Cobertura vacinal no Estado do Rio é menor que a média nacional

Na última segunda-feira (02) o Correio Petropolitano Debate entrevistou a Coordenadora do Observatório de Saúde da Infância, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Patrícia Boccolini, sobre a cobertura vacinal no Estado do Rio. De acordo com o levantamento realizado pela instituição, a cobertura vacinal no estado é menor que a média nacional para todos os imunizantes. O que acende um alerta para crianças fluminenses até os cinco anos.

De acordo com o Ministério da Saúde, a meta para vacinação contra a BCG é de 90% do público alvo, mas apenas 75% das crianças foram imunizadas. Já as vacinas contra poliomielite, difteria, tétano e coqueluche, Hebatite B, pneumonia e meningite, não atingiram 50% da população alvo. A situação é ainda mais preocupante em relação ao sarampo: apenas 28% dos bebês que deveriam ser vacinados receberam a segunda dose do imunizante na idade recomendada. As coberturas vacinais do estado também são extremamente baixas para febre amarela (41%); catapora (34%) e hepatite A (31%).

Para a coordenadora, o cenário de 2022 foi preocupante, mas se torna esperançoso, após Nísia Trindade, ex-presidente da Fiocruz assumir como ministra do Ministério da Saúde. “A gente acredita que haverá uma nova diretriz, uma nova direção, com foco na cobertura vacinal e no reestabelecimento das altas coberturas vacinais que tivemos por décadas, mas é também um momento de clamor para que os responsáveis levem os filhos, netos e sobrinhos para se imunizarem”, comenta.

Durante a conversa, Patrícia foi questionada se a política teria impacto na cobertura vacinal e ressalta que sim. “Muito, nós vemos isso porque as vacinas mais avançadas para a covid-19 por exemplo ainda não foram distribuídas e nas crianças de 6 meses até 3 anos da Coronavac com ampla distribuição, mas a cobertura ainda está muito baixa e a demora na compra dos imunizantes impactou muito nesse cenário”, afirma.

Os dados da pesquisa foram realizados até 28 de novembro de 2022 e foram coletados no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde e no Sistema Nacional de Nascidos Vivos (Sinasc). Para o cálculo, o Observa Infância considerou o número de doses aplicadas no ano com o número de crianças nascidas. Para as crianças que já completaram 1 ano, foi considerado os dados de nascidos vivos do ano anterior. “Esses dados estão disponibilizados para toda população, mas vale ressaltar que os municípios têm até 2024 para atualizar os dados em relação aos nascidos em 2022, então essa análise é preliminar”, esclarece.

Para a coordenadora, diversas vertentes impactam para a baixa cobertura vacinal no Estado do Rio, mas com destaque para a complexidade do calendário vacinal. “O calendário vacinal infantil nos dois primeiros anos é bem complexo e bem corrido, vamos dizer assim, o que na década de 1980 por exemplo, era muito menor, então nos dois primeiros anos, a mãe tem que voltar ao posto de saúde várias vezes em um mês para aplicação de vacinas e algumas com mais de uma dose”, explica.

De acordo com Patrícia, a falta de horários alternativos nos postos de saúde, também impactam para a cobertura vacinal do público infantil. “Em muitos casos os pais da criança trabalham e o horário do posto de saúde não coincide com o serviço do responsável, nesse caso é importante que as unidades possam ampliar seu horário de atendimento para que os pais possam levar os filhos para se imunizarem”, comenta.

Durante a explicação, a coordenadora ressalta outros pontos que impactam para a baixa cobertura vacinal no estado, mas ressalta que os índices de Petrópolis são melhores que a média fluminense. “Outro ponto que notamos é que não há mais crianças com sequelas dessas doenças, o que implica que para que pais não se atentem para a necessidade de manter os filhos com a vacinação em dia e protegidos. Apesar disso em Petrópolis a cobertura vacinal ainda é maior que a do Estado do Rio de Janeiro”, complementa.

Patrícia Boccolini ressalta no fim, o incentivo para as campanhas de imunização realizadas pelas gestões municipais, estaduais e federais. “É importante que os governos estimulem a imunização, que criem comerciais e que as campanhas sejam intensificadas e acreditamos que vamos retomar as altas coberturas vacinais no estado e no Brasil”, finaliza.

Por Richard Stoltzenburg

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