Enel deixa o Estado do Rio às escuras e serviços essenciais são afetados
No início do mês, moradores de São Paulo também foram afetados por ‘apagão’
Moradores do Estado do Rio enfrentam problemas com o fornecimento de energia, pelo menos, desde sábado (18). As ocorrências afetaram o comércio, além de serviços de saúde, água e esgoto e até quartéis do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. No território fluminense, 66 dos 92 municípios são atendidos pela Enel Distribuição Rio, braço da empresa italiana que deixou São Paulo às escuras por quase uma semana no início do mês. Os demais estão sob concessão da Light. Foram registradas manifestações em diversas cidades.
Em Saquarema, na Região dos Lagos, a prefeitura informou ontem (21) que diversos serviços de saúde tiveram alterações, devido às falhas de energia. Os hospitais estaduais Alberto Torres, em São Gonçalo, e Azevedo Lima, em Niterói também foram afetados pela falta de energia, mas a situação já foi normalizada.
Além destes pontos, em Niterói, o 12º Batalhão de Polícia Militar e o Quartel do Corpo de Bombeiros de Charitas também tiveram falha no abastecimento de energia. A Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar precisou cobrar prioridade no restabelecimento destes locais e das unidades de saúde.
Região Serrana
Em Petrópolis, moradores de diversas localidades também enfrentaram dificuldades e muitos foram às ruas para manifestar. Foram mais de 12 mil imóveis sem luz, segundo a prefeitura. A BR-040 chegou a ser fechada em dois momentos, na noite de segunda (20) e na manhã de terça (21) por moradores da comunidade do Contorno, que estavam há mais de 60 horas sem luz. Os populares relataram que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) usou gás de pimenta contra os manifestantes.
“Estamos pedindo, ligando, fazendo protocolo e eles desligam. Dizem que estarão em cinco horas aqui e não vem. Nossas coisas na geladeira estão estragando, bem como insulina de pacientes que precisam. Não temos condições de ficar comprando”, relatou a cuidadora de idosos, Alessandra Muniz na manifestação de segunda.
Locais conhecidos da cidade turística também precisaram ser fechados pela falta de energia, como a Choperia Gehren. “Minhas geladeiras estão desligadas, já tenho alimentos que azedaram. Todos os meus freezers desligados também, de salgado, carne, frango. É um prejuízo total”, reclamou o proprietário Rodrigo Reuther.
Diversos moradores também ficaram sem abastecimento de água, durante o período de falha da energia. A Águas do Imperador informou que segue com o trabalho de recuperação e monitoramento. Destacou que as falhas dificultam a recuperação do sistema.
Em Teresópolis, a Cedae também relatou falhas de energia que impactou o abastecimento de água, até mesmo antes do temporal. No dia 18, já tinham sido três falhas consecutivas.
Ações na Justiça
O prefeito de Resende, Diogo Balieiro, anunciou na manhã desta terça-feira, dia 21, que vai acionar a Enel na Justiça em virtude dos danos causados no município, que enfrenta, desde a semana passada, falta de energia elétrica. “A prefeitura não vai medir esforços para continuar cobrando as melhorias necessárias para um serviço contínuo e de qualidade para os consumidores de Resende”, disse o prefeito.
Em Angra, a Enel também será responsabilizada judicialmente pelo serviço que presta pela Procuradoria-Geral do Município dará, na próxima semana, em uma nova ação judicial contra a concessionária de energia. No processo, o governo irá pedir também um cronograma de execução de obras, a fim de garantir a segurança dos moradores, evitando, por exemplo, a queda de postes e que fios de alta tensão fiquem expostos nas ruas, podendo ocasionar tragédias. Já tramita na 2ª Vara Cível da Comarca de Angra dos Reis a ação judicial, que solicita que a empresa seja obrigada a prestar um serviço de melhor qualidade.
Niterói e São Gonçalo também vão acionar a Justiça contra a Enel. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) também acompanha as questões, com ações judiciais, em Resende, Petrópolis e Niterói.
Serviços da Light
Na semana passada, o distrito turístico de Conservatória, em Valença, ficou mais de 15 horas às escuras e os donos de pousadas amargaram prejuízos. Vários hóspedes que aproveitavam o feriado de 15 de novembro no lugarejo anteciparam a volta para casa. Sem falar nas perdas de produtos nas geladeiras.
Vassouras também teve problema justamente no final de semana, quando aconteceu o tradicional Festival da Cachaça. Paty do Alferes registrou falhas na energia entre o sábado e o domingo, e moradores do bairro Maravilha chegaram a ficar 14 horas às escuras.
Na capital fluminense, houve manifestações na Rocinha, bairro da Zona Sul, contra o serviço da Light. Moradores ficaram mais de 10 dias sem luz.
Estado quer assumir fiscalização
A Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar se reuniu ontem com representantes do Ministério de Minas e Energia e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O objetivo foi pedir que a pasta estadual tenha poder de fiscalização. Segundo a nota, são diversas interrupções no fornecimento de energia desde a última terça-feira em várias cidades.
A Aneel disse que tem atuado em diversas frentes para aprimorar a qualidade do serviço, como as compensações financeiras de forma automática na conta de luz. A agência também informou que o processo de fiscalização também traz elementos para o aprimoramento do processo de regulação, como a melhor forma de antecipar eventos climáticos críticos e a atuação dos agentes do setor elétrico nessas situações.
Respostas
Em nota, a Light informou que os municípios estão com serviço de energia normalizado e que segue apenas no atendimento de demandas pontuais.
A Enel informou que até, até a tarde de ontem (21), 98% dos clientes afetados pela tempestade de sábado (18) tiveram a energia restabelecida. Cerca de 900 equipes atuaram e uma equipe de São Paulo também reforçou o atendimento. Foram mais de 50 mil equipamentos da rede trocados.
“A Enel Distribuição Rio se solidariza com cada um de seus clientes que ficaram sem energia nos últimos dias”, diz a nota.
O Correio da Manhã questionou a Enel sobre as previsões do Plano Verão, já que tempestades são comuns nesta época no Estado do Rio. A companhia não respondeu, bem como também não informou o percentual de restabelecimento do serviço em cada cidade atendida.
Por Wellington Daniel e Sônia Paes

