Dia Nacional da Visibilidade Trans foi celebrado no último domingo

No Brasil, o dia 29 de janeiro é conhecido como o Dia Nacional da Visibilidade Trans. Há 19 anos a data é celebrada como forma de expressar o orgulho, a existência e a resistência da comunidade trans e travesti, dentro do movimento LGBTQIAP+ no Brasil. Por isso o grupo Correio da Manhã decidiu realizar uma homenagem a uma das datas mais importantes da causa.

As pessoas transexuais são aquelas que não se reconhecem no sexo biológico em que nasceram, e se identificam com outro. Algumas pessoas trans têm a necessidade de modificar a aparência por meio de intervenções cirúrgicas e outros métodos que promovam readequações em seu corpo, para que ele se adeque a imagem de como o indivíduo se vê e se sente.

Para dar mais voz a esta parcela da população, comemora-se em 29 de janeiro, o Dia Nacional da Visibilidade Trans. A data é importante para relembrar as conquistas da classe e os desafios enfrentados diariamente por ela.

Duda Collins é uma mulher trans, cabeleireira, graduanda em Serviço Social e também responsável pela área de relações públicas do Centro de Cidadania LGBT Serrana II. Ela garante que apesar das vivências, não se recorda da primeira vez que se reconheceu como uma mulher trans, “Eu tive uma criação muito reservada e contida. Quando comecei a sair e conhecer outras pessoas com meus 15 anos, e ter contato com outras pessoas trans, comecei a me reconhecer nessas pessoas. Até brinco que não tive uma passagem durante minha transição, porque desde o momento que comecei a ter minha liberdade de vida, eu já me reconhecia como uma mulher”.

Para a mulher trans, muitas vezes encontrar relacionamentos se torna um desafio, “Na realidade a um certo conceito que as pessoas trans não foram feitas para afeto. É tudo tão sexualizado a nossa volta, em nosso dia-a-dia. Então procuramos quebrar isso, porque todas as pessoas têm direito a afeto, amor, família e relacionamentos. E queremos que isso não seja visto de uma forma agressiva para a sociedade”, explicou Duda.

O dia 29 de janeiro foi escolhido em homenagem ao primeiro ato nacional organizado pela população trans e travesti em 2004, onde os manifestantes lançaram no Congresso Nacional, em Brasília, a campanha: “Travesti e Respeito: Já está na hora dos dois serem vistos juntos”.

Karine Vieira é advogada do Centro de Cidadania LGBT Serrana II, é uma das principais responsáveis por auxiliar boa parte da população trans que é marginalizada com trâmites de cunho legal. Para ela, as maiores dificuldades variam desde o acesso à educação, que muitas vezes é limitado devido ao preconceito, até a possibilidade da requalificação civil, que é responsável pela troca de nome e gênero em documentos oficiais.

“Todos os crimes relacionados as pessoas cisgênero tambem são relacionados as pessoas transsexuais. Mas principalmente a transfobia é você utilizar do gênero de alguém para tratá-la de uma forma preconceituosa. É muito difícil a gente conseguir fazer registros de ocorrência dentro do crime de transfobia. Ainda há um caminho para a gente fazer esta segurança pública estar do nosso lado”, disse.

Eduarda Balduino é uma mulher trans, enfermeira e a atual coordenadora do Ambulatório LGBTQIAP+ de Petrópolis e da Pasta LGBTQIAP+ das áreas técnicas da Secretaria do município. Apesar das lembranças já mostrarem ligações com a feminilidade, a transição dela começou enquanto cursava a faculdade. E mesmo em meio a confusão mental que enfrentou na época, Eduarda conseguiu se formar e reconhecer quem realmente é. Atualmente, ela é uma das principais responsáveis por trazer visibilidade e representatividade para a importância da saúde da população trans.

“É muito importante a pessoa entrar em um consultório e ver alguém como ela, ou alguém que ela se identifica. Saber que a pessoa não vai tratar ela como algo diferente, mas vai tratar essa pessoa para que ela seja como todas as outras e esteja inserida dentro de um contexto como todas as outras. Eu gosto de deixar meus pacientes muito a vontade, muito confortáveis para que eles sintam segurança em mim. Isso é o mais importante, para que esse espaço seja livre para ele ser quem ele quiser e que a gente construa uma saúde melhor para essa pessoa”, explicou.

O acesso à saúde da população trans é uma das maiores barreiras enfrentadas pela comunidade. As medicações, profissionais e aparelhos especializados para atender este público ainda são escassos.

Em Petrópolis, os moradores contam com um ambulatório para atendimento especializado, que funciona das 08h às 17h.

Eduarda ainda explica sobre a importância desta ressocialização. “As pessoas vão ter que se habituar e entender que pessoas trans também precisam de saúde. E são as pessoas em que mais a saúde foi negada, pessoas que passaram muito tempo pelas noites porque são ridicularizadas e marginalizadas. Então para mim é muito importante que minha sala de espera esteja lotada”.

Com o aumento dos debates públicos dos direitos da comunidade trans, a necessidade de uma ressocialização vem se tornando realidade no cenário nacional. A tendência é que cada vez mais a classe seja vista em diferentes esferas com o objetivo de dar voz para às que por muito tempo foram invisibilizadas e silenciadas.

Por Gabriel Faxola

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