Moradores da Castelânea pedem ajuda do município para obras na região. Local foi afetado pela tragédia climática que atingiu Petrópolis no início do ano
Em novembro o Correio da Manhã esteve na Castelânea em Petrópolis, após denúncias sobre problemas na pavimentação do local, que de acordo com os moradores, logo após a reportagem, foram sanados pelo poder público. Mas este não era o único desafio enfrentado por quem vive no local. Dez meses após a tragédia registrada no início deste ano, que também prejudicou a região, nenhuma obra estruturante foi feita.
E, apesar da prefeitura afirmar que toda a região da Castelânea está inclusa nas obras da Secretaria de Infraestrutura e Obras do Estado do Rio de Janeiro, a Seinfra afirma que as obras na Vila Luís Macedo não fazem parte do projeto. Diante disso, a associação de moradores tem pedido ajuda e enviado ofícios à prefeitura de Petrópolis, para que a vila passe por obras preventivas.
“Alguns pontos já começaram a ser realizadas as intervenções, mas agora por exemplo estamos aqui no final da Vila Luís Macedo, em que há uma grande barreira e não temos resposta de nada. Em momento nenhum a vila é citada em qualquer tipo de obra”, disse a presidente da associação de moradores da Castelânea, Juliana Esteves.
Durante todo percurso pela Vila Luís Macedo é possível encontrar trechos com rachaduras pelo chão, e deslizamentos de terra. Já a ponte de madeira que foi instalada após a tragédia para facilitar a passagem dos moradores, apodreceu.
“A gente sabe que algumas obras não vão começar e nem terminar antes do verão. Só que a gente fica muito preocupado, principalmente com o caso maior desta barreira na Vila Luís Macedo em que não temos resposta nem para a previsão de início das obras”, esclarece a presidente.
A barreira no local é uma das centenas que deslizaram durante as tragédias deste ano. Mas, ao contrário de outras localidades, não houve nenhum tipo de atenção por parte do poder público. Segundo os moradores a última visita feita pelo prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo e o secretário da Defesa Civil, Gil Kempers, foi feita no dia 14 de outubro. Desde então nenhuma notícia foi passada para os moradores sobre a inclusão da localidade nos projetos de obras preventivas.
A presidente da associação de moradores da Castelânea, garante que o sentimento hoje em dia é de abandono.
“A sensação que passa é que nada é feito porque não temos visibilidade suficiente. Eu não sei o que os governantes pensam, mas parece que nossos documentos e visitas são meras balelas”, disse.
Manoel Damião mora na Castelânea há mais de 50 anos e a casa onde vive está próxima ao deslizamento na Vila Luís Macedo. O aposentado afirma que não teve auxílio da prefeitura para a desobstrução do imóvel e precisou gastar mais de R$ 12 mil reais só para a limpeza externa da residência.
“A vontade que dar é de ir embora, mas nem sempre é possível, já que a família mora toda por aqui. Quando começa a chover as pessoas aqui ficam desesperadas, porque não foi feito nada. Vai vir chuva novamente e vai cair tudo de novo se não for feito nada”, disse Manoel.
Por Gabriel Faxola

