CPTrans acumula mais um escândalo e é alvo de críticas

A Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) ganhou mais um escândalo para a conta nesta semana. Desta vez, a companhia é investigada por manter um “funcionário fantasma”, com salário de R$ 7 mil e em um cargo de confiança do diretor-presidente, Thiago Damaceno. A Promotoria de Justiça de Investigação Penal do Ministério Público do Rio de Janeiro requisitou a instauração de um inquérito policial à 105ª Delegacia de Polícia para apurar as informações.

Nesta semana, o Correio Petropolitano ligou para a CPTrans e pediu para falar com o funcionário, apontado pela denúncia como fantasma. A atendente transferiu a ligação. O telefone chamou e logo depois desligou. Não foi dada explicação do motivo para o não atendimento.

No último balanço financeiro da companhia, em agosto, o funcionário teria recebido ainda uma gratificação de cerca de R$ 1 mil. O salário líquido foi de aproximadamente de R$ 6 mil, devido ao desconto previdenciário. É um dos maiores salários da CPTrans.

Três presidentes

Desde o início do governo Rubens Bomtempo, foram três presidentes. O primeiro, Jamil Sabrá Neto, está sendo investigado por esquema de corrupção após a tragédia de fevereiro de 2022. O andamento das investigações fez com que fosse cumprido mandado de busca e apreensão até mesmo na casa do prefeito. O sucessor de Sabrá, Fernando Badia, na presidência da companhia pediu exoneração e Damaceno é o terceiro no cargo.

O primeiro escandâlo foi em relação a contratos emergenciais fechados após as chuvas. A Justiça ainda determinou, em junho deste ano, que Jamil não possa contratar com o Poder Público e nem acesse prédios da administração direta e indireta. À época, a defesa do ex-presidente disse que está segura da inocência dele e que as acusações eram “descabidas, fruto de narrativa falaciosa de opositores políticos”.

Gestão ineficaz

A companhia ainda enfrenta críticas pela gestão do trânsito e transporte. Foi a CPTrans que elaborou a planilha do aumento da passagem de ônibus, que está sendo debatida na Justiça. A passagem a R$ 5,30 gera críticas, devido ao estado de conservação dos veículos e constantes atrasos.

Na quinta-feira, por exemplo, moradores reclamaram de um ônibus da viação Cascatinha quebrado logo pela manhã. Todos os dias, um grupo entre a população e os conselheiros da sociedade civil do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (Comutran) registra quebras e atrasos, sem contar diversos casos de estacionamento irregular.

O conselheiro Guilherme Freitas Gomes diz que todos os dias chegam diversas reclamações de atrasos. O grupo foi criado para fazer a ponte entre a população e a Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans), além das próprias empresas.

“Essa iniciativa da sociedade civil no Conselho parte para que o empoderamento da população sobre o tema do transporte coletivo seja cada vez mais real e, principalmente, seja feito com acordo de quem mais precisa”, explicou.

São as empresas Petro Ita e Cascatinha que estão no centro desta crise de mobilidade urbana da cidade. As viações estão em recuperação judicial, alegando dívida trabalhista e com credores de mais de R$ 12 milhões. Em maio, um incêndio ainda destruiu 74 veículos destas, fazendo com que a situação se agravasse. Até hoje, a frota não foi totalmente reposta.

Os rodoviários também são afetados pela falta de organização. No fim de setembro, o Correio Petropolitano mostrou que os salários chegaram a ser parcelados em até três vezes.

“Os responsáveis pelas empresas informaram ao sindicato, de forma extraoficial, que os pagamentos dos trabalhadores não foram realizados devido ao atraso realizado pela Prefeitura Municipal de Petrópolis”, informou, à época, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Glauco da Costa.

A Prefeitura e a CPTrans foram procuradas para responder a esta matéria desde a quarta-feira (18). Porém, a reportagem não obteve resposta. O Setranspetro também não se pronunciou.

Texto e foto: Wellington Daniel

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