Fiocruz e fóruns comunitários do Amazonas e Vila Rica promovem evento sobre soberania alimentar

Nesta terça-feira (31), a Fiocruz e os fóruns comunitários do Amazonas e Vila Rica, em Petrópolis, promoveram um evento sobre soberania alimentar. O encontro aconteceu entre 8h30 e 18h na comunidade do Amazonas, no Quitandinha. A primeira edição do ‘Jornadas Ciência e Comunidade’ teve como tema “Juntos rumo à soberania alimentar – caminhos a trilhar”. O evento foi promovido pelo Fórum Itaboraí, programa da presidência da Fiocruz em Petrópolis, e pelos fóruns comunitários das duas regiões.
A programação aconteceu durante todo o dia, na Igreja São José do Amazonas, e falou sobre o desenvolvimento sustentável número 2, que estabelece: “Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável”. O evento teve o objetivo de promover um contato direto com a comunidade para entender as principais necessidades de quem enfrenta a fome.
“Nós, os cientistas, as pessoas da Fiocruz, fazemos eventos acadêmicos para discutir entre nós as causas e as soluções. Mas um evento desse com sede na própria comunidade a visão, a percepção e as saídas, são mais visíveis. É uma troca de saberes técnico-científico, com o saber popular”, disse o diretor do Fórum Itaboraí: Política, Ciência e Cultura na Saúde, programa da presidência da Fiocruz em Petrópolis, Felix Rosenberg.
A ideia é reunir propostas de soluções para enfrentar os desafios da fome, que acomete tantos brasileiros na atualidade. Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar revelaram que, no ano passado, mais de 33 milhões de pessoas vivem na situação de insegurança alimentar mais grave no Brasil. O número se agravou por conta da pandemia, representando 14 milhões de novos brasileiros em situação de fome se comparado ao período pré-pandemia. Dados do estudo mostram ainda que mais da metade da população brasileira, sendo 58,7%, convive com a insegurança alimentar em algum grau: leve, moderado ou grave.
“Infelizmente depois de 2016, o Brasil voltou para o mapa da fome. Petrópolis não é uma ilha então isso chegou aqui também, principalmente após a pandemia e as tragédias climáticas, o problema acabou ressaltando. Mas o governo vem trabalhando e atuando para minimizar o máximo possível, com geração de emprego e distribuição de renda e fazendo o atendimento às famílias que passam por essa situação calamitosa”, explicou o Secretário Municipal de Saúde, Marcus Curvelo.
O evento foi dividido em três momentos: conceitual, conhecimento da realidade dos territórios e propostas para o combate à fome. Os palestrantes abordaram o tema por diferentes pontos de vista e temáticas, como por exemplo o engenheiro e professor da UFRJ, Felipe Addor, que falou sobre como a tecnologia pode auxiliar na solução de problemas sociais e ambientais. “A gente desenvolve tecnologia e diálogo com as comunidades para tentar resolver problemas, por exemplo, de agricultores, pescadores, moradores de comunidades, favelas e até cooperativas de catadores. O objetivo é trazer essa reflexão da importância de construir um conhecimento que possa atender à esses problemas sociais”, disse Felipe.

Foto e texto: Raphaela Cordeiro

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