Estudante de escola pública é aceita em programa do The New York Times e busca ajuda para realizar sonho
Kailane Paraíso tem 17 anos e é uma entre os 30 estudantes de todo o mundo que foi aceita no School Of The New York Times Gap Year Program, um programa educacional criado pelo jornal The New York Times. Kailane é uma dos dois brasileiros selecionados para uma vaga no programa. Para viajar e passar as seis semanas do intensivo nos Estados Unidos, a jovem precisa arrecadar R$ 67 mil. Para isso, criou uma vaquinha e está em uma corrida contra o tempo para não perder a vaga.
“Eu estou muito feliz, também estou muito ansiosa, principalmente por ser um programa tão competitivo que escolheu trinta alunos entre todos os lugares do mundo, e eu que vim de uma escola pública, aprendi inglês na maior parte do tempo sozinha. É um sentimento inexplicável”, conta a estudante.
O programa de Gap Year dura seis semanas e foi projetado pelo jornal The New York Times para jovens entre 18 e 21 anos de qualquer lugar do mundo que ainda não ingressaram na faculdade. A missão do programa é desenvolver aos estudantes pensamento crítico e habilidades como comunicação com objetivo de preparar o jovem para faculdade e carreira. Kailane ainda conta que o programa oferece um mentor para cada aluno durante as seis semanas buscando desenvolver projetos para formar um portfólio. “Eu estou com muita expectativa de criar algum projeto, alguma coisa junto com o meu mentor, e ajudar jovens brasileiros que tem situações parecidas com as minhas”, relata.
Caminho
Não foi fácil para a estudante conseguir essa vaga. Natural da cidade de Magé, na Baixada Fluminense, a jovem se formou no ensino médio no ano passado no Colégio Estadual Alda Bernardo dos Santos Tavares, e sozinha teve a iniciativa de se inscrever para o projeto.
Kailane teve que passar por várias etapas para conseguir realizar a inscrição. Primeiro o programa cobrava uma taxa de inscrição que a família de Kailane não tinha condições de pagar. Então ela decidiu enviar um e-mail solicitando uma isenção da taxa e conseguiu. A partir daí, a jovem começou a correr atrás de todos os processos para a inscrição. Primeiro Kailane teve que escrever duas redações, sendo elas uma de até mil palavras contando um pouco da história dela, se apresentando para a banca. Na outra, Kailane teve de escrever uma com cerca de 350 palavras do porquê deveria ser selecionada e o que o programa poderia a ajudar. Ainda nessa etapa a menina precisou de duas cartas de recomendação de dois professores diferentes. “Eu fiquei muito tempo fazendo essas duas redações. Eu reescrevi cada uma umas seis vezes, sempre que eu escrevia eu pedia para que várias pessoas lessem, darem feedback e nessa quando terminei tudo já era janeiro”, explica.
Kailane precisou separar ainda seu boletim escolar do 9º ano ao 3º do ensino médio, preparar um currículo com projetos extra curriculares, uma atividade escrita da escola que tenha sido avaliada por algum professor e um portfólio. Por fim, para Kailane conseguir a bolsa ela precisou comprovar renda da família dos últimos dois anos, para isso, Kai traduziu por conta própria os contra cheques do pai dela de janeiro de 2021 a dezembro de 2022 e vários outros documentos financeiros além de escrever mais uma redação de 1500 palavras, para conseguir a bolsa parcial.
Outra etapa que a jovem precisou passar foi por uma entrevista no dia 31 de janeiro com o Comitê de Admissão. “Eu estava super nervosa, mas foi super tranquila, foi mais uma conversa, ela fez perguntas sobre mim, sobre onde me vejo daqui a alguns anos, porque eu escolhi participar do programa e me explicou um pouco mais sobre o programa. E finalmente que eu receberia minha resposta dentro de 7 dias”, conta.
Foi então que no dia 8 de fevereiro Kailane recebeu a carta de aceitação com uma bolsa por mérito de US$ 3.750 e que tinha até o dia 22 de fevereiro para pagar a taxa de inscrição. “Eu entrei em contato com eles expliquei minha situação de novo e pedi que eles revisassem minha bolsa e que aumentassem o prazo para pagar a taxa de inscrição”, conta.
O Programa depois de revisar as informações da mageense aumentou a bolsa em US$ 1.000 e estendeu o prazo para até o dia 1 de março. Foi aí, que Kailane criou uma vaquinha online buscando complementar o valor da bolsa. Ao todo, a jovem terá de arcar com US$ 13 mil dólares, cerca de R$ 67 mil reais, para pagar os custos durante as seis semanas do programa, visto e passagem. De forma imediata a jovem precisa de R$ 13 mil reais, para o depósito de matrícula que deve ser feito até o dia 1 de março. Caso contrário, Kailane pode perder a bolsa.
Para ajudar https://www.vakinha.com.br/vaquinha/passei-para-a-escola-the-school-of-the-new-york-times-preciso-da-sua-ajuda-para-conseguir-ir?fbclid=PAAabwnYT8au0h-BAoUQB6M5ASVf2rIHv7UzwtHJf-wQWJvn4nt1cftwDEb_0 para mais informações o instagram @kai_vakinha
Kailane ainda passa a mensagem: “Muita gente desiste antes de tentar, por não se achar suficiente, por achar que tem alguém melhor que a gente, mas você nunca vai saber senão tentar”.
Por Guilherme Mattos

