Crise no transporte público: quebras e atraso no salário dos rodoviários
Passageiros de Petrópolis enfrentaram mais uma semana caótica no transporte público do município. Foram registrados quebras, atrasos e até mesmo incêndio nos coletivos. Além disso, os rodoviários tiveram atrasos no salário neste mês. Segundo o vereador Hingo Hammes (União), alguns chegaram a receber em até três parcelas.
“Os responsáveis pelas empresas informaram ao sindicato, de forma extraoficial, que os pagamentos dos trabalhadores não foram realizados devido ao atraso realizado pela Prefeitura Municipal de Petrópolis”, informou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Glauco da Costa.
Na quarta-feira (27), foi publicada a lei que proíbe o reajuste da tarifa para empresas de ônibus que não cumprirem o contrato, uma tentativa da Câmara de Vereadores de melhorar o serviço prestado pelas permissionárias.
Comutran
Os representantes da sociedade civil no Conselho Municipal de Transportes (Comutran) criaram um grupo em um aplicativo de mensagens para receber denúncias da população. Só neste mês de setembro, até o dia 27, foram relatados 69 problemas aos conselheiros, uma média de mais de dois por dia.

A planilha montada pelo grupo mostra problemas como coletivos que não conseguem subir algumas ruas, por falta de “força”. Há ainda um registro impressionante, de três quebras em um mesmo dia, no Vale dos Esquilos, que aconteceram no dia 22. No dia seguinte, os moradores ficaram a pé mais uma vez.
O conselheiro Guilherme Freitas Gomes diz que todos os dias chegam diversas reclamações de atrasos. O grupo foi criado para fazer a ponte entre a população e a Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans), além das próprias empresas.
“Essa iniciativa da sociedade civil no Conselho parte para que o empoderamento da população sobre o tema do transporte coletivo seja cada vez mais real e, principalmente, seja feito com acordo de quem mais precisa”, explicou.
Denúncias
No dia 26, moradores também denunciaram a perda de freio de um ônibus no Sargento Boening, que fazia a linha 433. O Correio Petropolitano apurou que o coletivo está com o licenciamento atrasado desde 2018. A Petro Ita disse que foi descartada qualquer hipótese de perda de freio.
“Apesar da impressão das pessoas, a Petro Ita afirma que, após análise de profissionais especializados e inspeções internas, não foi constatado qualquer problema no veículo, que voltou a operar normalmente na linha”, diz a nota.
A empresa disse que está apurando o que aconteceu para o veículo ficar parado, atravessado no meio da rua. No entanto, não respondeu quanto ao licenciamento atrasado.
Ao menos outros quatro coletivos da Petro Ita também foram flagrados com o licenciamento atrasado pela reportagem. O problema já é antigo e acontece até mesmo antes do incêndio na garagem da empresa, compartilhada com a Cascatinha, que destruiu 74 veículos. Vereadores e o Correio Petropolitano encontraram diversos coletivos com a documentação atrasada no início do ano.
Ainda falando de documentação, a Cascatinha adquiriu um veículo novo em julho. Pelo Código de Trânsito Brasileiro, o coletivo deveria ser emplacado em até 15 dias. Mas, nesta semana, foi visto sem o objeto.
Para o vereador Hingo Hammes (União), que também faz parte do Comutran, como representante da Câmara Municipal, são necessárias medidas urgentes e severas para que a Prefeitura tome conta do transporte público.
“Para melhorar o transporte público no município, são necessárias várias ações. É preciso que a CPTrans, empresa de ônibus, Prefeitura e vereadores façam a parte que cabe a cada um”, disse.
Quinto distrito isolado
A moradora do quinto distrito, Claudia Renata Ramos, também aponta os problemas na localidade. Segundo ela, moradores estão perdendo emprego, devido a precariedade do transporte público, já que não conseguem se deslocar até o Centro Histórico com facilidade.
Da localidade conhecida como Centro da Posse até Itaipava, a viagem está durando até mais de uma hora. Um dos agravamentos do problema é que a linha 711 se tornou troncal, sendo a única a fazer a ligação entre Itaipava e o quinto distrito.
“A demanda aumentou muito e a linha não está dando conta da demanda. É uma linha que faz sentido Posse, mas passa na reta de Itaipava e vários outros bairros até chegar no Centro da Posse”, disse a moradora.
Incêndio sem solução
A população ainda sente os efeitos do agravamento da crise do transporte com o incêndio na garagem de ônibus. Segundo dados da Prefeitura, quase cinco meses após a ocorrência, cerca de 90% da frota da Petro Ita e Cascatinha foi reposta.
A Polícia Civil já finalizou o laudo que investiga a ocorrência, mas ainda não divulgou nenhum detalhe. Relatórios do Corpo de Bombeiros e um particular, encomendado pela CPTrans, apontam que o incêndio foi criminoso.
O Correio Petropolitano procurou a CPTrans e o Setranspetro para esclarecimentos, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

