Alagamentos são cada vez mais frequentes em Petrópolis
A chuva que ocorreu na noite de terça-feira (28) pegou motoristas e comerciantes da região da Mosela e Bingen de surpresa. O Rio Piabanha transbordou e formou uma corredeira nas ruas principais dos bairros. Isso, sem contar a Rua Coronel Veiga que foi fechada temporariamente por causa do transbordamento do Rio Quitandinha. Trechos que, antes não alagavam com tanta frequência e principalmente com o volume de chuva registrado, agora rotineiramente sofrem com inundações.
Em julho do ano passado, o juízo da 4ª Vara Cível de Petrópolis determinou que a Prefeitura e o Governo do Estado realizassem ações para mitigar os riscos de novos desastres, entre eles a limpeza dos bueiros de toda a cidade, que ficou sob a responsabilidade da Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (Comdep). O trabalho que deveria ser concluído até outubro do ano passado, só começou a ser realizado em novembro, às vésperas de um novo período chuvoso. Agora, já no fim do verão, ainda não foi concluído.
Um levantamento feito pela reportagem por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostra que, até 27 de janeiro deste ano, a Comdep fez a limpeza de 13.795 bueiros e bocas de lobo. Na região do Bingen, onde houve duas inundações este ano, foram limpos 1.150 bueiros e 99 bocas de lobo. Este foi o bairro onde foi feita a limpeza em maior número. Já na Mosela foram limpos 543 bueiros e 27 bocas de lobo. Por meio da LAI, a reportagem questionou quais são as ruas que receberam o serviço, mas a Companhia não possui esse detalhamento. Os números foram fornecidos com base nas regiões.
Asfaltamento contribui para a impermeabilização
Além dos bueiros, que não voltaram a ser limpos após as recorrentes chuvas deste ano, outra circunstância parece estar contribuindo para os problemas no escoamento da água de chuva: o asfaltamento. A Rua Doutor Paulo Hervê que era em quase toda sua extensão pavimentada por paralelepípedos, em 2021, recebeu asfaltamento. Moradores do Bingen relataram à reportagem que desde então notaram o aumento nas ocorrências de alagamento.
Há alguns anos, devido a instalação de novos grandes empreendimentos na via principal, o asfaltamento surgiu como uma alternativa para melhorar a mobilidade de quem chega à cidade. Na época, moradores fizeram um abaixo-assinado contestando a mudança na pavimentação. O Instituto Civis foi uma das organizações que foi contra o asfaltamento.
Mauro Correa, presidente do Instituto Civis, explica que a preocupação dos moradores e do Instituto estão se concretizando agora. “O paralelepípedo diminui a velocidade da água e ajuda no escoamento. Nós estamos em um vale, com a impermeabilização, o alagamento será cada vez mais rápido”, disse. Na Mosela a situação parece se repetir. Moradores mais antigos lembram que antes do asfaltamento no Moinho Preto, em 2019, a Mosela não alagava com tanta frequência como acontece atualmente.
Por Redação Correio Petropolitano/Foto: rede social

