Audiência pública da Comissão Externa Temporária do Senado Federal trata sobre ações pós tragédia em Petrópolis

Uma audiência pública na sede da Câmara de Vereadores de Petrópolis, realizada pela Comissão Externa Temporária do Senado Federal, tratou nesta segunda-feira (4), sobre o acompanhamento das ações pós tragédia em Petrópolis. Presidida pelo senador Romário Faria, a audiência também teve a participação do senador Carlos Portinho e membros do Governo Municipal, Ministério Público, Defensoria, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e do Conselho Regional de Engenharia (CREA). Durante a sessão foram compartilhados questionamentos e possíveis diagnósticos após a tragédia que atingiu a cidade.
“A gente vem acompanhando essa tragédia desde o primeiro dia. A gente sabe da tristeza que se abateu em Petrópolis, muitos mortos e muita gente perdeu entes queridos. O objetivo dessa comissão é fazer com que a gente possa entender e dar ao município soluções para que outras tragédias como essa não aconteçam”, disse o senador Romário Faria.
Foram tratados quatro temais principais: a prevenção e contenção de encostas; a necessidade evidente de moradias aos desabrigados; a saúde mental da população pós tragédia e o acompanhamento dos recursos federais e estaduais encaminhados para a cidade. “O Governo do Estado diz que está pronto para construir mil casas, o Governo Federal diz que já tem 300 casas para Petrópolis e o que falta é terreno. Então essa comissão ela está se debruçando nessa questão dos terrenos e das moradias”, explicou o senador Carlos Portinho.
Durante a audiência, a Sociedade Civil foi representada por um grupo de pessoas diretamente atingidas pelas fortes chuvas. A promotora do Ministério Público Estadual (MPE), Zilda Januzzi e o vereador Yuri Moura, presidente da Comissão de Diretos Humanos, foram aplaudidos de pé após suas falas em defesa de medidas urgentes para a população.
“Eu acho importantíssimo que exista na cidade abrigos temporários. Algumas das nossas crianças ainda não voltaram para as escolas porque elas estão servindo de abrigos. E precisamos pensar em uma política de bem-estar animal. Os animais foram resgatados por voluntários que não tem nem obrigação disso”, lembrou a promotora Zilda Januzzi.
Já o vereador Yuri Moura solicitou que seja divulgado um cronograma de obras que serão realizadas na cidade. “É para ontem a apresentação de um cronograma de obras. Ninguém na rua, ninguém de nós vereadores, está entendendo o que está acontecendo no ponto de vista de intervenções. É fundamental que a gente consiga que o Governo do Estado e Municipal se entendam e falem qual é o roteiro, quando começa qual obra e qual que vai ficar para depois. O grande erro da tragédia tem sido a falta de comunicação social”, disse o vereador.
Para o Município, o senador Carlos Portinho levantou questões sobre as casas que são interditadas em Petrópolis a anos e jamais foram demolidas. “A família sai porque está interditado e depois aquela casa é ocupada. Quem é que está mapeando a demolição destas casas? Isso é fundamental”, questionou o senador. Essas residências acabam sendo ocupadas novamente, pelas famílias que já viviam lá ou por novos proprietários que compram essas casas sem saberem que estão em áreas de risco, conforme lembrou o vereador Marcelo Lessa. “As casas não foram demolidas. Essas casas estão sendo vendidas, inclusive, com anúncios na internet. Isso é o motivo de muita tristeza para as pessoas que sairam dali e para quem está ali neste momento e compraram a casa em boa fé e vão precisar sair. Isso é crime”, disse Marcelo Lessa.
Também foi citada como de primordial importância a reconstrução da imagem de Petrópolis para que novos empresários se interessem em trazer os seus negócios, retomando a economia municipal. Diversas medidas como a isenção do IPTU, da taxa de lixo e da redução do ICMS a 2%, são promessas que pretendem chamar novos negócios. O setor foi fortemente atingido em diferentes regiões da cidade, principalmente no Centro Histórico, onde muitos empresários perderam mercadorias e a esperança de um recomeço.

Por Raphaela Cordeiro

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