Abraço Parnaso é realizado contra privatização do Parque Nacional da Serra dos Órgãos

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso), criado em 30 de novembro de 1939 é composto por uma área de 20 mil hectares, corta os municípios de Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim, e vem gerando discussões em torno do seu repasse à iniciativa privada. A concessão, realizada pelo Governo Federal, com prazo de duração de 30 anos, preocupa moradores, montanhistas e frequentadores do local. A privatização vai contemplar a prestação de serviços voltados à visitação, revitalização e modernização dos setores turísticos do parque, com três etapas de definição.

O “Abraço ao Parnaso”, realizado no último sábado, dia 04, contou com cerca de 150 pessoas na manifestação, realizada no Parque Municipal Paula Rattes, em Itaipava, a fim de ressaltar a importância do local para as regiões. Segundo os organizadores do protesto, a empresa cuidará de uma área de mais de 5 mil hectares, sendo 89% da área em zona primitiva, na qual estão inseridos quase todo o Patrimônio cultural do Montanhismo do Parque, abrangendo as trilhas e vias de escaladas como: Travessia Petrópolis – Teresópolis, Dedo de Deus, Cabeça de Peixe e outras.

Dentre as reivindicações estão o cancelamento do atual processo de concessão, o diálogo sobre outras modalidades de parcerias, além da parceria público-privada pelo Governo Federal e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), seja possível o acompanhamento e a participação de todas as fases dos estudos para modelagens de serviços de apoio ao uso público e que a concessão tenha um período máximo de 10 anos, de modo a corrigir rumos a tempo de se evitar desastres de diversas naturezas, como já tem ocorrido, respeito aos valores do montanhismo, conforme os documentos da Federação de esportes de montanha do Estado do Rio de Janeiro (FEMERJ) e da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME).

Segundo um dos conselheiros do Parnaso e organizador do Abraço, Waldecy Lucena, o parque tinha um contrato de 11 anos com a empresa Hope Consultoria de Recursos Humanos, encerrado em 2021. Após esse período, a responsabilidade de gerir o parque ficou com os Agentes Temporários Ambientais (ATA), que atuam em apoio na gestão das unidades de conservação federais desenvolvidas pelo ICMBio. “Ninguem foi consultado para a modelagem dessa concessão. A Federação dos Montanhistas está presente no parque desde a fundação em 1939, assim como a equipe do Parnaso que trabalha diariamente no local, nenhum de nós fomos chamados” comentou o conselheiro. Ele ainda expressa preocupação com relação à concessão: “. Existem áreas primitivas, que precisam do mínimo de intervenções. Então não sabemos o que vai acontecer”.

Por Darques Junior e Richard Stoltzenburg/Imagens: Divulgação (Fábio Fliess)

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