Cavalos abandonados nas ruas é problema antigo em Petrópolis

Nesta semana, um vídeo circulou na internet, mostrando um cavalo que caiu em um buraco na região do Quitandinha. No vídeo, é possível ver uma equipe do Corpo de Bombeiros trabalhando para socorrer o cavalo que caiu em um buraco. O acidente aconteceu na Avenida Getúlio Vargas, na última terça-feira. Ainda no mesmo no mesmo vídeo, há um outro cavalo. Antes mesmo do acidente acontecer, internautas já haviam flagrado os animais andando soltos pela rua.

Mas, de acordo com Ana Cristina Ribeiro, presidente da ONG AnimaVida, o problema é antigo na cidade. “O caso do cavalo que caiu no buraco no Quitandinha é só mais um de muitos que acontecem na cidade há muito tempo. Muitas regiões da cidade têm cavalos soltos nas ruas e eles nem sempre são recolhidos pelo poder público. Neste caso, não houve nenhum tipo de punição para o dono do animal, que mantinha o animal na rua. Acho que aí é o primeiro erro: não haver punição para os donos dos animais”, disse.

Petrópolis conta hoje com um curral público de apreensão de animais de grande porte da Guarda Municipal, que fica em Itaipava. O curral também já foi alvo de problemas no passado e, há alguns anos atrás, só passou por intervenções após uma determinação do Ministério Público do Rio de Janeiro.
“Pela Lei Municipal, deveria haver a microchipagem desses animais. Quando os donos aparecessem para reclamar a posse desse animal, a retirada, além das multas e diárias de hospedagem, essa pessoa deveria responder na justiça pelo abandono desse animal. Não sabemos se isso está acontecendo, pelo menos a mim não chega nenhum tipo de informação nesse sentido”, disse Ana Cristina.

De acordo com Ana Cristina, falta atuação do poder público neste problema e pouco ou nada é feito a respeito. Outro problema citado acontece na região do Vale do Cuiabá, onde existe um terreno particular que é conhecido exatamente pelo abandono de cavalos, muitas vezes machucados. “Esse terreno já é conhecido e já virou um cemitério de cavalos ali. Muitos cavalos são roubados em comunidades e cidades vizinhas, são levados para lá para servirem de moeda de troca. Crianças utilizam aquele animal como brinquedo, trocam por bicicletas e até drogas. Mas ninguém vai lá para colocar ordem naquilo ali”, explicou.

A presidente da ONG AnimaVida lembra ainda das charretes, que foram suspensas no ano de 2019. Segundo ela, a situação nunca mais foi comentada pelo poder público, que substituiu as charretes de tração animal por vitórias elétricas. “O que nos entristece é que políticos que lutaram tanto para acabar com as charretes, que eram cavalos controlados, examinados por veterinários, microchipados e acompanhados periodicamente. Esses que estão em situação de abandono e sofrimento, maus-tratos, a gente não escuta nenhum político falar absolutamente nada”, disse.

Na última quinta-feira (26), equipes da Coordenadoria de Proteção e Bem-estar Animal de Teresópolis (COPBEA) apreenderam dois cavalos na Granja Florestal. Os donos não foram localizados, por isso, os animais foram encaminhados para o curral de apreensão em Seropédica. Equipes da COPBEA também visitaram os bairros do Campo Grande, Salaco, Posse e Parque do Imbuí, para apreender animais de médio e grande porte soltos em vias e espaços públicos.

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