Grupo Pró-memorial Casa da Morte visa tombamento e desapropriação do imóvel
O Grupo Pró-memorial Casa da Morte vêm trabalhando há anos no tombamento e desapropriação da Casa da Morte. De acordo com a pesquisa feita pela Comissão Municipal da Verdade, o funcionamento do local foi entre 1971 e 1973, considerados os anos de chumbo da ditadura. Para a Casa da Morte, foram levadas pessoas consideradas estratégicas para o regime. Eram militantes que lutavam contra a ditadura e pela volta da democracia. Nesta quarta-feira (6), o Grupo Pró-Memorial Casa da Morte realizou mais uma visita à casa, acompanhados de um membro do Consulado Alemão e também um membro da Fundação Alemã Elisabeth Käsemann, que também têm interesse na história e no tombamento da casa.
“Agora a gente está rearticulando de que maneira a gente pode dialogar para que tenha verba do Estado para a desapropriação. A principal questão é o financiamento, inicialmente, e o reconhecimento do Estado sobre a relevância da Casa da Morte, que é uma casa no qual militantes do Brasil inteiro eram trazidos, torturados e assassinados”, disse a historiadora Rafane Paixão, que é membro do Grupo Pró-Memorial Casa da Morte.
A Casa da Morte foi um centro clandestino de tortura e assassinatos criada por órgãos de repressão da ditadura militar brasileira, em Petrópolis. No local, diversos presos políticos capturados foram torturados e assassinados por militares durante a década de 70. Mas, a história só se tornou conhecida após denúncias feitas pela única sobrevivente às torturas, Inês Etienne Romeu.
A casa foi identificada pelos militares pelo nome de ‘Codão’, no alto de um morro do bairro Caxambu, e de propriedade do empresário alemão Mario Lodders, um simpatizante da ditadura militar que a cedeu ao exército. Durante a visita desta quarta-feira, o grupo voltou a discutir a importância da desapropriação da casa, para transforma-la em um museu, para preservar a memória daqueles que foram torturados e mortos.
“O que a gente pede é um direito à memória, um direito a ter um centro de memória que resgate exatamente a história dessas pessoas que lutaram por liberdade e democracia, principalmente para que isso não se repita mais”, disse Rafane.
Não se sabe ao certo quantas pessoas foram levadas para o local na década de 70. Mas a sobrevivência de Inês Ettiene é o único motivo da casa ser conhecida hoje. Ela foi cativa, estuprada e torturada por mais de três meses na residência, antes de ser jogada numa rua do subúrbio do rio quase morta, mas sobrevivendo para contar a história.
“É necessária a reparação, tanto para os familiares para que percebam que essa luta não foi em vão. Mas para que também a gente acabe com esse histórico de tanta violência. A gente está aqui com o cônsul alemão e uma fundação alemã que fazem os memoriais do holocausto, com esse objetivo. É trazer essa memória como memória de luta para que isso não continue”, disse a historiadora.
Por Raphaela Cordeiro

