Aumentam os casos de violência contra mulher em Petrópolis
Dossiê Mulher aponta para 2,6 mil vítimas em 2022, contra 2,2 mil em 2021
Os casos de violência contra mulheres em Petrópolis cresceram 16,53% entre 2021 e 2022. É o que aponta o Dossiê Mulher, divulgado no fim do último mês pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). No ano passado, foram 2,6 mil vítimas de agressões física, moral, psicológica, patrimonial e sexual frente a 2,2 mil no período anterior.
A cidade conta hoje com um Núcleo de Atendimento à Mulher (Nuam), na 105ª Delegacia de Polícia, integrado à Sala Lilás, que acolhe, no Instituto Médico Legal (IML), as mulheres vítimas de violência física e sexual. Pela Prefeitura, as agredidas também podem contar com o apoio do Centro de Referência em Atendimento à Mulher (Cram). Há também a Patrulha Maria da Penha, o Juizado Adjunto de Violência Doméstica, o Programa Acolhe e o Ônibus Lilás.
“A mulher pode buscar o Cram, ligar para o 180 ou ir à delegacia para comunicar uma violência que já passou. Ela também pode ligar para a Polícia Militar, para a Guarda Civil Municipal ou ainda baixar o APP Rede Mulher, que informa a polícia a localização da mulher que está sendo agredida”, orienta a coordenadora do Cram, Thaís Justen.
Violências mais comuns
Os dados do Dossiê Mulher mostram que o tipo de violência mais comum em Petrópolis é a psicológica, presente em 33,1% dos casos. São atos como deboche público, humilhação e outras atitudes que abalam a autoestima da vítima. Logo após, vem a violência física, com 27,9% e a agressão moral (difamação e xingamentos, por exemplo), que aparece em 26,6% dos casos.
Dentre os delitos, lideram a ameaça, com 829 casos. Após, vem a lesão corporal dolosa, com 739 ocorrências e, ainda, a injúria, com 627 registros. Os dados ainda apontam que 93 mulheres foram vítimas de estupro na cidade em 2022 e uma mulher foi morta.
O Dossiê Mulher também traça o perfil das vítimas de todos os tipos de agressões. Em sua maioria, são brancas (56,3%), com idade entre 30 e 59 anos (52,9%). Chama atenção que os delitos acontecem, em sua maioria, dentro da residência (44%) e são cometidos por companheiros ou ex-companheiros (44%).
“A família e a sociedade devem passar a mensagem que a mulher não está sozinha, que a culpa não é dela, e que ela continua merecendo apoio e tendo diretos ainda que essa não seja a primeira agressão. Além disso, devem se empenhar em desnaturalizar a violência. Não existe mulher que merece apanhar e violência não é piada”, ressaltou a coordenadora do Cram.
Ações do Cram
O Centro de Referência promove ações como atendimentos individuais e em grupo para as mulheres vítimas de violência. Também realiza abrigamentos, palestras e rodas de conversas. São atendidas cerca de 100 mulheres por mês.
“Até o momento foram realizados neste ano 1743 atendimentos e diligências externas (abrigamento, acompanhamento em delegacia, entre outros). Sendo que 361 mulheres buscaram o Cram pela primeira vez este ano”, disse Justen.
O governo do Estado também iniciou, em agosto, um estudo para a implementação de uma Delegacia da Mulher (Deam) na cidade. Estes investimentos em novas Deams faz parte do Pacto Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Para a coordenadora do Cram, é importante fortalecer esta rede de apoio.
“O desafio é em fortalecer ainda mais a rede de enfrentamento à violência e a ideia de que todas as mulheres têm direito a uma vida livre de violência”, concluiu.
Por Wellington Daniel/Arquivo/Agência Brasil

