serão 12 agências e retomamos o funcionamento dessas cinco, no máximo em 90 dias e as outras sete, nossa pretensão é que sejam inauguradas até o fim do ano”, conta. Outro ponto ressaltado durante a conversa, foi a taxação do ICMS para os municípios de Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis. “São três polos de desenvolvimento, cidades importantes e que a alíquota do ICMS era de 18%, e não tenho a menor dúvida que muitas empresas deixaram de se instalar pela falta de uma lei que diminua essa taxação. Qualquer empresário vai procurar outras cidades para investir. Conseguimos a aprovação da lei na Alerj que reduz a alíquota para 2% e, hoje, Petrópolis tem esse benéfico”.
Com o objetivo de identificar os principais polos de desenvolvimento, um mapeamento do estado do Rio de Janeiro foi realizado pela secretaria, a fim de pontuar os 92 municípios fluminenses, aqueles com maior perfil de desenvolvimento econômico. “Não adiantaria você pegar uma cidade que tem por característica o turismo e torná-la um polo de desenvolvimento e vice-versa. Essa análise aponta exatamente os locais e fragilidades de cada cidade para que depois possamos fazer o investimento correto. Vale ressaltar que esse estudo leva em consideração o impacto também dos municípios vizinhos, que chamamos de cidades satélites”, comentou. Ainda em Petrópolis, um novo investimento deve ser realizado nos próximos anos. De acordo com o secretário o investimento será na área da tecnologia. “Conversei há pouco com o Dr. Jorginho, secretário da Ciência e Tecnologia e que vai atender a Região Serrana, que deve ser instalada em Petrópolis. Esse projeto deve ser o maior projeto nacional de polo tecnológico. Será um laboratório de formação de incubadoras de projetos tecnológicos para a área privada e pública. Não podemos comentar nada oficialmente ainda, mas em breve será anunciada”, explica. A Região Serrana foi considerada pontual para investimentos na área da tecnologia.
Outro fator importante, ressaltado, foi a insegurança jurídica, que afetou o Estado nos últimos anos e que gerou o afastamento de novas empresas e investimentos no Rio de Janeiro. “Muitas empresas se afastaram do Rio, porque por anos não havia essa segurança para as empresas privadas e investidores, e um Estado que não tem segurança jurídica está fadado ao fracasso. Infelizmente, vivemos isso com enquadramentos entregues e retirados, empresas que seriam beneficiadas e depois o benefício foi encerrado. No atual governo, o Rio de Janeiro garante essa segurança e nós vemos isso na prática, porque um Estado que gera 300 mil empregos, você não constrói R$ 100 bilhões em investimentos se a desburocratização, a segurança jurídica e boas ações não estiverem como o objetivo central da pasta”, explica.
Junto com o governador Cláudio Castro, o secretário participou no início deste mês da maior feira varejista do mundo, que foi realizada nos Estados Unidos e contou com 3,8 milhões de empresas. Para Vinicius Farah, a tecnologia é um setor importante para atrair novos investimentos. Na Região Serrana, o Polo Serratec, em Petrópolis, e a sede da Alterdata em Teresópolis, mostram como o setor no interior é aproveitado. “A NRF foi um sucesso, até porque o Rio se candidatou para ser a sede da NRF de 2025 e será bom também para o comércio e da economia e foi uma participação para mostrar que o comércio é uma prioridade do Rio e a tecnologia também, até porque foi criada uma secretaria exclusivamente para o tema e o secretário é o ex-presidente do Cederj, para a pasta e atualmente a tecnologia é uma das principais parcerias do Estado, visto que as ferramentas são utilizadas nos programas sociais, da educação, turismo”, explica.
De acordo com o secretário, os próximos anos serão de investimentos intensos e de planejamento para as próximas três décadas. “Em dois anos o Estado concedeu R$ 241 milhões, somente em Três Rios, Paty do Alferes foram R$100 milhões, Petrópolis quase R$ 1 bilhão, também por conta das tragédias. A Age Rio concedeu empréstimos de R$ 5 mil a R$30 milhões e com juros baixos. Ainda foi criado o programa Supera RJ, com dois objetivos, atender as famílias em vulnerabilidade social e também o programa de empréstimos para as empresas. Na cidade de Petrópolis, foram R$ 202 milhões para pouco mais de 3 mil empresários. O Estado tem dado a sua contribuição de todas as formas possíveis. Ainda vale ressaltar que, hoje, para abrir uma empresa no Rio são necessários 25 minutos. Há dois anos foram quatro meses”, comenta.
Outros projetos estão sendo implementados pela secretaria e de acordo com Vinicius Farah, as ações a longo prazo vão ser nítidas. “Nós teremos 22 ou 23 municípios para criar Condomínios Industriais e essa foi uma grande vitória também. Esses condomínios também foram selecionados conforme a análise dos 92 municípios. Estamos muito empolgados para dar continuidade a esses trabalhos. Entregamos esse relatório para empresas de gás, energia, para dar também infraestrutura para as cidades que ainda não são polos industriais”, finaliza.
Por Richard Stoltzenburg

